Mariposa
Existem milhares de coisas que aparecem em nossa frente. Coisas que podem ser objetos, imagens, sons, fatos, reflexões, afinal uma lista interminável. E as pessoas são catalogadas por aquelas que escolheram num determinado momento na vida do outro, o outro que observa. E aquela imagem complexa, resultado de uma observação e uma escolha ficará para sempre. Ou até que alguma coisa muito radical, como outra escolha absolutamente diferente da primeira, ocorra. Somos um caleidoscópio imóvel. Cada escolha é como uma troca de posição. Tudo se transforma para o observador.
E por que estou escrevendo isso? Por essa foto aí de cima. Uma visão interior:
Não consegui até hoje fazer uma única escolha. Digo com relação às coisas materiais. Fiz milhares e não fiz nenhuma ao mesmo tempo. Todas são temporais. E o meu pensamento primeiro se apegou às coisas imateriais que poderia ser catalogada como espirituais atemporais. As coisas não ditas. Aquelas que são pensadas. Nada do que é escrito aqui tem qualquer valor que não o de despertar algum pensamento. Observar as escolhas que faço e imaginar o que elas lhes despertam. O nome dessa foto é Mariposa. E esse meu pensamento é o meu pensamento único. Ele exerce sobre mim aquela atração que o fogo e a luz exercem sobre ela - mariposa. E a atração é tão grande, tão exagerada, que ela acabara se fundindo com a luz. Se tornando paulatinamente vermelha, e - mais uma vez - se dissolvendo como se fogo fosse ela mesma. Integra-se à luz ou ao fogo. Essa é a minha escolha. A mesma atração que o piano exerceu sobre o Glenn Gould, a música sobre Mozart, a regência sobre Sergiu Celibidache, o infinito sobre Antonio Conselheiro.

