Deserto

scriptu em Penso? by Djabal Thursday May 15, 2008

Talvez se eu pudesse colaborar, eu colaboraria para aumentar as dúvidas, em seu Momento Reflexivo. As suas e as minhas. Não as certezas, pois entre umas e outras existe o movimento. Acredito que nele nos assemelharíamos aos bêbados. Apesar de não nos darmos conta disso.

Quando estamos parados, estamos como alguém numa poça d’água e água parada gera a peste. Já que temos que nos movimentar. Descreveria o movimento assim:

Quando escrevemos dizemos o que pensamos a respeito de alguma coisa, fato ou questão; de tal maneira que aquele que lê, tira as sua impressão decorrente daquela nossa, e esta por sua vez será fruto de ambas, nem uma, nem outra. Numa espécie de movimento circular inesgotável.

Em resumo, quando eu escrevo descrevo a mim mesmo. Você quando lê, lê a si própria. Entre essa rachadura ficamos nós, os de bom senso, curiosos, aborrascados, aflitos, para encontrar pontos nas bordas daquele rio que é uma miragem.

Um rio que brotasse miraculosamente desse deserto e que nos conduziria até um lugar onde recebêssemos como troco de uma bebida comprada, aquela moeda de vinte centavos, (el zahir). Ela de tanto ser manuseada perderia a diferença entre as diferentes faces e quem sabe nos revelaria o que não pode ser revelado.

6 Responses to “Deserto”

  1. Cristina Sampaio Says:

    Você consegue fazer brotar em mim a ilusão de ser possível um total entendimento… Não deve haver deserto junto a você. Beijos

  2. Dai Says:

    Djabal, além de encantador, é este amigo amoroso de dar água na boca.
    Beijos para Sampaio e você, seu lindo incorrigível!

  3. Anny Says:

    Quando escrevo, escrevo para alguém. Quero me comunicar. O que não pode ou não deve ser dito fica nas entrelinhas ou nas reticências…
    Gostei do texto. Mais leve. Mais pessoal. Parabéns!

  4. Dai Says:

    Eu nem sempre escrevo assim, Anny. Às vezes me pergunto até que ponto importa que alguém nos leia ou escute. Como disse a Sampaio, muitas vezes há longa distância entre o que sentimos e o que conseguimos transmitir. Questão de interpretação.
    Escrever, muitas vezes é um ato solitário. Como nascer ou morrer. E nem sempre a coisa pode ser mais leve, como vc classificou o texto do Djabal, na minha opinião carregado de reflexões, toneladas de sentimentos.
    Bom final de semana. Na paz e no amor, amigos.

  5. Elfen_Queen Says:

    Estou farta de certezas, elas me confundem mais do que as dúvidas e me limitam também. Um dia desses tive uma conversa bem desagradável com alguém que tinha muitas certezas. Que martírio foi aquilo. Mas passou! Tudo passa, principalmente as certezas (felizmente).

  6. Marcos Santos Says:

    Show de texto Djabal.

    E você tem razão. Mesmo quando escrevo uma mentira, sou eu, o mentiroso escrevendo. E aquele que lê e acredita, é o crédulo lendo. O texto se transforma em verdades e mentiras na medida que vai fluindo pelos leitores, como galhos que nascem em todas as direções, mas que no fundo, são a mesma árvore.

    Aproveito para agradecer suas palavras de carinho e apoio no meu blog do GO. Vida que segue.

    Valeu!
    Te linkei no meu blog.

    Abraços
    Marcos Santos

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