Peixe

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday May 22, 2007

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Para um leitor anárquico como eu, é muito difícil encontrar numa fiada só sem interrupção, uma série de lindos livros. Geralmente alternamos entre bons, maus, médios; pretensiosos, humildes e intermediários. Raramente deixo um livro pela metade. Muito raramente perco a esperança de um autor se encontrar no meio do caminho, ou mesmo que ele se perca no meio, sigo até o fim para encontrarmos o caminho conjuntamente. Assim a leitura que é sempre um prazer, num determinado instante se torna um dever cívico. Devo terminar, não é justo deixar o escritor no meio de sua caminhada. Não farei com ele o que não gosto que façam comigo.

É isso. Épico. Romântico.

Nesses últimos dias fui sendo invadido por uma boa onda, uma onda de otimismo, pelo fato de encontrar tanta gente me ajudando a desvendar coisas. Pessoas que enfrentavam problemas parecidos e davam respostas absurda e totalmente diferentes das minhas. Melhores.Por outro lado temos que levar em conta a coincidência, o destino, a conjugação; de tudo acontecer ao mesmo tempo. Algo ou alguém bate à sua porta. Chama sua atenção. Caem as escamas dos seus olhos, é invisível até que você veja.Devo prestar uma homenagem à Milorad Pavic (Pavicht) e ao seu dicionário Kazar. Esse dicionário foi resultado de uma busca. Busca do Mário Benedetti e a Trégua. Não o encontrei, naquele momento (ele estava lá, mas não o encontrei). Encontrei o Milorad. Imediatamente lembrei-me das crônicas e resenhas da época, que diziam muitas coisas sobre a sua obra, inclusive que possuía a versão masculina e feminina. Que ambas se completavam pela leitura diferente de um determinado trecho. Eu havia comprado ambas.Depois de Amós Oz, Evelyn Waugh, Marcel Schwob, Giorgio Manganelli, Farid ud-Din Attar, Bruce Chatwin e Erri de Luca, não sabia o que fazer  para  não comprometer o meu prazer.A leitura diária e matinal, que faço do Fernando Pessoa do Desassossego, como uma espécie de antídoto à melancolia que causa um livro desajustado a mim, estava sendo desnecessária nessas semanas todas. Resolvi deixar à critério da sorte. A frustração momentânea do Mário fez cair em minhas mãos o Milorad. E foi uma alegria incontida.

Um texto saboroso, inventivo, desde a estruturação até a leitura. As propostas são inovadoras. Ele é um professor de literatura que tem uma bagagem e uma maneira de contar histórias que prende você. De fato, parece que esse servo-croata tem mais de mil anos.

Essa história é uma continuação de outra que já publiquei, e talvez servirá para aplainar o meu entusiasmo e não aborrecê-los. Hoje estou visitando Istambul de Orhan Pamuk, e a sua cidade dá uma imagem de grandeza e decadência que nos é bela, belíssima. Uma cidade atravessada pelo Bósforo, uma ligação entre Ocidente e Oriente, que já foi cantada por muitos. E com essa visita felizmente não interrompi a minha seqüência da fortuna.

O meu próximo escrito deverá vir de Las Vegas, preparem-se.

 

3 Responses to “Peixe”

  1. leãdro wojak Says:

    um autor leva a outro, essa é a minha regra.
    e, passados tantos anos de sua leitura, ainda acho o dicionário kazar uma jóia preciosa.

  2. _Maga Says:

    Olá querido! Bom saber que tem mais gente que também não gosta de deixar livros pela metade… sou persistente. Mas tenho descoberto que algumas obras tem seu momento… outras temos que fazer o seu momento, e descobrir ao fim a obra de arte que tinhamos na mão. Adorei o texto…

    Kazar??? Um… procura-lo-ei! :)

    Ah, re-li o texto e ficou bem claro, obrigada :)

    Beijos

  3. Jorge Antonio Says:

    Fantástico o blog, sou mais um a navegar e deixar uma marquinha na areia… a foto do peixe traz muita paz. Seguir de um autor a outro é excelente orientação literária. Pela qualidade do que vejo aqui, acho que você devia intensificar sua participação lá no Globoonliners… abraço! Jorge.

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