Aflição

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday July 17, 2008

 

“Por estranho que pareça, gosto das criaturas da mesma espécie que eu: gosto de gente, gosto das pessoas”.

 

Heinrich Böll in Pontos de Vista de um Palhaço, através de Paulo Soethe

“Pois eu sabia que, para sobreviver e prosperar, era importante não sentir nada por ninguém nem por coisa alguma, e eu sabia que queria sobreviver e prosperar”.

 

Richard Flanagan in O livro dos peixes de William Gould Romance em Doze Peixes, através de Paulo Henriques Britto

 

7 Responses to “Aflição”

  1. Renata Says:

    Para sobreviver e prosperar só por fora.

  2. Aline Says:

    Olá, Djabal! Como vai? Assim como no livro “Pontos de vista de um palhaço”, tb diria que gosto de gente, mas muito mais que de pessoas!!! ahahaha Um beijo,

  3. Dai Says:

    Duas visões e duas dúvidas. Eu prefiro prosperar e amar as pessoas… mas só as amáveis. Com elas prosperar ficaria em segundo plano. Afinal sobreviver é estar ao lado dos amáveis e amados.
    … É isso? hehe.
    Beijo lindo!

  4. Alexandre Kovacs Says:

    Desculpe a má fase, mas por vezes passo a acreditar que “o inferno são os outros” como disse Sartre.

  5. Saly Says:

    Ainda bem!
    Nos intervalos, o calafrio
    CALA / FRIO ou o calor interno/
    De nada vale - sempre no VALE viver para obter uma prosperidade que não seja para a apropriação de si, seus desejos, seus sonhos do sublime que há nos campos minados de sementes das mais diversas espécies.
    Acolher!
    Beijos
    Saly

  6. Cristina Sampaio Says:

    “Sou palhaço, designação oficial da atividade: artista cômico, não pago impostos clericais, e um de meus números se chama ‘Chegada e partida’, uma pantomima longa (quase demais) em que o espectador confunde a chegada e a partida até o último momento”… “Quando bêbado, nos espetáculos realizo movimentos imprecisos que só se justificam pela precisão, e então incorro no erro mais constrangedor que um palhaço pode cometer: rio de meus próprios deslizes. Uma humilhação terrível. Enquanto estou sóbrio meu medo do espetáculo vai crescendo e crescendo, até o momento em que entro no palco (na maioria das vezes tive que ser empurrado para lá), e se alguns críticos falam de ‘alegria reflexiva e crítica por trás da qual se ouve o coração bater’, isso no fundo não passa de frieza desesperada que faz de mim uma marionete; e é péssimo quando os fios rebentam e caio sobre mim mesmo”.

    “Um palhaço, cujo efeito principal é a imobilidade do próprio rosto, tem que justamente manter a face muito flexível. Tempos atrás, queria me atrair para bem próximo antes de estabelecer o estranhamento e me afastar de novo de mim. Depois deixei isso de lado e me olhava no rosto, sem truque algum, até ficar todo ausente: como não nasci para narciso, algumas vezes quase endoideci. Simplesmente esquecia que era meu o rosto no espelho, então o virava ao contrário quando terminava o treino, e se mais tarde, ao longo do dia, por acaso passava em frente a um outro espelho, então me assustava ao ver-me: havia um estranho no meu banheiro, um estranho sobre o qual eu não sabia se era sério ou cômico… e então eu corria, tão rápido quanto possível, ao encontro de Marie, para ver-me no rosto dela”.

    “Havia tanto carinho naquelas palavras que pensei ser o suficiente para uma vida toda”…

    “Não era meu direito querer resgatar o instante… Não se podem repetir os instantes, partilhá-los também não”.

    Estes são apenas alguns dos ‘instantes’ que me marcaram no livro ‘Pontos de vista de um palhaço’. Senti vontade de partilhar com você. Beijo

  7. DaniCast Says:

    Por estranho que pareça eu também gosto das criaturas que são parecidas comigo.

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