Quisera

Quisera ter a palavra. A palavra que a tirasse do lugar, a levasse criar coragem, não dependesse de mais nada nem de ninguém, perdesse o medo.
Tomasse do sol o resto da força que elas não deram, mudasse de rumo completamente, antes que a lua chegasse e tirasse a sua coragem.
No começo de tudo era palavra autora; hoje não mais.
O princípio é a atitude. Uma maneira covarde de manifestar o pensamento. Mas é apropriada aos dias de agora: rápida, incerta, medrosa; agrada a todos, incluindo os dessentidos e sonolentos.
Talvez esteja ébrio de infelicidade, mas certo da incerteza do nosso destino.
Infeliz e soturno.
October 8th, 2007 at 12:13 pm
Eu me identifico com esse texto. Mas a frase chave é “apropriada aos dias de agora”. A época que vivemos está contaminando tudo e todos.
October 13th, 2007 at 9:49 am
E a própria palavra que nos torna consciente deste destino pode torna-lo um pouco menos soturno.
“Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.”
Mario Quintana
Vou tomar sol, nesta manhã nublada (dublada?) para ver se a minha palavra ganha a força do salva-vidas.
beijos