Bloomsday ou Bloom Blogsday

scriptu em Penso? by Djabal Saturday June 16, 2007

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Nariz de cera:

Para cada um de nós existe um James Joyce.  Imagino que era isso que ele pensava, almejava e fez. Foi um amante apaixonadíssimo. Por uma mulher que tirou de dentro dele tudo de bom e de mau que ele possuía. Deu com o maior prazer e deixou seu legado para todos nós; essa doação.

Abaixo transcrevo opiniões de um leitor apaixonado e dele mesmo para comprovar, numa tentativa inútil e tola,  os pontos que descrevi. Pouco. Mas é tudo que deve ser lembrado hoje, que é seu dia. 

De Ricardo Piglia, in “O ùltimo Leitor Joyce vai mais longe que todos os outros na ilusão de escrever com uma língua própria. Nessa linha, descreve um duplo movimento: ao mesmo tempo que abole as conexões e cifra o sentido, tende a dissolver a figura do narrador, que é quem estabelece os nexos e a continuidade. Poderíamos afirmar que Joyce remete ao leitor a função ordenada do narrador. Um leitor inspirado, que sabe mais que o narrador e que é capaz de decifrar todos os sentidos – um leitor perfeito.

 Do inteiro James Joyce,  pedaços  interesseiros extraídos  por mim: 

 Quem era ele? “Na primavera gostaria de um homem novo todos os anos.”  Nos dê uma imagem da mulher.  “Que especiais afinidades lhe parecia haver entre a lua e a mulher?A sua antigüidade em preceder e sobreviver a sucessivas gerações telúricas: o seu predomínio noturno: a sua dependência satélita: a sua reflexão luminar: a sua constância sob todas as fases, levantando-se e pondo-se a horas fixas, crescendo e minguando: a forçosa invariabilidade do seu aspecto: a sua resposta indeterminada a interrogação não afirmativa: o seu poder sobre as águas fluentes e refluentes: a sua capacidade de apaixonar, de mortificar, de revestir de beleza, de enlouquecer, de incitar e de ajudar a deliquência: a tranqüila inescrutabilidade do seu rosto: a terribilidade da  sua proximidade isolada dominante implacável resplandecente: os seus presságios de tempestade e de calma: o estímulo da sua luz, o seu movimento e a sua presença: a admonição das suas crateras, dos seus áridos mares, do seu silêncio: o seu esplendor, quando visível, a sua atração quando invisível.” E sobre a ciência, o conhecimento e a vida?  “O instinto é que governa o mundo.  Na vida. Na morte.” Como se conhece o seu semelhante? 

“Vê-se sempre o lado fraco de um fulano pela própria mulher.”  E sobre a nossa originalidade e do nosso caráter único na natureza?

 “Ao pensar que cada um que entra imagina que é o primeiro que entra ao passo que não é sempre mais do que o último termo da série precedente, até se é o primeiro da seguinte julga cada um que é o primeiro, só e único, ao passo que não é o primeiro nem o último, nem ele só, nem o único, numa série que em si se origina e que até ao infinito se reproduz.” 

 E a arte, como ela poderá nos ajudar?   A arte tem de nos revelar idéias, essências espirituais sem forma. A suprema questão sobre uma obra de arte é saber  qual a profundidade de vida de onde emerge” 

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