Quinquilharia

Monday, February 1, 2010 Posted by Djabal

Marilyn Monroe, Playboy

Japão desenvolve robôs para ajudar idosos.

Taizo é um robô que carrega nas costas o idoso desejoso de morrer no alto da montanha, ao sentir a proximidade da morte. Em geral, isso se dá na estação de inverno rigoroso, como agora. A ideia surgiu como adaptação do clássico “A Balada de Narayama”, do genial e inolvidável cineasta Shohei Imamura. Taizo é auxiliado por Paro, uma foca eletrônica equipada com inteligência artificial capaz de tornar a caminhada mais agradável e divertida, e encerrando de vez, e com humor, a questão da honra familiar da ancestral família japonesa.

Casa de Tchekov sofre abandono nos 150 anos de seu nascimento.

Depois do progressivo envenenamento das relações entre russos e ucranianos, com estes encabeçados pela vigorosa líder Yuliya Tymoshenko e motivados pela criminosa tentativa do corte das suas tranças cultivadas desde a mais tenra infância (depois da leitura de “Rapunzel”, dos irmãos Grimm), o parlamento da Ucrânia resolveu cortar as verbas destinadas  ao museu do escritor de “O Jardim das Cerejeiras”, cultuado como gênio pelos habitantes do país limítrofe. Uma represália à altura e com as  dimensões adequadas de repúdio ao povo inimigo da nação ucraniana.

Correr descalço reduz impacto nos pés, diz estudo.

Biólogo, professor de Harvard e corredor, Daniel Fearless concluiu, após dezenas de recordes atingidos por corredores etíopes, quenianos, eritreus e marroquinos, em Olimpíadas e competições de longo percurso, que os pés têm melhor desempenho correndo nus do que calçados por tênis, isto é, o estresse a que são submetidos é menor. Resumindo, todos os engenhos humanos para melhorar o desempenho dos pés falharam. O cientista publicou um artigo na revista científica Nature com os seus argumentos. Logo em seguida, uma empresa lançou um calçado que imita o pé descalço tão exatamente que não se consegue distinguir o produto a olho nu.

Acidente durante perseguição deixa dois mortos em São Paulo.

Valorosos soldados da nossa Polícia Militar empreenderam o resgate de um automóvel da marca Volkswagem, modelo Passat, ano 1986,  roubado por elementos desconhecidos quando seu proprietário colocava a trava de segurança, ligando  o volante à alavanca do câmbio. Eles utilizaram o artefato para deixá-lo preso ao portão da casa da namorada. Ela, apavorada, correu para dentro e pediu ajuda, dando todos os elementos para a briosa corporação. Depois de algumas horas de perseguição, em desabalada carreira pela cidade de Diadema, o carro retornou ao lar, com as molas quebradas graças ao auxílio dos quebra-molas locais, escoltado por dois policiais e deixando duas pessoas mortas atrás de si, uma delas grávida. Ambas foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal para exames de praxe, atingidas por projéteis durante o rali. O veículo também foi atingido, ocasionando a destruição do vidro traseiro. O policial, amavelmente,  indicou um fornecedor de vidros usados de confiança para a vítima.

Para salvar namoro, chinesa quer operar e virar sósia de Jessica Alba.

Chao Queen, chinesa de vinte e um anos, um metro e cinquenta de altura, sessenta quilos, fará cirurgia plástica para se tornar uma sósia da atriz Jessica Alba. A atriz, considerada símbolo sexual,  tem um metro e setenta um centímetros de altura, cinqüenta e três quilos, filha de mãe franco-canadense e pai MBA (mexican born american). A jovem declarou-se constantemente humilhada pela peruca loira, usada sob a ordem do namorado. “Atender à fantasia dele destruía a minha. Ele fazia amor com a peruca. Quero melhorar a minha personalidade, tornando-me igual a ela.” A publicidade atingida pelo caso motivou um cirurgião plástico a tentar a façanha. “Existem condições técnicas para o caso.” Caso consiga, imagina ficar milionário diante da imensa demanda na sua região (interior da província de Zhifunzheu), exclusivamente povoada por orientais.

Fênix carrega carga letal de 200 megatons.

Gjiergji Pulë, da Universidade de Eqrem Çabej, Gjirokastër, doutor em Geologia, residente na cidade de Batávia, dedicou sua vida ao estudo do vulcão Krakatau e de seu “filho”, Anak Krakatau. Talvez pelo caráter espetacular da erupção de 1883, um espetáculo de som, fúria, cores e fluxo piroclástico com mais de vinte horas de duração, causadora do maior ruído de que se tem notícia na Terra, ouvido a uma distância de três mil milhas do local, o seu poder de destruição, irradiado em um círculo de trinta quilômetros de raio, causador da morte de mais de trinta mil pessoas, e o seu próprio desaparecimento, tragado para dentro do mar, envolto em fumaça, cinzas e tremores. A beleza majestosa desse espetáculo natural e  o reaparecimento em 1927, após novas erupções, de uma ilha vulcânica na mesma região, são fatos de caráter didático exemplar. Acompanho o seu desenvolvimento desde os nove metros iniciais, hoje transformados em mais de trezentos metros de altitude.

Hugh Hefner faz uma exótica, bombástica, comparação.

Ícone nos Estados Unidos, ao responder questões relativas à venda da sua revista, sai do seu habitual e responde bem ao estilo de Eric Cantona: “Quando eu casei a primeira vez, dormíamos em uma bela cama de casal, com dossel e espaço suficiente para o nosso café da manhã. A Marylin apareceu na revista nua, sem mostrar quase nada, por exigência dela. Depois, eu e minha mulher passamos a dormir em camas separadas, no mesmo quarto. Nessa ocasião, as meninas da revistas exibiam os seios e escondiam o resto. A evolução dos meus casamentos exigiu que dormíssemos em quartos separados, e a Playboy passou a mostrar nu frontal, seios e vaginas, adocicadas e com retoques. Até pouco tempo atrás, eu e as consortes morávamos em casas diferentes, apenas nos encontrando em ocasiões especiais, confesso, frequentes, mas cada um na sua. Enquanto isso, playmates escancaram sua anatomia, com nu frontal e closes provocantes. Meus amigos, hoje, dizem preferir sexo eletrônico, através do e-mail, textos de celulares, ou telefone. Contatos são episódicos. E as fotos das páginas centrais se assemelham aos estudos ginecológicos, tentando fotografar o ponto G. Hollywood is a place where they’ll pay you a thousand dollars for a kiss and fifty cents for your soul”.

Estas notícias, todas de hoje, formaram uma imagem em mim, cuja descrição ainda não consegui elaborar. Mesmo depois de várias releituras. Antes de desistir, peço a sua ajuda, leitor. Enquanto você lê, assistirei ao filme “Paris, Texas”, adquirido por noventa e nove centavos de dólar.

Cannabis, Cão, Sião, Japão (2o. Capítulo de Exílio)

Thursday, January 21, 2010 Posted by Djabal

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Aqui, o nosso convívio é ameno e distante. Estou passeado pelo jardim, sinto o cheiro da seiva no bosque, o frenético voar dos pássaros ou o som deles comendo os pedaços de mamão, ouço aquela algaravia de vozes. De repente, uma bolha branca de cambraia inchando aos poucos, realizando a forma redonda de um ventre grávido, para em seguida desaparecer. O sol da manhã brilha impune através do ar límpido e me aquece.  Ela volta a ser a cortina, antes assoprada pela brisa, espalhada pelo balcão. Aproximo-me, furtiva, para fechar a porta, quando encontro a menina, deitada, de costas, com a perna voltada ao sol, nua, em uma posição de entrega às ondas da vida, ébria, de olhos cerrados, recebendo energia, vazia, oca. Nada mais no mundo importa. Ela quer desfrutar a desrazão, o desvario do momento. A sua mão direita está espalmada sobre o ventre. Lá, pelos negros e lisos cruzam-se entre si, fazendo um tufo convidativo como o das plantas carnívoras. Ao lado esquerdo, um bonsai; do lado direito da cama, um livro (Genji Monogarati) aberto no capítulo três, onde há uma gravura mostrando um príncipe encoberto por um biombo, observando pela fresta, curvado, cuidando para não ser visto, as duas princesas jogando Go.  Talvez tenha sido com ele, com aquela história que ela fez amor. Afasto-me, furtiva.

Apesar da tranquilidade e paz do lugar, as pessoas não relaxam, precisam de atividade, repetem os hábitos urbanos. Após o almoço, visitamos o zoológico da cidade. Está na descida do morro, do lado direito da estrada, a poucos quilômetros, local acidentado, imprestável para agricultura, bem organizado, caro e limpo. Assistimos a um filme assim que entramos, informando-nos de que apenas animais da fauna brasileira serão encontrados, todos adquiridos legalmente, provenientes do IBAMA, que os capturou de ambulantes, contrabandistas, circos e particulares. “Geralmente, são animais atropelados, abandonados, famintos, empesteados. Agora, tratados pelo zôo. Os mais populares são o lobo guará (hoje em revisão médica, pinos colocados nas pernas posteriores), as onças e panteras (é comum se esconderem em grutas, pelo calor de quarenta graus e pelos hábitos noturnos), e o tamanduá-bandeira. Não alimentem os animais, por favor, nós fazemos isso.” Servimo-nos de um carro elétrico. A moça que o conduz é uma futura bióloga. Perguntei se ela pretende dar aulas. “Não, para isso é necessário fazer mestrado.” Ela não sabe o que pretende fazer com o seu diploma. Distribuirá seu currículo.

Atravessamos o parque ouvindo os roncos dos bugios com voz de baixo; os papagaios de peito-roxo, caturritas e papagaios-charão em grandes gaiolas; algumas araras-azul-e-amarelas se aproximam curiosas, e são fotografadas; apesar da proibição, os visitantes insistem no contato com os animais. Uma arara despenca do galho, por estar com a asa cortada. Observo a menina oriental pelo canto dos olhos. Passamos pelos pinguins que, alvoroçados, reconhecem a guia. Ela os alimenta individualmente, evitando que os fracos passem fome.  A capivara, enlameada, deitada, nos olha, indolente, indiferente.  Ao pararmos para tomar água, converso com um guarda. Ele me diz que o empreendimento é de propriedade de um casal de médicos geriatras, abandonaram a profissão. Ouço o plano de se colocar um carrinho de pipoca circulando, movido a luz solar. O circuito termina na entrada de uma loja  abarrotada  de bichinhos coloridos de pelúcia.
Voltamos. Hoje, desde a tarde até o término do jantar, receberei alguns familiares dos hóspedes. Acomodaremos as pessoas no jardim, na sala de  estar e no salão de caça. Pretendo preparar uma surpresa: sucos de beterraba.

Chegam os amigos da zoóloga, seus colegas da empresa. Ela está no jardim podando a trepadeira que envolve a araucária, sufocando-a. Corta todos os ramos mais baixos da parasita e faz uma incisão em toda volta, separando as raízes do caule. Entretida na tarefa, não percebe a aproximação, os visitantes percebem o livro de poesias de Yosa Buson, e um haicai está grifado; escrito em ideogramas, no alfabeto fonético e em português:

“veja a brisa matinal
soprando os pelos
da taturana.”

Sorri ao voltar a cabeça. Sentam-se e conversam animadamente. Ela relata a sua vontade de voltar ao Japão. Não quer ser considerada uma exilada, alguém que abandonou os seus. “Porém, não me excita a rígida disciplina, os hotéis-casulos, o gás sarin e a aglomeração constantes.”

Os pais da médica também se anunciam e encontram a filha na sala de estar. É um ambiente amplo, os raios de luz atacam o ar, atravessando as portas balcões e iluminando as reproduções da Pietá de Paula Rego, de Erik Slutsky e de William Blake, como uma homenagem. Todos aceitam o meu suco. Anciãos magros, descarnados, expressão cansada. Contam-me da miséria durante a guerra, do inchaço do corpo pela falta de vitaminas; da fuga à pé para a Dinamarca; até o reembarque, jogados no porão de um navio cargueiro. Esqueceram sucessivamente do português na Alemanha, do alemão na Dinamarca e de ambos agora de volta.  “Posso oferecer-lhes uma cerveja para amenizar o calor?” “Não”, responde a médica. “Meu pai não vai beber nada.” Ele franze a testa e a boca.  Depois, conversam sobre a impossibilidade de criar um cão labrador com sessenta e cinco quilos em um pequeno apartamento. A mãe abana a cabeça, afirmativa. Mas acabam concordando com a filha após um olhar furioso, através dos óculos retangulares, praticamente sem armação, que refletem toda a luminosidade do sol, fulminando os velhos.

Chegam os filhos do engenheiro. Um casal de seus vinte anos. Conversam andando pelos ambientes, sem se aproximar de ninguém, nem ao menos sentar. Preferem que a conversa fique espalhada. E a ouço, entrecortada. Não aceitam o meu suco, exceto o pai. “A alimentação é muito hostil, uma espécie de terapia de emagrecimento.” Compraram uma passagem de presente para o Pai. Destino: Israel. “Aproveitaremos a passagem do ano e tiraremos umas férias de quinze dias em Eilat, faremos pesca submarina. Praia e sol.” O pai se recusa, obstinado. “Meu pai veio da Rússia, sem nada, e conseguiu tudo aqui. As pessoas são boas, não há nenhum problema. Ele sempre me repetia o ensinamento de um amigo: ‘Os pobres, os fracos, os sensíveis e os exilados precisam ser silenciosos e espertos’. Não, acho que não vou.” “Pai, nós nos sentimos bem aqui, mas não é o nosso lugar. Nosso lugar é outro, e não sei onde é, talvez Utopia”, diz a filha.  As frases que reconstituo aqui são pedras extraídas das águas daquela Babilônia onde se deitavam e lamentavam.

A família do físico é a última. Acomodam-se no Pavilhão de Caça. Esparsos chifres estilizados de animais. Mesas familiares em espaços simétricos. Espelhos nas paredes dão um toque multiplicador. A mãe, o irmão e a esposa anunciam o falecimento do pai. Ele conta a história de Gaúcho, seu cavalo de estimação, castanho como ele, valente, corredor. “Eu sabia fazê-lo andar no ritmo do meu corpo. Sabia como dominá-lo. Caso contrário, ele correria até estourar. Gaúcho não sabia se dosar. Aliás, nenhum cavalo sabe.” O pai era assim, sem dose. Não foi barato ser filho dele. “Cavalo tobiano e castelhano só dá bom por engano.” “Cremaram?” “Não, a burocracia impediu”, disse a mãe. “Eu não deixarei descendentes; Você, meu irmão, escolheu outro caminho. Tem três filhos e três problemas. Aproveite. Estou cansado e empobrecido. Eles estão fazendo conosco o que fizeram no Uruguay, Paraguay, Argentina e Brasil. Seremos os próximos. Não se iluda.” A esposa se dirige para o jardim, a mãe tenta contemporizar, sem sucesso. O irmão responde que ele deve relaxar, não adianta ficar desse jeito. Ele o viu no hospital, o torso erguido sobre os cotovelos, brigando com a enfermeira por não haver lavado a mão. “Relaxe, meu irmão.”

E ofereceu ao irmão um cachimbo de vidro, um vaporizador e um pacote de Cannabis sativa. “É medicinal, evita a dor e melhora sua vida.”

Hoje é o último dia do ano, e temos um estoque de champanhe sem álcool para festejar. Vamos até a cidade para ver as luzes e assistir a um show de um equilibrista que pretende atravessar o céu da cidade, sem rede de segurança.

Exílio

Saturday, January 16, 2010 Posted by Djabal

...the beauty...by (Petra)

Acordo como aquela gota d’água com areia caída de uma nuvem. Guardei na memória a visão: uma cordilheira lá embaixo, aconchegante e verde. Olho ao redor, um quarto branco, cama e criado mudo, saio pela porta balcão. Gramado em retângulos perfeitos, cercados por um bosque de araucárias, caúnas da serra, capororocas, carobas, canela-podre, paus-leiteiros, tucuns, sarandis, jaborandis, guaperês, guajuviras, jerivás e louros-moles. Cadeiras Rietveld e guarda-sóis formam vários conjuntos. Flores azuis e tucanos empoleirados. Essa é a moldura que cerca a grande casa, de estilo montanhês.  A esmeralda domina o piso exterior, exceto nas áreas de circulação; lá existe algo de concreto, mas vazado e quase imperceptível ao olhar.

Silêncio: este o ingrediente principal para a cura. Para a desintoxicação do corpo. Naturopatia. Tirar a força de dentro do próprio corpo. Os alimentos ativam o tratamento: sucos de clorofila de fontes como a spirulina, usada desde os astecas, chinos e sahelianos.  Além de sucos de cenoura crua, folhas de trigo e alfafa, além de verdes das mais variadas, exóticas, remotas e longínquas procedências. “O gosto? Ah, esse é um ponto que ainda não pudemos levar em consideração. Nossa beberagem é melhor do que ingerir talidomida, não?“

Eu sou a enfermeira. Passo o dia inteiro preparando os alimentos. Acordo antes deles e durmo depois.  Apresento meus pupilos, eles passarão os próximos meses aqui.

A médica: solteira, pediatra, média estatura, cabelos louros e áridos, olhos e pele cinzentos; trabalha em dois empregos na saúde pública. Formada de alguns anos, cursa especializações aqui e no exterior. Acaba de chegar de Berna. Assim que confirmou o diagnóstico, exigiu licença. Trata de se associar a outro plano de saúde. “Eu pago tanto imposto que prefiro pagar mais um plano, desde que dedutível pela Receita.” Lembra um graveto seco, friccionado, soltando faíscas. Irritada. Esgotou-se no trabalho ultimamente. Cobriu três colegas que também caíram enfermas. “A Secretaria não está nem aí. Na minha ausência, aí sim,  darão valor ao meu trabalho.” Retirou um seio e agora enfrentará a primeira quimioterapia. Câncer agressivo (HER2). Sabe que o protocolo da químio é o mesmo desde os tempos de academia. “É impossível que não se tenha avançado nada,” Filha de emigrantes. Seus pais montaram uma empresa de produtos brasileiros na Alemanha, um pouco antes de estourar a Segunda Grande Guerra.

O engenheiro: divorciado, desde e para sempre, alto, corpulento, cabelos pretos, pele muito branca, meia-idade, sempre se dedicou ao mercado de ações e com isso consegue tocar sua vida. Hipocondríaco. Sofreu um sequestro relâmpago. Ouviu a voz da filha pedindo ajuda no celular, entrou em pânico e se rendeu completamente. Mesmo sendo judeu, declarou-se evangélico, portanto irmão em Jesus, para evitar uma tragédia, desenhada em sua mente. Seguiu todas as instruções, resgatou seu dinheiro no caixa automático e comprou créditos para os números  indicados em lotecas e bancas de jornal. Na última delas, a jornaleira percebeu a situação, viu o suor alagando aquele corpo e escreveu em um pedaço de jornal: “É um sequestro?”. Recebendo a confirmação com a cabeça, pediu que escrevesse o telefone da filha dele; cada número devolvia um pouco mais do seu raciocínio. Ele viu o polegar positivo, desligou o telefone, abraçou a jornaleira. Comprou uma caixa de chocolates dias depois, como um agradecimento, e ficou surpreso quando a jornaleira não o reconheceu.

A zoóloga: moça ao redor dos vinte e três anos, com muito esforço mede cinquenta centímetros acima do metro, esguia, olhos da cor e do tamanho das ameixas, rosto oval e simétrico, cabelos lisos, finos, fala baixa e mansa. Natural da ilha de Sado, encerrou o curso, empregou-se em uma ONG. Embarcou para a Amazônia. Cuidando da população ribeirinha no Negro e afluentes. Aprendeu a pescar e a limpar peixes: acarás, acarauaçus, traíras, sarapós, jandiás, jejus, mandubés, maparás, surubins, tambaqui, tucunaré, matrinxã, curimatã. Orgulha-se de saber limpar o curimbatá. Caso não se tire um fio branco que corre desde a guelra até a cauda, o pitiú invade o peixe tornando-o intragável. Na sonolência do calor, sentada com um pé riscando, inutilmente, a água, raspava e jogava as escamas no rio, trabalhando com método e atenção; quando subiu, do nada, um jacaré-açu de três metros e abocanhou a perna direita, girou sobre o próprio corpo, puxando-a para dentro do rio. Ela conseguiu se safar, socando, alucinadamente uma parte “mole” do bicho. Nadou até a margem, de onde ligou para um médico, visto que o caboclo inchou e desatou a chorar atarantado diante de tanto sangue, ponta de osso e carne dilacerada daquela moça machucada. O animal foi localizado e morto. Tarde demais. O membro estava inútil para o implante.

O físico: alto, claro, forte, cabelos escuros ondulados, olhos azuis, cavanhaque ruivo, natural de Roncador, uma das menores províncias espanholas na América do Sul, poliglota. Fala: espanhol, esloveno, basco, albanês, finlandês, húngaro e romeno. Declara-se livre pensador, homem que não precisa acreditar. Ele compreende as razões, é investigador incansável e determinado, usa a Matemática como linguagem e a Física é sinônimo de beleza e elegância na natureza. Já fez dois transplantes. O corpo insiste, renitente, recusando-se a refazer seus ossos. Submeteu-se a um rigoroso e intensivo tratamento; está devastado. “Ao ver a chapa da minha cabeça, ela parecia um balaio.” Vive sob o efeito de analgésicos. O pai o animou a procurar o Conselheiro. Enfrentou chuva, tempo,  vento e fila. Ao chegar a sua vez, o homem, dominado pela “Entidade”, que acolhia afável todos os desvalidos, ordenou-lhe desde as sobrancelhas, ríspido: “Vá até aquele canto; reflita. Depois, eu te chamo.” Ele foi para o lugar indicado, ficou sem saber o que fazer ou pensar; por que pensar?; por que eu? Observou o lancetar de tumores, o esvair e empapar de sangue, se afastou para alguém costurar os doentes, fez isso várias vezes, até ser chamado de volta.  Recebeu algumas secas instruções secas de preparo, e só depois disso deveria visitá-lo em Mihragem. Rejeitado, observou o homem sair do pátio, em uma caminhonete, saudando a população ululante, em estridente êxtase a cada aceno.

(continua…)

Amigo Secreto

Tuesday, December 22, 2009 Posted by Djabal

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Recebi uma carta do asilo em que meu tio viveu seus últimos anos. A dona do lar não cansou de elogiar suas qualidades, seu sorriso sempre aberto, a elegância com que tratava as pessoas, a disposição de ajudar nas tarefas administrativas e tudo mais. A descrição é contrastante com outras que ouvi dele. Lembro de uma história que me contou em nossa última viagem até a tríplice fronteira. A história de uma festa de final de ano na empresa dirigia.

[Sigam o link acima e encontrarão o final da narrativa no Histórias Possíveis de Natal.]

Olestra

Friday, December 18, 2009 Posted by Djabal

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Hoje revi a cena de um velho tocando acordeão.

Cego, acomodado sobre uma banqueta. Ria ao tocar e pontapeava um cão curioso, Cãs encaracolados nas laterais da cabeça lisa feito um ovo. Balançava o corpo como um pêndulo, sorrindo e chorando naquele fole retrátil.

A cena é distante e evocativa.

Reunia as expressões dos rostos, resumidas nas dobras do bandoneon.  A música sobressaía, melodiosa, sem exageros, expressão do vento soprando os lençóis do baldaquino improvisado. Sussurrava.

Era um casamento no campo.

Eu me recordo. Recordei você.

É no sonho que somos felizes.

Bom dia.

Histórias Possíveis # 54

Monday, November 23, 2009 Posted by Djabal

Cirrus Kelvin-HelmholtzDevo acrescentar que os cidadãos fugiam uns dos outros

e que ninguém se preocupava com os vizinhos?

As visitas entre parentes, quando aconteciam, eram raras e feitas de longe.

O desastre pusera tanto horror no coração dos homens e das mulheres

que o irmão abandonava o irmão, o tio o sobrinho, a irmã ao irmão,

muitas vezes mesmo a mulher o marido.

E até – o que é ainda mais forte e mais e quase inacreditável

– os pais e as mães evitavam ir ver e auxiliar os filhos,

como se já não lhes pertencessem.

Giovanni Bocaccio,

Decameron,

Primeira Jornada

Continua….

Lágrima Retida

Wednesday, November 11, 2009 Posted by Djabal

Admiración de la Orquestracion por la Cinematografia (1919), Man Ray

A lágrima insiste em sair. Vem das profundezas de um corpo hoje combalido, tenta furar o bloqueio que ele se habituou mostrar (será um orgulho bobo?), talvez para que o outro corpo não se sinta melhor, recompensado, pelo que fez ( para mostrar uma força que não existe? Ou existe apenas como fachada?). Vitrificado, ele segura firme, formando um lago interior composto pela água e pelo sal transformados em lágrimas, acumulado ao ponto de exercer uma pressão intensa no olho, tornando-o liquefeito e translúcido. Um simples assoprar de brisa o desaguaria. Assim, não haveria problema em culpar um cisco ou a polução da cidade. Enquanto ela está presa, coisas interessantes acontecem: uma piada antissemita ou racista ou machista; uma discussão estúpida com alguém, desaguando em uma ofensa; uma lategada no cão; uma briga de empurrões e pontapés, inadmissível sem ela; pode também se transformar na vontade de assistir um filme sobre o funcionamento de um grupo terrorista, como catarse. Tudo para esconder o medo que você está sentiu naquele instante. O medo até então desconhecido. Da conversa com um texto expelido por entre as vértebras de um amigo noticiando a loucura que acomete aqueles que conheceram da morte de deus à leitura do conto Bola de Sebo, pegadas interiores mostraram o caminho que elas percorreram. As fichas foram caindo dentro daquele corpo, transformado pela puxada na alavanca do caça-níqueis. A prostituição é um fato. Todo ódio contra as putas e desclassificadas vem do medo da comparação das mesmas posições, do exercício das mesmas atitudes, das recompensas com as mesmas moedas. Das trinta famosas moedas. Até então, o tratamento dispensado era o de pessoas de bem, daquelas que têm sentimentos nobres, porcos, mundanos e sublimes e, comem da nossa comida, enquanto têm fome. Satisfeita, voltamos ao nosso lugar: a indiferença merecida pelos violadores da hóstia consagrada. Estamos encarcerados, isolados, esperando o próximo cliente. A próxima venda deflagra a represa. O corpo acorda com a rotina do banho de tina. Nela a água suja e servida, que passeou por ele, ainda está lá, e, repentinamente, as mãos com vida própria, juntam-se e jogam punhados d’água suja no rosto, várias e várias vezes, em movimentos automáticos, irresponsáveis; parece que ele tem necessidade de puxar pra fora, com pancadas líquidas, toda a fieira de lágrimas retidas; extrair o tumor, aquela sensação inútil, pois, ficando lá, ficará como água parada, sementeira de vermes. Assim terminado o banho, ele se desfaz do vapor, passa a mão no espelho do banheiro, nunca olhado, e dessa vez serão dois pares se olhando, se confrontando, se aproximando. Aquela porcelana vitrificada se fissura, e se percebe que duas lágrimas pequenas e envergonhadas, escorrem pelos dois lados daquele rosto e se perdem nos pelos brancos do peito. Apressado, ele as enxuga. Que voltem. Que fiquem. Que se danem. A inútil inquisição vinda da noite dos tempos venceu e arrancou dele a confissão. ” a fatal desorganização de uma existência solitária cujos sonhos desapareceram; e todos os nossos dias passados iluminaram aos tolos o caminho poeirento da morte”

Eu faço vídeo.

Thursday, November 5, 2009 Posted by Djabal

Eu faço vídeo

Caminhamos para um túnel como aqueles que aparecem nos campos de futebol, para proteger juízes e jogadores quando ameaçados pelo tempo, autoridades, dirigentes ou torcida. A entrada é anunciada por um balão espetado no ar. Vários manobristas para guardar os veículos. Um bombeiro civil estava a postos para evitar qualquer dificuldade. Os seguranças paramentados como os participantes da festa: paletó, gravata e máscaras. A lembrança da associação criminosa foi inevitável, pela barba de alguns dias e pelo tamanho dos ‘meninos’. Há momentos em que as pessoas são valiosas.

O local da festa foi uma fábrica de sabão. Os encanamentos e as caldeiras estavam à vista, pintadas de amarelo. Hoje são objetos decorativos. As paredes foram descascadas para mostrar os tijolos de barro. O piso é de carpete. A iluminação vem do chão ou na altura do rodapé, dando um efeito fantástico, para quem olha. Cada participante ao passar pela faixa de luz produz um efeito fantasmagórico, existindo por alguns instantes apenas.
As pessoas, após pegar suas respectivas máscaras, vêm pingando como conta gotas através do túnel e descem à direita ou à esquerda para encontrar suas mesas. Estas são separadas por cores. Estamos no setor amarelo. No ambiente, predomina o vermelho, fios presos ao chão com balões vermelhos se movimentando, parecem corais no recife, monótonos, formando colônias. Mesas são estações de comidas. Um grande prato redondo, dividido pelos signos do zodíaco, em cada porção, o prato correspondente: Áries, grão de bico aretino; Gêmeos, testículos ou rins; Peixes, ruivos. Os doces dos mais variados tamanhos, formas e cores, completariam aquela ambientação marinha, não fosse um enorme bolo de aniversário, réplica coberta do coliseu.

Lá fora ruge o vento, ameaçando tempestade. Dentro, rugem o rap, o ‘funk’ e o samba. As pessoas se divertem, dançam, não conseguem conversar. Não há tempo, tipo ou tema.

“Minha mãe quer que eu estude, meu pai quer eu trabalhe/Minha vó quer que eu me mude, mas eu já fiz o que pude/Já fiz teatro experimental, oficina de poesia marginal/Seminário de meditação transcendental, curso de sanduíche natural/Eu faço vídeo! Vídeo!/Eu faço vídeo!/Vagabundo é a puta que pariu!”

Somos servidos incansavelmente. Telas gigantescas mostram imagem de passeios, viagens, caçadas e safáris. Habitantes de países distantes com aquela fome milenar, crianças fatigadas, deitadas com a cabeça ao chão. Sombreiros, ossos, tatuagens, dentes, olhos, moscas, chagas, tintas, penas.

Em um dos cantos do salão, algumas pessoas estão sentadas no chão, outras em cadeiras, e algumas em cubos. Estão estáticas, nuas. São modelos-vivos. Três homens e três mulheres com idade variada, desde sessenta e oito anos até trinta e um. Acostumadas a ficar parada por uma hora, com direito a dez minutos de descanso, encaram esta tarefa com muita tranquilidade, pois podem se mexer à vontade. “Não ficamos peladas, apenas posamos nuas.” O calor, as máscaras, a indiferença, o ambiente, tudo colabora. “Nós aprendemos a tirar a roupa quando percebemos que ninguém, de fato, nos olha.” Entretanto, falta-lhes naturalidade: elas não se movimentam, saem de uma pose para outra geometricamente.

Os banheiros são cápsulas espaciais. Paredes de vidro em todos os lados, as divisórias são translúcidas. A única parede que reflete o próprio rosto é a do espelho diante do lavatório, um cone em que a água floresce, na temperatura exata, sempre que alguém se aproxima. Ao lado dele, uma caixa com comprimidos. Os legais, para as mais diversas finalidades: enjoo, laxantes, analgésicos, antiácidos, preservativos dos mais provocantes modelos, das mais exóticas procedências; os ilegais, dedicados às viagens da excitação, do medo, da angústia, do tédio, da aceleração, são azuis, brancos, pó, fumo e narguilé. O mais completo paraíso artificial que se pode imaginar. Água, muita água.

As telas formam um nicho natural ao centro. Sob elas, um palco fulminado por jatos de luz que vêm de baixo, faiscantes, borbulhantes. Todos conversam com o corpo. Frenéticos. Compondo também a paisagem marinha, como aqueles peixes-papagaios, ouriços, estrelas e esponjas. Uma energia sobre-humana se condensa naquele ambiente, a eletricidade. O rap penetra o âmago de cada um, os gestos são poucos, díspares e dessincronizados.

Estava no Alto da Boa Vista, a Patamo me parou para uma revista/ Queria me levar por vadiagem./ Eu disse: “Eu não faço curta-metragem”/ Entrar no camburão foi humilhação prum cara com a minha formação /Aquela caçapa tava lotada de vagabundo que não faz nada/ Eu faço vídeo! Vídeo! Eu faço vídeo! Vagabundo é a puta que pariu!

Desço a escada para ver o funcionamento da iluminação. Um ambiente sóbrio, amplo, escadas de ferro, piso nu, janelas grandes e fechadas, jogos de sofás, poltronas largas, com braços dobrados sobre si mesmos, sem encosto, largas como camas, jogadas aqui e ali. O branco dos estofados e o cinza do piso. Encontro uma série de casais. Do mesmo sexo, de sexo diferente, de sexo indefinido, tomando por base as posições. Passeio por lá, até encontrar a casa das máquinas. O bombeiro civil está por lá. Um rapaz magrinho, com um sorriso muito grande, cujos dentes mostram sinceridade. Conversamos um pouco. Ele ficou quatro anos servindo o exército, gostou muito. Mas, infelizmente, deu o seu tempo e foi obrigado a dar baixa. Aeronáutica. Trabalha de bombeiro, “civil, não militar” – explica. Mas sente saudades dos companheiros da tropa. Guarda todo o dinheiro que recebe para fazer um curso de mecânica de aviões. Mecânico especializado. “E as festas, não dá vontade de participar?” – pergunto. “Que nada, já me acostumei, pra mim é um trabalho, paga bem, e é só.”

“Meu pai exige uma definição, quer que eu escolha uma profissão/De preferência em computação, mas eu não crio sob pressão /Todos me chamam de encostado, só como e durmo e fico parado/ Ninguém percebe que eu tô concentrado, criando um vídeo pra ser premiado/ Botei meu vídeo na mostra da folha, só tinha careta e jurado bolha/ Ninguém entendeu minha proposta, Matinas Suzuki achou uma bosta/ Eu faço vídeo!”
São quatro horas da manhã quando chega o convidado principal. Cantor de muito sucesso duas décadas atrás. Alto, já foi magro, hoje apenas anima a plateia, e canta dublando a própria voz. O peso não permite fôlego para gingar e cantar. Misto de Elvis Presley com Lindomar Castilho. Deixa a platéia frenética, principalmente a feminina. A dona da festa, afogada em um vestido tulipa vermelho, se despiu dançando à sua volta, como se o ídolo fosse o poste. O repertório variou de Trini Lopez, a Ney Matogrosso, passando por “Menino da Porteira”.
Da plateia surgiu um dançarino. Ágil, de roupa negra e prateada, colada no corpo, com uma elasticidade alucinada, repetia a melodia através do corpo, cantava a letra com os pés e as mãos. Olhos faiscantes. Elevou a temperatura. Diabólico. Assumiu o comando da festa, fez com que os casais parassem de se amar, os banheiros se esvaziaram, homens retocaram a maquiagem e apareceram, alguns esquecidos, com os narizes brancos, garçons e garçonetes se confraternizaram, unindo o mais novo com o mais velho. Ele, de repente, raptou e dominou a patroa, o corpo somente coberto com alguns pedaços de pano. Dançaram até a exaustão. O bolo de aniversário é descoberto, dele voaram rolinhas. Apavoradas, procuram a saída.

Perto do final, uma labareda se acendeu, o cheiro ácido de queimado se espalhou juntamente com o pânico. O bombeiro assumiu o comando e salvou a mulher. Busca o cantor. Corre-corre. Uma modelo nua tratou de arrastar o dançarino e tentava sem sucesso tirar-lhe a máscara. Não era apenas máscara. Era um traje colado no corpo, subia pelo pescoço até o rosto, formando uma peça única. Após deixar a vítima em segurança, ajudou a tirar, rasgando, a máscara do homem. Mais de sessenta anos. Rosto descarnado, fiapos de cabelos brancos colados ao crânio. Dançarino profissional, ele vive da renda da mulher que posava nua por setenta reais a hora, mais comida. Mascarou-se para dançar e viver momentos de glória. Foi o único que não deu gorjeta ao valente soldado do fogo. Ele recebeu gorjeta de todos os presentes que ajudou e conseguiu uma féria bem maior do que previra.

“Quando o juiz lhe deu a vitória, ele não comemorou.”

Wednesday, October 21, 2009 Posted by Djabal

PHILIPPINES-FLOOD-TYPHOON

Neste final de semana estréia novo texto em Histórias Possíveis # 54. Abordará a final de um campeonato de futebol, com cenas de sexo, nudez explícita, pagode, recortes de jornal, livros, piano, investimentos, drama, medo e ódio. Bom humor com piadas sobre Bocage (apesar de se evitar palavras de baixo calão). Além de modernas descrições de “as mil e uma noites”. A trama é inspirada e dedicada a André de Leones, ao lutador paquistanês Pervez de fala balúchi, e a Giovanni Bocaccio. Para você continuar atualizado até lá sugiro a leitura das seguintes matérias “A mulher que ama crocodilos” e “Cadeirante de 92 anos, flagrada com 4 quilos de coca amarrada nas pernas e torso”

Felipe Alcofibras

Cólon

Wednesday, September 30, 2009 Posted by Djabal

Bettie, Gams and Crutches

Se vocês quiserem conhecer uma história bem brasileira, contada por uma nota de cem reais, aqui está a chance. Eu ficarei muito honrado com a leitura. E mais ainda se conseguir prender sua atenção.