Aflição
“Por estranho que pareça, gosto das criaturas da mesma espécie que eu: gosto de gente, gosto das pessoas”.
Heinrich Böll in Pontos de Vista de um Palhaço, através de Paulo Soethe
“Pois eu sabia que, para sobreviver e prosperar, era importante não sentir nada por ninguém nem por coisa alguma, e eu sabia que queria sobreviver e prosperar”.
Richard Flanagan in O livro dos peixes de William Gould Romance em Doze Peixes, através de Paulo Henriques Britto

July 17th, 2008 at 2:53 pm
Para sobreviver e prosperar só por fora.
July 17th, 2008 at 4:48 pm
Olá, Djabal! Como vai? Assim como no livro “Pontos de vista de um palhaço”, tb diria que gosto de gente, mas muito mais que de pessoas!!! ahahaha Um beijo,
July 17th, 2008 at 6:34 pm
Duas visões e duas dúvidas. Eu prefiro prosperar e amar as pessoas… mas só as amáveis. Com elas prosperar ficaria em segundo plano. Afinal sobreviver é estar ao lado dos amáveis e amados.
… É isso? hehe.
Beijo lindo!
July 17th, 2008 at 10:06 pm
Desculpe a má fase, mas por vezes passo a acreditar que “o inferno são os outros” como disse Sartre.
July 20th, 2008 at 11:23 am
Ainda bem!
Nos intervalos, o calafrio
CALA / FRIO ou o calor interno/
De nada vale - sempre no VALE viver para obter uma prosperidade que não seja para a apropriação de si, seus desejos, seus sonhos do sublime que há nos campos minados de sementes das mais diversas espécies.
Acolher!
Beijos
Saly
July 21st, 2008 at 7:54 pm
“Sou palhaço, designação oficial da atividade: artista cômico, não pago impostos clericais, e um de meus números se chama ‘Chegada e partida’, uma pantomima longa (quase demais) em que o espectador confunde a chegada e a partida até o último momento”… “Quando bêbado, nos espetáculos realizo movimentos imprecisos que só se justificam pela precisão, e então incorro no erro mais constrangedor que um palhaço pode cometer: rio de meus próprios deslizes. Uma humilhação terrível. Enquanto estou sóbrio meu medo do espetáculo vai crescendo e crescendo, até o momento em que entro no palco (na maioria das vezes tive que ser empurrado para lá), e se alguns críticos falam de ‘alegria reflexiva e crítica por trás da qual se ouve o coração bater’, isso no fundo não passa de frieza desesperada que faz de mim uma marionete; e é péssimo quando os fios rebentam e caio sobre mim mesmo”.
“Um palhaço, cujo efeito principal é a imobilidade do próprio rosto, tem que justamente manter a face muito flexível. Tempos atrás, queria me atrair para bem próximo antes de estabelecer o estranhamento e me afastar de novo de mim. Depois deixei isso de lado e me olhava no rosto, sem truque algum, até ficar todo ausente: como não nasci para narciso, algumas vezes quase endoideci. Simplesmente esquecia que era meu o rosto no espelho, então o virava ao contrário quando terminava o treino, e se mais tarde, ao longo do dia, por acaso passava em frente a um outro espelho, então me assustava ao ver-me: havia um estranho no meu banheiro, um estranho sobre o qual eu não sabia se era sério ou cômico… e então eu corria, tão rápido quanto possível, ao encontro de Marie, para ver-me no rosto dela”.
“Havia tanto carinho naquelas palavras que pensei ser o suficiente para uma vida toda”…
“Não era meu direito querer resgatar o instante… Não se podem repetir os instantes, partilhá-los também não”.
Estes são apenas alguns dos ‘instantes’ que me marcaram no livro ‘Pontos de vista de um palhaço’. Senti vontade de partilhar com você. Beijo
July 26th, 2008 at 12:36 am
Por estranho que pareça eu também gosto das criaturas que são parecidas comigo.