Orfeu

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Wednesday May 9, 2007

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Em uma época antiga, muito antiga,  reinou um cidadão chamado Orfeu. Tinha uma característica muito especial: era poeta,  tocava e cantava . Não somente isso, encantava a todos com seu canto, conseguia dominar abas, mares, mores e rores. Amor pegou - intolerante, tórrido - por  Eurídice, além de belíssima, filha de semideuses. A sua beleza clássica e plácida,  perene como o eterno, sem ser esguia ou alta; jamais foi valorizada pelo senso comum, que tanto lá como cá, admira as danações dos excessos e as carnações fulgurantes.Conta essa época que Eurídice por uma disputa de beleza com outras mulheres do mesmo valor que o seu, acabou ganhando o Estige como prêmio. Nessa época governado por um casal chamado Hades e Perséfone. Tamanho era o amor de Orfeu; o sentido da solidão, doença imaginária , mais fatal que uma real – sim,  porque, era definitiva,  e como tal não contava mais o tempo; que munido de uma harpa desceu à terra dos mortos e clamou e poetou e tocou para ambos, declamou histórias velhas e novas, contou fatos de heróis e hilotas, até convencê-los de levar sua mulher consigo. Entretanto, disse Perséfone:- Retire sua mulher daqui, renasça com ela. Desde que, ao sair, siga nesta direção, apontando uma estrada luminosa, e não se volte para trás até  terminado o seu caminho. Fique tranqüilo,  sua mulher o acompanhará. Seguiu, refletindo e conclui que, sua habilidade havia resgatado o que de mais importante existia para ele. Finalmente, poderia voltar a desfrutar do amor de Eurídice. Tão importante para ele; que o completava tanto. Foi refletindo também na maldade de Perséfone. Como alguém poderia julgar dessa forma, e só por um “dá-cá-aquela-palha”, mandar a outra para inferno, para purgar o resto dos seus dias.De resto não poderíamos chamar  de simples maldade, o que apenas era uma retaliação, por um comportamento que a afrontava. Se o fosse tão ruim ela não estaria lá, aparentemente satisfeita com sua situação.E pensava e pensava, e deixava que outros pensamentos invadissem sua mente, enquanto andava pela estrada afora, segundo a direção indicada. Assim como os caminhantes da planície de Maratona se esgotavam ao terminar seu percurso, o pensamento submetido ao mesmo tratamento se esgota com conseqüências nefastas para o seu detentor.Até que num determinado instante, de uma desconfiança na capacidade de julgamento dela, acabou duvidando de sua palavra. Ora, se ela manda alguém para o inferno, é claro que ela não deixou minha Eurídice me acompanhar, me fez de tolo, está querendo é me pegar, me iludir. Voltou-se para se certificar de suas corretas conclusões e conseguiu divisar a sua querida figura acabando de lhe voltar as costas, caminhando na direção oposta. Tomado de desespero voltou para o inferno, e por mais que declamasse, cantasse, tocasse, não conseguiu demover Hades e Perséfone de sua palavra.

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