Alfândega, o retorno

scriptu em Penso? by Djabal Wednesday September 26, 2007

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Pensando que o mundo acabaria não numa explosão, mas num gemido. Descobri que o gemido era o meu. Dirigindo-me para a saída do aeroporto, só; relembrei a nossa viagem do nosso roteiro de compras, nas visitas que fizemos, nos lugares que conhecemos, submeti-me placidamente ao programa.

Não fiz nada do meu interesse, para conhecer outras paragens, outras pessoas. Tudo me parece plácido, flácido, com planos superficiais. Muita gente em pouco tempo. Mas o fiz para agradar, cimentar e pavimentar uma amizade. Não consegui entender nada direito. Pressa misturada à água e ao fogo. Inimigas entre si. Ora queimava a boca, ora comia cru, ora me afogava, ora não tomava banho.

Descobri que esse não é o caminho. Submeter-se para agradar é egoísmo. Egoísmo meu. Quero enganar o outro para que ele quebre as resistências e a partir desse momento possa instruí-lo a fazer o que bem entendo, por ter criado uma espécie de hábito de convivência; para acostumar o outro. É um dos caminhos da dominação.

Não sabia que esse comportamento é visto e sentido pelo ‘amigo’ e da mesma forma e com as mesmas armas ele combate.  Descobri que é um tédio viver sem divergências, sem discussões, sem divergências de pontos de vista. Descobri que não brigar por uma mulher que se ama,  é covardia ou falta de amor. Não é amizade.

Descobri que eles estavam certos em me abandonar pelo caminho. Eles não tinham amigo para proteger.  Não estávamos tornando sólido o que se desmancha no ar. Estávamos num teatro de variedades onde não faltou nada; tive até a companhia de uma dançarina egípcia. Que dançou para mim, exclusivamente, e quase sem nenhuma roupa, não compreendeu o porquê suas mãos me fascinaram tanto.

 Terminando essas reflexões, me vi voltando para a minha casa pela via expressa. Recebi uma ligação do mais velho dos companheiros de viagem perguntando por onde eu andava. Expliquei. E descobri que naquela correria toda, acabaram por esquecer umas das malas no aeroporto.  Pensei se isso não seria uma estratégia da aduana para cobrar mais impostos. 

One Response to “Alfândega, o retorno”

  1. DaniCast Says:

    Eu entendo o que você quer dizer e concordo.
    A graça dos relacionamentos é descobrir onde está dando errado, como fazer dar certo e como negociar. Se jogar xadrez não fosse interessante, ninguém mais jogaria xadrez. Relacionamentos são como jogos de xadrez. O resto, é tédio.

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