Um minuto de lazer.
O homem das profundezas mais baixas possui inteligência sem poder, desejos sem meios. A revolução industrial o ensinou a ler e deu-lhe um minuto de lazer; mas o triunfo concomitante do capital e da burocracia o deixou sem um sobretudo. Ele se empoleira em sua mesa de funcionário – Bartleby em Wall Street ou Joseph K. em seu escritório – labuta arduamente em servidão acrimoniosa, sonha com mundos mais ricos, e arrasta-se para casa à noite.
George Steiner in Tolstoi ou Dostoievski através de Isa Kopelman e Luana Chnaiderman de Almeida

February 6th, 2008 at 8:40 pm
Esse minuto de lazer é terrível; muitos se acomodam a ele, numa servidão sem fim…