Internet e Literatura

scriptu em Penso? by Djabal Tuesday August 21, 2007

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“Maneirismos vocabulares e “excessos” de coloquialismo à parte, a verdade saltita diante de nossos olhos: não se pode destacar nenhuma conquista de ordem sintática, semântica ou estética trazida pela internet”. 

Li essa afirmativa agora cedo. Ela é de um amigo e ótimo escritor. Antonio Fernando Borges. E com ela fiquei divagando o que divido com vocês agora.

Concordo com você. O fator mais importante é o humano.Mas havia pensado numa espécie de inteligência coletiva, facilitada por este instrumento que representado por uma tela e um teclado exibem meu pensamento para você, pensamento que foi fruto do seu que já me foi exibido. O processo é quase instantâneo, não passa por mais ninguém. Não há desvios, não há revisores, nada. É tudo direto, na véia, ops, na veia.Esse é o primeiro passo do caminho iniciado por você, com suas dúvidas,  e afirmações. O sentido do diálogo é fundamental na nossa espécie. Somente por ele caminharemos adiante. Somos medrosos.Poderíamos dizer que a inteligência coletiva - hoje - tem se demonstrado mais uma desinteligência que outra coisa. Fruto dos tempos. É certo também que vivemos no tempo da desinteligência. Apesar de tudo, para mim é maravilhosa esta possibilidade. Ela é imponderável. Inalcançáveis serão os seus efeitos. Um deles:  da interação. De convivermos e trocarmos idéias para um aprimoramento da linguagem e das idéias conseqüentes. Hoje é certo que não conseguimos descrever nada com exatidão. Tudo é vago, distante, enevoado, cheio de significados escondidos.  Tudo somente ocorrerá no tempo certo.  Ele terá que absorver essa inovação. Não sei quando.Veja como a linguagem se desenvolveu desde Vieira até os nossos dias. Podemos reconhecer a beleza do seu texto, assim como no de Dalton Trevisan.Hoje exigimos rapidez, portanto os textos são menores e piores. Alguns escrevem pouco e bem, numa linguagem já adaptado ao tempo dos computadores, outros escrevem pouco e mal. Também é humano.Para terminar, acredito que ainda não conseguimos nenhuma mudança essencial na linguagem, influenciada pela internet. Mas ela ou elas virão. Estou certo disso. Não há censura que consiga deter esse efeito.A massificação dos escritores dará oportunidade para os talentos que não tinham meios de se apresentar. O homem sempre deverá estar preparado para os sinais. Eles quando não nos pegam distraídos têm um efeito fantástico sobre nós. A internet é um grande sinal. Não? 

One Response to “Internet e Literatura”

  1. _Maga Says:

    Ótimas reflexõs, Djabal!

    Sexta estava ouvindo rádio, e um jornalista estava contando que quando ele começou até o tamanho físico do jornal era outro. Grandes, eram comuns as reportagens com 200 linhas. Depois elas foram diminuindo… 100 linhas. Ai ele foi a uma revista, em que eram coluninhas com 40 linhas e um box. E, finalmente, foi para o serviço de noticias pelo celular de uma operadora local: noticias em 150 caracteres!

    O teu texto lembrou-me de outra reportagem que li por estes dias. Um entrevistado falava sobre os beneficios do video game, e dos sites de relacionamento. Em geral enfocamos só o lado ruim da coisa. Ele apontava também para o lado bom.

    Como você trouxe, são coisas humanas, e coisas humanas são feitas na relação. Não são boas nem ruins a priori, são humanas.

    Parabéns pelo texto…

    beijos

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