Casa Vazia

scriptu em Penso? by Djabal Tuesday January 30, 2007

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Casa vazia é um filme completamente diferente. Aborda a questão da violência de uma maneira que nos prenderá a atenção ou nos afastará imediatamente.

É um costume nosso não ter muita paciência quando as coisas não acontecem logo após uma introdução. Um pano rápido que dá toda a visão do diretor do assunto que ele quer tratar.

Dessa forma ele passa a maior parte do tempo explicando a história sob aquele  ponto de vista com o qual começou o filme.

Assim a história vai se auto-explicando nas próprias atitudes dos atores. É muito intrigante a forma como  ele nos faz pensar no quanto a violência está entranhada em nós. Em nosso estilo de vida. Um cidadão que entra nas casas para consertá-la, para lavar alguma roupa em troca da comida que come e da cama em que dorme, gera uma reação que nos parece muito corriqueita. Certo. Mas a atitude dele é que nos faz pensar. O quanto vazio nós próprios somos.

Parece que o ator principal escolhe uma vida alternativa daquela que aparentemente vive.  E não se importa com o fato de quem ninguém, ou quase ninguém, comunga de seus pontos de vista.

Resta o sorriso. E o alerta para quem vê. Para quem têm olhos para ver.

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Desassossego

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Tuesday January 30, 2007

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Não consigo deixar de ler o livro do Desassossego. Até aonde consigo ver é mais alta celebração do pensamento. A soma de todas as possibilidades imaginadas: seus pensamentos que são sua literatura e arte. Imaginadas com perícia, pertinácia e tempo. E diante delas se chega à conclusão: Nada melhor que ficar à Rua dos Douradores, sem saber ao certo se pretende chegar ao cargo de contador chefe. Ele conseguiu ver toda a inutilidade do desejo. Saiu de dentro de si. Olhou para si mesmo sob outra perspectiva. Melhor dizendo sob várias perspectivas. Ocidental. Europeu. Conseguiu passear com esmero, pelo Médio Oriente, pelo Oriente distante, conseguiu explorar tantas possibilidades que ficamos atônitos. Sem sair do lugar. Encontrou outros mundos. Concretizou outras vidas.

No epicentro de toda nossa confusão cotidiana – na selva de caçadores que nos transformamos ao longo dos últimos mil e quinhentos anos  - ele representou algo parecido com o que fez Aristamos de Samos (c.310-230 a C) ao propor que a Terra e todos os demais planetas giravam em torno do Sol. Ele não conseguiu provar sua idéia. A não ser para alguns.

Continuou o ensinamento de outros com a mesma poesia e com outro idioma:

“…somos da mesma substância

De que são feitos os sonhos, e nossa curta vida

Acaba em sono.”

Se o paralelo for aceito. Todos o celebraremos condignamente daqui mil anos. Não estaremos aqui para saber, mas quem sabe a palavra estará?

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