A Cidade

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Monday February 26, 2007

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 Disseste “Irei à outra terra, irei a outro mar.

Uma outra cidade há de achar-se melhor que esta.

Cada esforço meu é uma condenação fatal;

e está meu coração - como morto - enterrado.

Meu espírito até quando ficará neste marasmo?

Para onde volte meu olhar, para qualquer lugar que atente

ruínas negras de minha vida vejo aqui,

onde tantos anos passei, e a destruí e arruinei.”

 

Novos lugares não encontrarás, não encontrarás outros mares.

A cidade te seguirá. Às mesmas ruas voltarás.

E nos mesmos bairros envelhecerás;

e nestas mesmas casas encanecerás.

Sempre a esta cidade chegarás. Quanto a outros lugares - não

[tenha esperança -

não há navio para ti, não há caminho.

Assim como destruíste tua vida aqui

neste pequeno recanto, em toda a terra arruinaste-a.

K. Kaváfis por Ísis Borges da Fonseca

You said, “I will go to another land, I will go to another sea.
Another city will be found, better than this.
Every effort of mine is condemned by fate;
and my heart is — like a corpse — buried.
How long in this wasteland will my mind remain.
Wherever I turn my eyes, wherever I may look
I see the black ruins of my life here,
where I spent so many years, and ruined and wasted.”

New lands you will not find, you will not find other seas.
The city will follow you. You will roam the same
streets. And you will age in the same neighborhoods;
in these same houses you will grow gray.
Always you will arrive in this city. To another land — do not hope –
there is no ship for you, there is no road.
As you have ruined your life here
in this little corner, you have destroyed it in the whole world.

Constantine P. Cavafy (1910)

O espelho que não podia dormir

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Monday February 26, 2007

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“Havia uma vez um espelho de mão que quando ficava sozinho e ninguém se via nele se sentia péssimo, como se não existisse, e talvez tivesse razão; porém os outros espelhos zombavam dele, e quando à noite os guardavam na mesma gaveta da penteadeira, dormiam profundamente, satisfeitos, indiferentes à preocupação do neurótico.

Augusto Monterroso, in A ovelha negra, por Millôr Fernandes

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