Mas eu cada vez me despreendo mais*.
“Senti-me, inquieto já. De repente, o silêncio deixara de respirar.
Súbito, de aço, um dia infinito estilhaçou-se. Agachei-me, animal, sobre a mesa, com as mãos garras inúteis sobre a tábua lisa. Uma luz sem alma entrara nos recantos e nas almas, e um som de montanha próxima desabara do alto, rasgando num grito sedas do abismo. Meu coração parou. Bateu-me a garganta. A minha consciência viu só um borrão de tinta num papel”.
Fernando Pessoa
“Mas no momento em que minha imaginação chega ao êxtase com suas criações mais fantásticas, ocorre uma pausa, um divino intervalo, a meio caminho entre o nada e a ressurgência da vida…
É o silêncio único, impossível de se encontrar, no apogeu de sua história, no topo da sua fertilidade, de onde nascerá o ruído do mundo”.
Danilo Kis
* Carta de Clarice Lispector de 10,18,1956










