Frágil
Acabara de ler Petrônio, Boccaccio e Casanova; o seu pensamento passeou ao longo de dois mil anos; estava contente por conhecer uma cena do império Romano, outra dos anos da peste, e uma última de Veneza. Todas na meridional Itália. Todas ensinando que é bom viver o seu dia. Os homens sabem o bom senso.
Recebeu uma foto da Via Láctea, mostrando o planeta Terra como um pequeno ponto, assinalado por uma imensa marca circular, a imagem também mostrava o tamanho relativo dos planetas desse sistema solar. Copérnico sabia.
Leu um artigo científico sobre as épocas glaciais e soube também que é impossível determinar quando será a próxima. Os cientistas sabem das que já passaram; e a temperatura média de cada uma delas. Groenlândia e as geleiras também sabem.
Saiu do café, acendeu um cigarro, queimou a garganta com a quantidade de fumaça que tragou, olhou-se e descobriu a identidade cores entre a sua roupa e o prédio ao lado. Sabia que não conseguiria suportar o frio, sabia também que não conseguiria suportar o calor do copo em suas desabrigadas mãos.Afinal de contas sabia de tudo que lhe interessava.
Ouviu “O Fortuna, velut luna” da Carmina Burana, tocada ao longe.
Saber não é nada.
Tudo é orgulho, apego e vaidade.Apagou o cigarro, deixou o copo no chão. Andou circulando por todas as ruas mais ou menos sem direção, até encontrar sua casa.
Deitou para dormir.

April 1st, 2008 at 11:40 am
Um poema.
Esbanja versos em toda sua extensão, este seu escrito.
Cada dia mais fã.
Beijos