Terceiro Estado

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday April 27, 2007

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“Agora chegava ao pensamento de que talvez se tratasse não de dois estados, e sim de três: sono, vigília e essa luz que o estava inundando por fora e por dentro desde que despertara nessa manhã. Por desejar um nome adequado definiu a luz para si mesmo: o Terceiro Estado. E sentiu que não era apenas uma questão de pura luz sobre as colinas, e que era sim a luz também fluindo realmente a partir das colinas e a partir dele próprio, e que justo na fusão daqueles raios de luz criava-se o Terceiro Estado, eqüidistante do estado de todo desperto e do sono mais profundo, e, no entanto, distinto de ambos. …

Todo o sofrimento, disse Fima a si mesmo, tudo o que é ridículo e obsceno, é mera conseqüência da perda do Terceiro Estado, ou daquela sensação vaga e onipresente que nos faz recordar, de tempos em tempos, que existe, fora e dentro, quase ao nosso alcance, algo fundamental para onde estamos sempre nos dirigindo, e sempre acabamos errando o caminho. Chamaram, e você não foi. Falaram, e você não ouviu. Abriram a porta, e você se atrasou porque sempre opta por satisfazer um ou outro capricho. “O mar do silêncio devora segredos”, mas você se preocupou com assuntos banais. Preferiu tentar impressionar alguém, que por sua vez também se perdeu porque preferiu impressionar um outro, que também… e assim por diante. “

Amós Oz, in Fima, atavés de Gege Schlsinger 

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