Diálogo
Outro dia ouvi ou li de alguém (Alberto Manguel?) que a escrita á um diálogo. Os escritores nunca têm, a rigor, nada de novo para comunicar, apenas tem uma outra maneira, mais agradável, mais instigante, mais original de encarar o mesmo problema. E para esse diálogo utiliza as suas referências, suas leituras e reflexões cruzadas.
“A suprema questão sobre uma obra de arte é saber qual a profundidade de vida de onde emerge” J.Joyce
Referências que podem ser extraordinárias, majestosas e clarividentes, portanto, exigindo do humilde e desavisado leitor uma capacidade de resposta e conhecimento que não teve tempo ainda de adquirir, ou de uma profundidade que ele ainda não habitou. Talvez esse seja o maior problema dos autores como Proust e Joyce, ou mesmo Borges. Eles são além de criativos, dotados de um conhecimento tão vasto que nós nos perdemos nessas referências. Elas nos remetem à galáxias distantes daquelas que já conhecemos.
Assim a leitura é sempre essa tentativa de diálogo, às vezes, por conta da forma, ora por conta do conteúdo, ora pelos dois; fica a fama de difícil. Mas não o é. Asseguro-lhes. Ela exige paciência e tempo. Coisas que os tempos de hoje não prestigiam muito.
Joyce sabia disso: “Quero ser um enigma para os próximos mil anos.” Conseguiu?
September 26th, 2007 at 5:20 pm
Djabal
Esse texto reflexivo ficou maravilhoso. Quem deveria lê-lo é a Ana G. que é expert em Borges e Joyce.
Acredito que tudo o que escrevemos já foi dito por alguém.O que há de novo é justamente para onde o texto remete o leitor.
Qual espaço ele atinge.Acredito que Joyce ainda seja enigma para muitos, decifrado por poucos, talvez aqueles que se prontificaram a viver com mais profundidade.