Anos de aprendizado…

scriptu em Penso? by Djabal Sunday January 28, 2007

Os anos de aprendizado de Wilhem Meister

Carta de Aprendizado

“Longa é a arte, breve a vida, difícil o juízo, fugaz a ocasião. Agir é fácil, difícil é pensar. Incômodo é agir de acordo com o pensamento. Todo começo é claro, os umbrais são o lugar da esperança. O jovem se assombra, a impressão o determina, ele aprende brincando, o sério o surpreende. A imitação nos é inata, mas o que se deve imitar não é fácil de reconhecer. Raras as vezes onde se encontra o excelente, mais raro ainda apreciá-lo. Atraem-nos a altura, não os degraus; com os olhos fixos no pico caminhamos de bom grado pela planície. Só uma parte da arte pode ser ensinada, e o artista a necessita por inteiro. Quem a conhece pela metade engana-se sempre e fala muito; quem a possui por inteiro, só pode agir, fala pouco ou tardiamente. Aqueles não têm segredos nem força; seu ensinamento é como pão cozido, que tem sabor e a sacia por um dia apenas; mas não se pode semear a farinha, e as sementes não devem ser moídas. As palavras são boas, mas não são o melhor. O melhor não se manifesta pelas palavras. O espírito, pelo qual agimos, é o que há de mais elevado. Só o espírito compreende e representa a ação. Ninguém sabe o que ele faz quando age com justiça; mas do injusto temos sempre consciência. Quem só atua por símbolos é um pedante, um hipócrita ou um embusteiro. Estes são numerosos e se sentem bem juntos. Sua verborragia afasta o discípulo e sua pertinaz mediocridade inquieta os melhores. O ensinamento do verdadeiro artista abre o espírito, pois onde faltam as palavras, fala a ação. O verdadeiro discípulo aprende a desenvolver do conhecido o desconhecido e aproxima-se do mestre.” Goethe, J.W.

Germânia

scriptu em Penso? by Djabal Sunday January 28, 2007

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À direita do mar suevo estende-se pela costa o povo dos éstios que, por seu costume e vestimentas assemelha-se muito aos dos suevos, e por sua língua aos bretões. Veneram a mãe dos deuses, e têm figuras de javalis como sinal de sua religião, que levam em lugar das armas para sua defesa e se apresentam no meio de seus inimigos, confiantes na devoção à sua deusa. Usam pouco o ferro e muito os cajados. Cultivam o trigo e outras espécies de grãos com muito mais cuidado e paciência do que é comum entre os germanos. São os únicos que buscam o âmbar – que chamam de gleso - nas praias e no fundo do mar. Como bárbaros que são não se preocupam em averiguar qual é sua natureza e como se forma.

Acreditam que o feminino possui algo de divinatório e de profético, pois não desprezam seus conselhos nem deixam de cumprir seus pedidos. No Templo de Vespasiano, vimos Velada ser honrada em muitos lugares como divindade. Em outros tempos veneraram Aurínia e muitas outras, mas não por adulação nem para divinizá-las.

Logo dão fim a seus lamentos e lágrimas, mas a dor e a tristeza permanecem durante muito tempo. É próprio e conveniente para as mulheres chorar e para os homens recordar.

P. Cornélio Tácito(c.55-120d.C.) - Germânia

O desejo.

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Sunday January 28, 2007

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Sentado à beira do dia-a-dia. Resolvendo os próprios e impróprios problemas afogando-se em números que crescem à medida que se referem ao necessário e miniaturizam-se no disponível.

Sentia um vazio tão grande, imenso como o saldo indisponível a seu dispor, e isso remexia lá dentro, provocando um não sei o que de falta, de escasso. Um negror inútil. Uma alba triste.

Uma vertigem ameaçadora, uma tentação insuportável de se deixar levar de roldão naquele caos incomensurável.

Como será apostar no caos e cair numa velocidade que mostra toda gravidade?

Quem sabe encontrará naquela infinda voragem a catapulta que joga contra a inércia?

Num instante tudo se despedaçou com a presença que inundou a sala. Um rosto fino, traços sutis, a boca imperceptível, com imaginários lábios, tudo imprevisível e impressionável apenas, não fosse o concreto da palidez do rosto e a cor dos cabelos.

Um verdadeiro Modigliani invadiu tudo.

Ofereceu-se tremulamente ao desejo ausente – desejo sábio que era o mesmo abissal com a redenção de volta - chamou-o para perto de si e sem coragem de pronunciar uma só palavra usou da língua para cuidar daquilo que sabia necessário cuidar.

A força da língua foi suficiente para a queda. E cuidou do prazer intenso que provocou e que serviu para alimentar sua alegria de estar viva e presente.

Oferecer o corpo frágil , redondo onde deve ser, fechar os olhos quando gostaria de os manterem abertos, e tremer por entre os dentes delicados e separados para mostrar espaço para se explorar e quartzo para ser retirado.

Eletrizou o ambiente puxou para perto de si tudo que lhe pertencia. O momento e a expansão das atitudes, do calor, do sangue percorrendo o corpo e se concentrando em suas extremidades, provocando grandes dores que prenunciavam grandes prazeres; tanto um como outro contidos, até que uma segunda feira próxima o suficiente para que acontecesse antes do final do mundo, segunda anunciadora da abertura da arca de Noé, onde apenas um casal de cada espécie permaneceria para assegurar continuidade.

Segunda feita de penetração. Segunda que sempre será melhor que a primeira pois novos caminhos serão abertos para a vida. Corpos enrolados, delirando de prazer.

Que se danem os números, que se danem os espaços. Um dia nos convenceremos que apenas com o imutável devemos nos preocupar. Eles são mutáveis.

O instante não o é. Viva muito. Aproveite. Goze e se libertará. O suor do seu corpo se transformará em prazer e atitude. Você se liquefará e ao se misturar naquele instante imutável do prazer e da atitude você se perpetuará.

O mistério da vida desenrola-se por alguns segundos que apagam todas as segundas, mostram todos os fios de um imaginário tapete que construímos ao decorrer dos minutos, horas, dias, séculos, milênios;e logo em seguida se contrai rapidamente, se enrola inteiro, desaparece sem deixar nenhum rastro ou sinal. Deixa apenas as marcas dos pés do bípede implume e todas as suas angústias que ficam ali, eternamente. Para todo o sempre, para perfeita visão dos seus semelhantes em tudo, exceto na sabedoria consagradora do instante.

Sabemos hoje que viemos da água. E eu posso apontar qual delas é a que nos dá lustro. Qual delas de fato é a verdadeira mãe. Qual será o um ou o zero.

Apontar é questão de sabedoria. Experimentar não.

WOMAN WITH BLACK CRAVAT - Amedeo Modigliani

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