Doko

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday September 6, 2007

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A tensão e a confusão são importantes em um mundo em que muitas decisões têm de ser tomadas com rapidez. Miguel de Unamuno disse uma vez: “Se uma pessoa nunca se contradiz é porque nunca diz nada.” Eu diria que estamos todos no mesmo barco que o mestre de zen que após contradizer-se diversas vezes seguidas, disse ao confuso Doko:“não posso compreender-me”

Douglas Hofstadter in Gödel, Escher, Bach. Um Entrelaçamento de Gênios Brilhantes. 

2 Responses to “Doko”

  1. _Maga Says:

    “O ser humano é estranho
    Ser humano é ser estranho
    É ser contraditório, complexo,
    diferente, ambíguo, absurdo.
    É ser inusitado
    mesmo sendo determinado e explicável.
    Ser humano sou eu
    andando na chuva
    de óculos escuros.”
    Marcela Ortolan

    “… não que eu fosse ingênuo a ponto de lhe exigir coerência, não esperava isso dela, nem arrotava nunca isso de mim, tolos ou safados é que apregoam servir a um único senhor, afinal, bestas paridas de um mesmíssimo ventre imundo, éramos todos portadores das mais escrotas contradições, mas, fosse o caso de alguém se exibir só como pudico, que admitisse nestas exibição, logo de partida, a sua falta de pudor (…)” p. 40-42, Raduan Nassar, Um Copo de Cólera.

    ” … Mas eu só queria saber neste mundo quem concorda consigo mesmo! Somos misturas incompletas, assustadoras incoerências, metades, três-quartos e quando muito nove-décimos. Até afirmo não existir uma só pessoa perfeita, de São Paulo a São Paulo, a gente fazendo toda a volta deste globo, com expressiva justeza adjetivadora, chamado de terráqueo.
    Mesmo cientistas já afirmaram isso também. Desde Gley, Chevalier e Fliess se desconfia que de primeiro os seres foram hermafroditas. Antes desses senhores, Darwin estivera escrevendo coisas pros leitores inteligentes do tal globo terráqueo e desde então se começou falando em seleção e outras espertezas que permitiram este saborosíssimo cisma em seres imperfeitos machos e fêmeas imperfeitas. Que invento admirável o cisma!
    Pouco depois de Origem das espécies, nasceu na Alemanha uma criancinha. Mamava que nem as outras, berrava sonoramente e trocava os dias pelas noites para dormir.
    Como desse em seguida para escrever coisas espantosas, os alemães rinciaram de chamando Herr Porfessor Freud. Pois não é que essa criancinha inda veio fortificar mais as escrituras de Fliess, de Kraff-Ebbing, sobre a nossa imperfeita bizarria! Afirmou que uma certa porção de hermafroditismo anatômico é ainda normal na gente! Incrível! Incrível e desagradável.
    A tanta ciência e tão pouca anatomia, eu prefiro aquela ideia contada pelo padre Pernetty: “Les Femmes ont plus de pituite et les hommes plus de bile… Certains philosophes ne craidraient pas d’afrimer que les femmes ne sont femmes que par un défaut de chaleur”. E se quiserem coisa ainda mais grata, é lembrar a fábula discreta contada por Platão no Banquete… Porém o que importa são as afirmativas daqueles alemães sapientíssimos, aqui evocados para validar a minha asserção e lhe dar carranca científico-experimental: NÃO EXISTE MAIS UMA ÚNICA PESSOA INTEIRA NESSE MUNDO E NADA MAIS SOMOS QUE DISCÓRDIA E COMPICAÇÃO.
    O que chama-se vulgarmente personalidade é um complexo e não um completo. Uma personalidade concordante, milagre! Para criar tais milagres o romance psicológico apareceu. De então, começaram a pulular os figurinos mecânicos. Figurinos, membros, cérebros, fígados de latão, que, por serem de latão, se moveram com a vulgaridade e a gelidez prevista do latão.” p. 79-80

    Beijos

  2. _Maga Says:

    Ah, o último texto é do Mario de Andrade, do livro Amar, Verbo Intransitivo.

    bjo

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