O menino e o elefante.

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday March 13, 2007

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Graças ao Mundo dos Livros descobri um fotógrafo que tem uma visão inteiramente diferente dos demais que conheci até agora. As imagens que puxaram a sua atenção são de uma força incompreensível. Elas exigem uma reflexão que é quase inesgotável. Arte por dizer algo diferente daquilo que até então se disse.O menino sentado e lendo diante de um elefante. A primeira reflexão que nos vem é a da inteligência vencendo a força bruta. O ouvir atento de uma aparente oração por um ser que pesa cinco ou seis toneladas dita por um outro, ínfimo. Ele miudinho vindo provavelmente de uma escola corânica (maktab ou madris) tem sua vida espiritual totalmente voltada ao estudo do livro sagrado. E é dele que tira a sua força, sua inteligência e compreensão do mundo. Conseguirá através de sua crença e da experiência dos seus, ensinar aquele que será seu companheiro de uma vida inteira a trabalhar com madeira, transportando toras e mais toras somando toneladas e toneladas ao longo de sua jornada. Transporte que fez e nutriu a vida de milhares de indivíduos que habitavam o sul da Índia (Madras) e que migraram para o golfo de Bengala ou para a Birmânia, apenas para citar um exemplo concreto. Ele descobrirá que seu amigo tem muitas emoções parecidas com as suas:  ciúmes, consideração, medo, respeito e a proteção contra tudo e todos. Soberano ensina ao menino muitas coisas da sua relação com o meio ambiente. Não é à toa: ele é o símbolo da África, por não haver nenhum animal que consiga vencê-lo numa disputa. O menino foi salvo do seu destino comum pela presença maciça desse belo animal,  evitou uma vida de exilado da Natureza.  As lições são verbais e não verbais, sendo mais importantes essas e não aquelas.  Após muitos e muitos anos de convívio, o último ensinamento e o mais importante se dá na hora da morte. O elefante  - de quem não se conhece o cemitério – ao sentir se aproximar o seu fim, simplesmente entra num lago, e se abandona dentro d’água. Sem nenhuma pompa ou circunstância. Ele se integra. Essa é a maior lição. Talvez algum anônimo antepassado tenha dado ao nosso renomado – Tamerlão – a idéia de colocar como seu epitáfio: “Feliz é aquele que renunciou ao mundo antes que o mundo renunciasse a ele”. 

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