
Existem em minha alma uma grande diversidade de vozes, cada uma delas, fala de uma determinada maneira, tem um tom, um som e um momento determinado. Não conheço todas. Não conseguirei explicar qual delas os olhares despertam. Despertam uma voz extraordinária. Única. Exepcionalmente só. Um grito impulsionador de uma busca frenética da paz, que o olhar despertou da serenidade. Cada forma que utilizamos para nos comunicar é expressão de uma voz daquela alma; e a cada uma delas consigo entender, compreender, saber qual a finalidade, e ao entender me correspondo, encontro o equivalente dela em mim. E o olhar ? Que totalidade fascinante e incrível que ele possui. Ele desnuda inteiramente o ser. Consigo captar o significado de tudo que passa pelo outro ser. A clareza que o olhar proporciona é tanta que ofusca. Dizer que o olhar desperta em mim uma voz diferente, isolada e própria é dizer pouco e explicar nada. O olhar exige uma correspondência total, algo como a soma de todas as artes, a busca individual do belo, e o resumo de tudo que se passou e passará pelo meio daqueles seres num único instante; momento do entrecruzar dos olhares.O significado transcende em muito qualquer tipo de palavra ou expressão.
O isolamento que busco sempre, aberta ou veladamente, falando e brincando, é apenas a fuga constante daquele olhar reprovador projetado sobre mim. Aquele olhar de condenação, por alguma coisa que fiz, farei ou estou fazendo é tão pernicioso, que preciso fugir, deixar daquela simbiose que se torna parasitária e suga minha energia.
Penso que tanto Felisberto quando Bruno tiveram o talento necessário para fugir. Fugindo criaram uma conexão belíssima com seus seres inanimados.
E com essa fuga criaram algo que pode nos ajudar a entender melhor esse mundo. Mundo de regras inextrincáveis.
Fugiram para o alto. Um mais pessimista outro mais otimista. Mas muito alto subiram.