O gato e a borboleta

scriptu em Penso? by Djabal Friday March 9, 2007

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Sentado, observando  a natureza… (Será que um gato pediria à borboleta que ela se colocasse em seu lugar para resolver um problema, ou vice-versa? Para dar algum conselho? Será que apesar de não serem inimigos naturais,  ou amigos cordiais, eles aprenderam com o decorrer dos tempos, que cada um tem interesses incomunicáveis? Incomunicáveis por impossíveis de serem descritos em todos os seus pontos. Aprenderam que ambos são leves, ligeiros e silenciosos, mas se um é diáfano outro é concreto. Se um é pólen transfigurado  outro é peixe de bigode.) ….conclui que temos ainda muito a aprender  com ela.

Cristal Aperiódico Gigante.

scriptu em Penso? by Djabal Friday March 9, 2007

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 “Seriam necessárias cerca de duas mil páginas para mostrar a cadeia básica de uma única célula E.coli e cerca de um milhão de páginas para mostrar a cadeia básica do ADN de uma única célula humana.” in Gödel, Escher, Bach, de Douglas Hofstader. 

Como será possível descobrir o entrelaçamento do dialeto ladino com os retres romanos ou germânicos ou do Sacro Império Romano Germânico?Começo dizendo que a boa acolhida, a busca da tolerância entre todos os povos gera um florescimento indescritível da cultura, da economia, da técnica. Gera uma prosperidade imensa.O grotesco da história toda é apesar do descomunal desenvolvimento tecnológico que o homem alcançou, essa pequena verdade é impossível de ser colocada em prática, a não ser em determinados períodos. Pequenos períodos, frutíferos períodos, que logo, logo, se perdem nas noites dos tempos. Como se perdeu aquela presença, com a forma de um  lugar, aquele buraco na poltrona em que nosso pai moldou ao  se sentar para ler.Como se perdeu o ladino e se perdeu o iídiche.Idiomas ou dialetos próprios de um povo que num determinado momento, convivendo com outro se fundiu de uma maneira, que criou uma língua onde se expressou a fusão o seu passado com o presente.Devemos aos árabes o conhecimento sobre a  civilização grego-romana. Após a queima da Biblioteca de Alexandria, tudo que nos restava de memória escrita foi destruído. Originais de Aristóteles, de Platão, de Plotino, e de muitos outros se perderam.Vários foram os motivos. Várias as circunstâncias. Nenhuma explicável.Felizmente os povos árabes conseguiram avaliar a importância daqueles pensadores. Conseguiram imaginar a sua importância e originalidade. Fizeram a tradução para o árabe de tudo isso. Com competência, regularidade e curiosidade.Curiosidade que, felizmente, também é humana. Muito humana.Por obra e graça do Mediterrâneo os árabes carregaram isso consigo até a Espanha.A península Ibérica acolheu integralmente esse povo e o entrelaçamento entre as culturas se tornou algo diferente, algo totalmente peculiar. O Magreb (Ocidente) passou a ter o seu lugar na civilização árabe, até então totalmente voltada e ensimesmada no Oriente Médio e seu cotidiano.Desse acolhimento e dessa bonomia floresceu a cultura árabe. Cultura que se extraiu de uma força econômica considerável. A abundância dos árabes sempre foi compartilhada por seus primos-irmãos os judeus. Esses povos sempre se respeitaram e trabalhavam ombro a ombro.A abundância gera o ócio.O ócio produtivo se dá na indagação dos problemas do homem. E nos problemas do homem, o melhor a se fazer é buscar a experiência dos antepassados, própria do ócio.Ócio que poupa o esforço de se chegar ao mesmo resultado pensando.E não foi por mágica que somente quem conhecia o árabe, o grego e o espanhol, poderia fazer a leitura e tentar uma tradução daquele tesouro cultural.E os primos judeus que sempre se dedicaram à leitura e à reflexão se incumbiram de assim o fazer.E devemos esse resgate a essa época. Época de bonomia.Época de congraçamento, que foi considerada por todos aqueles que li e freqüentei como o apogeu da cultura árabe, o apogeu da cultura judaica. Apogeu que ainda não foi toldado por nenhum outro período. Gerou Avicena, Averrois, Maimônides e outros grandes que a memória e a ignorância não me faz repetir, como se isso pudesse provar algo a mais.Com as traduções e as tradições se forjou um idioma próprio o Ladino. Língua que homenageava a sociedade em que se vive, e não permite esquecer as tradições que a sua cultura legou.  Esse misto de hebraico, árabe e espanhol é, talvez, a maior prova da conciliação dos homens, do resultado de ser bem quisto, amado e respeitado. Os séculos forjaram comerciantes, cientistas, banqueiros, escritores, diplomatas, filósofos, árabes e judeus.Num determinado momento, momento de crise, de escassez, de expurgo, todos aqueles diferentes foram expulsos. Sem pão para repartir é muito difícil fazer prevalecer o bom senso.E os banqueiros, filósofos, comerciantes judeus foram expulsos para Milão, Florença, Veneza e Amsterdã. Levaram consigo sua língua. Levaram suas histórias e suas técnicas.E por mais que se tente ficar com o tesouro de alguém, não se consegue ficar com o ensinamento. E o cesteiro que faz um cesto fará um cento.Do norte da Europa e do norte da Itália, os judeus erraram até o Império Otomano. Encontraram casa e comida. Encontraram acolhimento.Contribuíram para o florescimento e crescimento daquele império. Tornaram-se além de tudo soldados, condes. E repetiram coletivamente a história de José e seus irmãos. Não tinham motivos para esquecer de sua língua e de suas histórias.Conheceram o café  e o exportaram para o Ocidente. Lutaram para conquistar os Bálcãs para Selim, o Magnífico, para Suleiman e  Saladino. Fundaram grandes comunidades na Romênia, Bulgária, Trácia e Romélia, assim afora. Falando o seu idioma. Conviveram intensamente com os restos do Grande Império Romano Germânico, que talvez existisse apenas num pedaço de papel. Para lembrança das glórias passadas e agora inexistentes.Império que gerou os retres. Retres que lutaram por cama e comida, para defender os príncipes germânicos contra os católicos espanhóis. Príncipes que adotaram Martinho Lutero como líder espiritual. Príncipes que descendiam dos godos e visigodos e que de sutil tinham apenas os cabelos e olhos claros, pouca experiência a vida havia dado. Experiência apenas como guerreiros.E quem sabe se esses guerreiros, retres, um dia tomaram conhecimento do ladino, falado por aqueles soldados? Quem sabe aqueles soldados descobriram por conta própria que a guerra não é natural do homem e é motivada por valores estranhos?Tomaram conhecimento duma nova língua, novos valores e nova cultura e passaram a dividi-la conjuntamente?Infelizmente só posso terminar a questão com perguntas.Por essas perguntas e esses entrelaçamentos é que fiz a epígrafe desse texto. Muito temos ainda que aprender para saber o quanto somos e sempre seremos ignorantes.O que vale e sempre valerá, indepentemente do conhecimento, é o otimismo.  

Odin (Votam), poesias édicas*

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday March 9, 2007

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“Eu acho que fiquei suspenso na árvore exposto ao vento,

Suspenso nela por nove noites inteiras;

Com a lança fui ferido e ofertado

A Odin,  eu próprio para mim mesmo.

Na árvore que ninguém jamais saberá

Que tipo de raiz se estende por baixo dela.

Ninguém me fez feliz com pão ou bebida,

E lá para baixo olhei;

Peguei as runas, gritando eu as peguei,

E de imediato cai de costas. 

Então comecei a prosperar e sabedoria obter,

Eu me fortalecera e bem eu estava;

Cada palavra levava-me a outra palavra,

Cada ação a outra ação.”

*De Eda, nome dado a duas compilações das tradições mitológicas e legendárias dos antigos povos escandinavos.Do  Codex Regius, na Biblioteca Real de Copenhague (c. 1300 d.C), escrito in Joseph Campbell, Mitologia Ocidental.

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