São os dedos do sol quando te abraço…

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Wednesday April 11, 2007

frank-herholdt.jpg 

Pensava nos mistérios da poesia, nas quatro mil definições do amor, pensava sempre nas dificuldades que tinha ao analisar seus sentimentos, na sempre insistente tentativa de aplacá-los pelo envio ao armário de secos e molhados da sua experiência, pensava até mesmo na sensaboria que se tornava aos poucos sua vida.

 Pensava ainda mais, que de remendo em remendo, abandonava tudo que - definitivamente - importa, para somente se dedicar às coisas mesquinhas da vida, aos sentires egoístas, aos prazeres desenfreados que a amizade interesseira permite. Se dedicava a ouvir loas à inteligência, espertezas, matreirices, dinheirama, traições, safadezas, às vezes próprias , outras alheias, meras invenções de mentes doentes; que precisavam crer em tudo aquilo para ter força para atravessar um lago - raso o suficiente para permitir a travessia de uma formiguinha - que diante das incapacidades paralisadas pelas covardias, se apresentava como o novo Mar Vermelho, insubmisso diante do Profeta.

Pensava, pensava, abandonou tudo, jogou às favas .

Mandou para o diabo que carregue sua esperança.

Enganou-se, sim enganou-se numa fácil arte de se enganar. A arte de enganar a si mesmo. Cansou de tanto pensar, criou seu mundo. Isolado, só, definitivamente abandonou tudo e todos. A sua difícil arte foi a de fazer isso sem que ninguém, absolutamente ninguém o percebesse , cobrasse, exigisse, demandasse nada…..  

Enganou-se a si próprio, escondeu tudo, arranjou seus trapos, farrapos, remendos. Juntou seus cacos. Ordenou tudo, como sempre foi de seu comportamento. Uma completa e uniforme bagunça, claro, mas, perfeita, completa, e rigorosamente organizada. Deixou de lado tudo e todos, perplexos, tudo e todos. Menos ele, sempre olímpico, onírico, genioso tomado por genial, conseguia ver um horizonte nessa névoa. O mundo interior era, e é, muito rico, dentro de um submarino, sente-se protegido, pode sair para explorar, agasalha-se numa neoprene legal, se protege dos imprevistos da temperatura, nada o observa, você é o rei da natureza. Você se sente o rei da natureza, ainda que da sua natureza. O prazer sem compromisso da música é sua companheira…. 

Um dia um escrito.

Outro dia um olhar.

Outra vez um rosto.

Agora um corpo.

Finalmente um toque.

 Você não sabe dizer.

 Recusa outro sexo.

Quem bate à porta ?

 Será qual desconhecido?

 Você ainda não sabe dizer;

 Por que não tem a alma,

 Alma de um poeta,

 Poeta que lhe traduza ,

 Traduza o que significa

 Aquele toque que ficou

 ‘Gravado no teu peito como lanças’,

 Como seria bom sonetar,

Para saber falar que:

 aqueles dedos que tornaram seu rosto para outro lado,

“São os dedos do sol quando te abraço”.

 Como seria bom

Com a alma de poeta,

Poder dizer as palavras,

Que o coração sente,

Mais difícil que chorar ,

Mais difícil se emocionar,

Como seria bom ser poeta,

Para lhe dizer quanto o que sinto.

Obrigado Florbela,

Muito … Obrigado. 

One Response to “São os dedos do sol quando te abraço…”

  1. DaniCast Says:

    Bill viola =)

Leave a Reply

24 queries. 0.430 seconds.
Powered by Wordpress
theme by evil.bert
modificado por DaniCast