Mas eu cada vez me despreendo mais*.
“Senti-me, inquieto já. De repente, o silêncio deixara de respirar.
Súbito, de aço, um dia infinito estilhaçou-se. Agachei-me, animal, sobre a mesa, com as mãos garras inúteis sobre a tábua lisa. Uma luz sem alma entrara nos recantos e nas almas, e um som de montanha próxima desabara do alto, rasgando num grito sedas do abismo. Meu coração parou. Bateu-me a garganta. A minha consciência viu só um borrão de tinta num papel”.
Fernando Pessoa
“Mas no momento em que minha imaginação chega ao êxtase com suas criações mais fantásticas, ocorre uma pausa, um divino intervalo, a meio caminho entre o nada e a ressurgência da vida…
É o silêncio único, impossível de se encontrar, no apogeu de sua história, no topo da sua fertilidade, de onde nascerá o ruído do mundo”.
Danilo Kis
* Carta de Clarice Lispector de 10,18,1956


July 20th, 2008 at 11:14 am
Querido Djabal
De certa forma sabemos quem somos pela nossa filiação. Nem só de genética química-orgânica, mas, e especialmente das emoções e idéias que com outros e de outros se emana. Esses outros nossos, em nossas entranhas.
Beijos
Saly
July 21st, 2008 at 11:14 am
Eu queria mesmo ter escrito algo mais íntimo, com mais calor e dedicação. Sei lá, algumas palavras que traduzissem um dialeto que é etéreo, não fala, não escuta nem escreve… só sente, e sente por ti algo tão inimaginável, misto de admiração e vontade de trazer para dentro, aqui, onde bate o coração poético e tolo. Tolice querer inventar palavras, rebuscá-las para dizer do quanto te gosto. Mas enfim, achei aqui alguém que poderá falar por mim para ti, meu inqualificável companheiro de solidão, amado amigo de tudo. Meu irmão de mãos e lápis. Meu honorável e amado Erwin.
“Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convêm.
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis[...]”
[Carlos Drmmond de Andrade in A Rosa do Povo]
… e beijos!
July 21st, 2008 at 8:03 pm
Inquietações, silêncios, pausas… somente intervalos entre o nada e a ressurgência da vida. Que ela sempre ressurja. Abraço