Viagem Fluvial
Imaginai uma viagem fluvial. O barqueiro, da nascente ao estuário, segue o fluxo das águas. Esse percurso começa? Termina? O barqueiro acha que é e assim vê: e na verdade há uma face do percurso onde o começo e o fim existem, onde existe uma leitura ou execução da viagem. Há uma face da viagem onde o passado e futuro são reais; e outra, não menos real e mais esquiva, onde a viagem, o barco, o barqueiro, o rio e a extensão do rio se confundem. Os remos do barco ferem de uma vez todo o comprimento do rio; e o viajante, para sempre e desde sempre, inicia, realiza e conclui a viagem, de tal modo que a partida na cabeceira do rio não antecede a chegada no estuário.
Osman Lins in Avalovara

March 3rd, 2008 at 4:22 pm
O Amor no Tempo do Cólera. Leia.
March 3rd, 2008 at 8:00 pm
É tão bom encontrar uma citação de Osman Lins, isso não ocorre com frequência. Esse trecho é muito interessante. Onde algo começa, onde termina? Sempre queremos situar, ter respostas, e os pontos de localização se fazem acessíveis, mas também se confundem, enganam as nossas certezas… Em tantos momentos precisamos delas, das certezas; em muitos outros elas nos cansam, entediam… Ainda bem que temos verdades, e também bastante imaginação… Assim podemos viver tranqüilas rotinas, sem nunca faltar surpresas.
March 3rd, 2008 at 8:14 pm
Não conheço nada desse autor a não ser o que vc publicou aqui e no Minhas Vozes. Muito interessante.
March 20th, 2008 at 8:42 am
Qua alegria ver um texto do Osman Lins… este nosso Joyce tropical.
Gosto dele. Gosto muito.
Este trecho tem indiscutivelmente a marca dos grandes escritores.
Beijos e aquela coisa toda.
PS: então é você o terceiro leitor do Osman?
Ah, honrada pela citação nos links. Obrigada.