Paralítico
Estou paralisado pela dor. Profunda, larga, bile negra e envolvente. Envolvente como um ritual que se repete há tempos. Ritual que me tira completamente a humanidade. Aquela que deveria ser proveniente da educação dos sentidos. Hoje, porém, os sentidos não têm educação. Têm impulsos. São vendidos em super-mercados. Sou todo robô. Abomino a violência e via de regra a utilizo. Por que? Será que ela está tão entranhada em mim, que não consigo me livrar dela? Será que estou contaminado como um lençol freático ? Das emoções apenas bóiam as barrentas, emulsionadas por sulfúricos e infernais ácidos. Enfim, não é cortar os pelos diariamente que me faz humano. O que me fará humano é abominar todas as formas de violência. Equilibrar-se. Voltar a ser uma névoa, hoje tornei-me uma Pedra.

July 16th, 2007 at 3:28 pm
Aconteceu uma coisa curiosa quando entrei aqui para ler esse post. Ali do lado, onde aparecem as frases randômicas, entrou essa frase aqui:
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“Os homens parecem revoltar-se mais com a injustiça que com a violência, pois sentem que a primeira vinda de um igual é vista como usurpação, mas a segunda, vinda de um mais forte, é considerada obra da necessidade. (51)”
Tucídides - História da Guerra do Peloponeso
Não fui eu que respondi seu post, sou apenas um mensageiro do acaso, um espelho.
July 23rd, 2007 at 1:32 pm
The ritual. Every Saturday night. My parents - each in their own space. Their cosmetic smell. His aftershave and hair cream. Her lipstick and hair lacquer. Then later when they came home. Alcohol fuelled. And the violence of hopes dashed.
I hope your viewers can perceive some of what I hoped?
Jac