Akershus

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Tuesday May 29, 2007

seccion-de-pintura-noruega-cbrynt.jpg

 

Linda essa foto; chamou a minha atenção. Não sei exatamente o porquê.  O sentimento funde o que o juízo separou. Será que a figura ligeiramente redonda? Será a companhia compulsória da mãe? Será a máscara para enfrentar o serviço religioso? Será o forçado personagem  ‘A árvore’ numa peça infantil? Será o pontiagudo do nariz? Ou o ambiente hostil, artificial em que foi nascido e criado?

Fazendo um balanço creio que cada um desses pontos poderá me ajudar numa classificação.

Menino gordo odiava quando me colocavam algum apelido. Fazia um esforço enorme para não revidar, intuía que revidando mostrava minha fraqueza, só com o tempo, longo tempo aprendi e depois senti que mostrar-se fraco é sinal de força. Tarde demais.

Sempre tive companhia, por ser considerado frágil e despreparado. A imponência e a segurança da mãe exerceram uma força dominadora tão grande que pouco restou para abertura de novos caminhos. Aprendi apenas com os acertos, não tive margem para erro. Hoje o caminho do erro é muito mais atraente e seguro. Porque estou só. Ninguém me ajuda a não errar. Sempre acertei e o resultado foi um grande erro.

A religião também compulsória como um casaco no inverno. É impossível alguém não ter religião. Tive-a. Por duas semanas. Até participar do café da manhã com  religiosos. Estava compungido e solene, levava essa questão com infinita seriedade, quando ouvi diversas anedotas, das mais grosseiras até as de forma e conteúdo impossível de se ourvir de alguém que temia. Perdi minha sublimidade naquele momento.

Aprendi com o teatro. Aprendi a nunca mais freqüentá-lo, após a minha fracassada tentativa de ser uma árvore numa peça infantil. Apesar da minha falta de talento para isso, fui compelido, para o bem da minha desenvoltura e participação social e ser uma árvore. Sem falas, não precisaria ficar ‘nervoso’. ‘Não iria me expor. ’ De fato, só assisti uma peça muuuitos anos depois. E conseguir resolver esse assunto.

O nariz sempre foi a minha arma. Voltada para todos, talvez tenha sido o responsável pelo aspecto cruel e determinado de quem nunca o foi, mas ficou com essa imagem. Ele é o responsável pelas ameaças que nunca fiz. E se as fiz foram fruto do medo. Absoluto.

Esse ambiente hostil e artificial, só foi amenizado pelo pai.

Dele proveio alguma humanidade. Numa forma incompreensível. Deixou-me cair e jamais fez alguma menção de se levantar para ajudar. E mais, impediu os demais de fazer algum movimento.

‘“Ele caiu; ele levanta.”.

Essa foi a minha floresta amazônica. Foi o fruto verde dos meus adultos anos. Com o passar do tempo fiquei maduro por fora e verde por dentro. Ainda uma imagem infantil chama a minha atenção. Melhor que o Gepeto. Da madeira que pegou e tornou humana, fui um humano que se tornou ao longo dos tempos, madeira. Madeira de lei. Inútil, mas de lei.

Ah, ia me esquecendo: o nome do post?  É algo muito próximo a nós todos: um condado na Noruega. Foi de lá que veio o vento frio que me moldou.

 

Leave a Reply

22 queries. 0.184 seconds.
Powered by Wordpress
theme by evil.bert
modificado por DaniCast