Grave ofensa mental: o não científico.

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Monday April 30, 2007

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Primo,

Além da saudade que me rodeia a cabeça toda vez que estou em paz, e da distância que me aflige por não poder vencê-la imediatamente, consegui uma forma de atender o carinho mútuo em forma de confissão e desabafo.

Ando escrevendo coisas, descrevendo sentimentos, contando histórias, compartilhando reflexões e sendo empurrado para, colocá-las em ordem de forma a serem impressas, participar de concursos, escrever um blog; fazer qualquer coisa, ora bolas.

Não consigo fazer nada disso.

Existe um teste para escritor ao qual me submeto todos os dias e não consigo ultrapassar. É o seguinte: contar uma história para as pessoas que passam, convidadas para um casamento. Fazê-las parar.

Ao passar naturalmente elas ouvem aquilo que estou contando, e o segredo da literatura é conseguir pará-las naturalmente, pela curiosidade que ela desperta, pelo interesse do assunto, e também pela imensa vontade de saber qual é o seu final, mesmo perdendo a festa em que já se ouvem as vozes, fogos e os brindes.

Que nada, homem.

Todos nós temos muitas coisas para pensar, muitas. E não temos tempo algum para ficar parados ouvindo alguém contando alguma história. Somente uns privilegiados o conseguiram.

Creio que é uma questão de destreza e inteligência. Ambas me foram negadas.

O assunto que nos faz parar para ver e ouvir hoje é em grande parte o científico, o técnico. Estamos sob uma intensa pressão. De todos os lados. Parece que, mais do nunca fomos condenados à forca, e a sentença será executada não se sabe quando, mas estamos certos de que o será muito rapidamente. “Temos que ter foco.” “Olha o foco.” “Não esqueça.”

Tenho dificuldades imensas para entender a mecânica quântica, a geometria espacial, mesmo sabendo  quanto representam para o alargamento do nosso entendimento. Como poderia chamar a sua atenção escrevendo sobre esses assuntos?

Um outro assunto que gera muita atenção é a abundância e os seus efeitos, usos e marcas.

Para falar de riqueza e investimentos deveria ser rico o suficiente para descrever a experiência. Mesmo assim, se todos nós compartilhássemos essa experiência todos seríamos ricos e poderosos também? Não creio que alguém parasse para ouvir a minha história.

Assim sendo adotei como percurso falar para as pessoas contando minhas histórias como se fossem outras. Para não me revelar, para não ser sentencioso.

Existe uma premissa nesse comportamento. Tratar a todos como se fossem estágios da minha vida. Portanto serviria para aqueles que estivessem num estágio anterior. E para aqueles que estavam num estágio além? Trataria de conversar aprender, deixar a minha ida ao casamento de lado para ouvir a história de alguém mais.

Refletindo sobre isso tudo acabei por concluir que estou falando ainda agora sobre a física clássica e a geometria analítica. Todos esses pontos de vista, são válidos apenas para mim sob as circunstâncias que eu enfrentei.

Para todos os outros é de pouca utilidade, a minha experiência não poderá ser repetida, jamais e em tempo algum. Essa hipótese jamais será confirmada ou refutada por ninguém.

Não consigo encontrar a mão certa, o ritmo adequado e mais de tudo a visão de horizonte que nos unirá.

Parece que atingimos como espécie uma era de fartura inesquecível, atingimos o fim da história, mas isso está distribuído de uma maneira absolutamente injusta e a reação dos excluídos, e todos somos de uma forma ou de outra, será de vingança. Todos vão - existindo ou não um velho marinheiro contador de histórias – ao casamento. E não irão apenas como convidados. Irão como cobradores.  

 

 

 

 

 

 

O sono tem menos falsidade.

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday April 27, 2007

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Ele era um homem bom,

Língua solta, sangue quente, atraente até, capaz de tomar posição,

Esperto, com sensibilidade pra sutilezas, amigo pra vida e pra morte,

Mulherengo,…chegado num jogo…bom de garfo e bom de copo,

Tinha descoberto que era febre…ficou deprimido no final…adoeceu…foi ajudado

por uma doação,

Morreu aos quarenta e um anos… e foi assim seu funeral.

Walt Withman, in Folhas de Relva, através de Rodrigo Garcia Lopez

Terceiro Estado

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday April 27, 2007

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“Agora chegava ao pensamento de que talvez se tratasse não de dois estados, e sim de três: sono, vigília e essa luz que o estava inundando por fora e por dentro desde que despertara nessa manhã. Por desejar um nome adequado definiu a luz para si mesmo: o Terceiro Estado. E sentiu que não era apenas uma questão de pura luz sobre as colinas, e que era sim a luz também fluindo realmente a partir das colinas e a partir dele próprio, e que justo na fusão daqueles raios de luz criava-se o Terceiro Estado, eqüidistante do estado de todo desperto e do sono mais profundo, e, no entanto, distinto de ambos. …

Todo o sofrimento, disse Fima a si mesmo, tudo o que é ridículo e obsceno, é mera conseqüência da perda do Terceiro Estado, ou daquela sensação vaga e onipresente que nos faz recordar, de tempos em tempos, que existe, fora e dentro, quase ao nosso alcance, algo fundamental para onde estamos sempre nos dirigindo, e sempre acabamos errando o caminho. Chamaram, e você não foi. Falaram, e você não ouviu. Abriram a porta, e você se atrasou porque sempre opta por satisfazer um ou outro capricho. “O mar do silêncio devora segredos”, mas você se preocupou com assuntos banais. Preferiu tentar impressionar alguém, que por sua vez também se perdeu porque preferiu impressionar um outro, que também… e assim por diante. “

Amós Oz, in Fima, atavés de Gege Schlsinger 

Carta ao filho

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday April 24, 2007

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  Hoje consegui um instantâneo mágico. Pela primeira vez registrei uma das suas insistentes batidas à porta.Calma, meu caro. Calma.Você está prestes a entrar no mundo que vive uma era de ansiedade e espanto. Devo avisar e preparar você para isso.

Existem aqueles que não conseguiram deixar uma descendência. Deliberadamente. Por pura razão, absoluta reflexão.

Seu pai, não. Buscou, preparou, lutou, amou, conseguiu, sentiu enfim.

Nenhum processo do pensamento indica que o mundo caminha para ser melhor, pior, nada assim. O critério não é esse. O mundo existe.O homem caminha para obter cada vez mais conhecimento. Esse é o fato.Ele pensa, pensa e pensa. Conseguimos em pouco tempo resolver muitos problemas antigos. A roda tem vinte e cinco mil anos, o arco e flecha quinze, o vinho cinco e o queijo dois. Doenças? Cada dia que passa mais e mais são curáveis ou risíveis.  Afligem-nos por um bom tempo, e passam. Como tudo. Outras virão, novas e mortais.

Recursos? Temos todos. Uns mais outros menos. Os mais cada vez mais, os menos cada vez menos. Mas existem. Estão aí. Sabemos produzir.Não nos falta nada. Temos capacidade de fazer todo o necessário para vivermos bem. Contudo não o fazemos.

Por quê?

Porque só pensamos. Só fazemos pensar na maior parte do nosso tempo. Inclusive seu pai. A função da razão é dividir, catalogar ou classificar. A função da emoção do sentimento é juntar, unir e fundir.Quero deixar para você o meu testemunho. Fique sabendo que ele é incompleto, inútil e talvez, desnecessário. Porque não o segui. Não sou um bom exemplo.

Mas servirá como um roteiro para seus passos. Não fomos feitos para o conhecimento e a compreensão, aquilo que devemos compreender é demais para nós. 

Você não precisar comprar nada para ser importante. Você não precisa se juntar aos bons para ser um deles. A comunidade tende a se perpetuar e para isso brutaliza as pessoas. Todos querem pertencer, quando não conseguem, cometem atrocidades indescritíveis.

Basta compreender que a vida deverá ser passada inteiramente com um sorriso nos lábios. Tenha consciência de que nada mudará, o mundo continuará sendo assim como sempre foi. A vida será muito monótona se você quiser obter bens. Se você conseguir encontrará o tédio. Se não encontrará a frustração.Encontre o seu equilíbrio com o sorriso nos lábios, honesto, franco, sincero.

Não como o que eu mostro. Eu apenas aprendi a sorrir. É quase uma reação involuntária. Não sei o que fazer? Sorrio. Mais nada. Instinto de defesa.Dentro de mim os sorrisos não são verdadeiros, eles escondem muita melancolia. Melancolia por uma importância que não possuo. Quero para você uma felicidade real, que é aquela em que o sorriso se volta para dentro. Apesar de você mostrar um rosto sério, por dentro você sempre estará sorrido. Vivendo a emoção de se conhecer. Do mesma idade do queijo é a frase: “Conhece-te a ti mesmo”.Infelizmente o processo de elaboração do queijo evoluiu mais que a emoção do autoconhecimento.Aprendemos a falar e não conseguimos nos comunicar. Saiba que a vida é um eterno diálogo. Pratique isso. Leve em consideração a opinião alheia. Pondere. Ela lhe servirá como uma ampliação da mente. A mente tem essa característica. Ela pode se expandir. Essa expansão não é transitória, ela é permanente. Fatal. Inequívoca.

Nenhum de nós fará alguma diferença enquanto o sorriso não se espalhar. Verdadeiro. Ainda não sei porque levei tanto tempo para compreender. Apesar de ter olhos para ver não vi. Apesar de ter ouvidos para escutar tampouco ouvi. Pensei. Essa é a questão. Pense de menos, sinta mais. 

 

Trazer a distância para perto: Pensamento

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Wednesday April 18, 2007

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 Casou muitas vezes. Passeou por muitos lugares. Acompanhava-se das mais variadas mulheres. Parecia birmanês quando acompanhado de uma chinesa; holandês quando acompanhado de uma alemã; ucraniano quando russa era a escolhida; espanhol se a eleita fosse portuguesa; sírio com libanesa; paraibano vivendo com cearense; carioca com paulistana. Atravessava todos os lugares, possuía cartões de ingresso para tudo e para todos; baseou sua vida na palavra, nunca precisou deixar nada por escrito.

Ao fazê-lo, complicou-se lamentavelmente e acabou ficando confinado por algum tempo, muito mais do que se confinara até então.

Via sempre fotografias, com elas se fixava num ponto e trazia para perto todos os lugares. Uma delas despertou sua memória para narrar uma história que foi o resumo mais completo de sua vida.

Almoçava num lugar público, abarrotado de gente. Uma multidão opressiva, apressada, falando alto, ele mal conseguia ouvir as doces – assim imaginava – palavras da sua convidada. Uma belíssima mulher, alta, com pescoço fino à Modigliani, magra e inteligente. Não sabia exatamente como desenvolver a conversa. E assim fez. Não a desenvolveu. Apenas ouviu. Ouviu todas as suas histórias. Conseguiu compreender o sentido geral de tudo. Sentia-se feliz. Ainda assim o ambiente o oprimia terrivelmente. O copo de vinho escolhido não o relaxou.

Chegada a sua vez de contar uma história, perguntou se ela não queria ir para um lugar mais sossegado. “Qual por exemplo?” Transpirando a desconfiança do seu olhar. “O cinema aqui ao lado.” “Ótima idéia, apesar de não podermos conversar.” “Vamos então?”

No caminho do cinema havia um banheiro. Aliás, haviam vários banheiros. Ele escolheu aquele reservado para os deficientes. Ele pediu ao responsável se podia usá-lo. E para isso teria que ter a companhia de sua namorada. O atendente ficou absolutamente atônito e, claro, permitiu o ingresso de ambos.

Só então ela compreendeu tudo e passaram a conversar. Conversaram, conversaram, como os animais irracionais também o fazem. Até que os corpos exaustos nada mais tendo para conversar foram à sala de projeção. Nada mais havia que conversar. Tudo foi falado. Bastava ver aquela película. Descobriu mais tarde que a câmara de segurança filmou tudo. Assim ele obteve os seus minutos de fama.

Estado Mental

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday April 12, 2007

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Sendo a vida essencialmente um estado mental, e tudo, quanto fazemos, que pensamos, válido para nós na proporção em que o pensamos válido, depende de nós a valorização. O sonhador é um emissor de notas, e as notas que emite correm na cidade do seu espírito do mesmo modo que as da realidade. Que me importa que o papel-moeda da minha alma nunca seja convertível em outro, se não há ouro nunca na alquimia factícia da vida? Depois de todos nós vem o dilúvio, mas é só depois de todos nós. Melhores, e mais felizes, os que, reconhecendo  a ficção de tudo, fazem o romance antes que ele lhes seja feito,e, como Maquiavel, vestem os trajes da corte para escrever bem em segredo.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares, através de Fernando Pessoa

São os dedos do sol quando te abraço…

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Wednesday April 11, 2007

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Pensava nos mistérios da poesia, nas quatro mil definições do amor, pensava sempre nas dificuldades que tinha ao analisar seus sentimentos, na sempre insistente tentativa de aplacá-los pelo envio ao armário de secos e molhados da sua experiência, pensava até mesmo na sensaboria que se tornava aos poucos sua vida.

 Pensava ainda mais, que de remendo em remendo, abandonava tudo que - definitivamente - importa, para somente se dedicar às coisas mesquinhas da vida, aos sentires egoístas, aos prazeres desenfreados que a amizade interesseira permite. Se dedicava a ouvir loas à inteligência, espertezas, matreirices, dinheirama, traições, safadezas, às vezes próprias , outras alheias, meras invenções de mentes doentes; que precisavam crer em tudo aquilo para ter força para atravessar um lago - raso o suficiente para permitir a travessia de uma formiguinha - que diante das incapacidades paralisadas pelas covardias, se apresentava como o novo Mar Vermelho, insubmisso diante do Profeta.

Pensava, pensava, abandonou tudo, jogou às favas .

Mandou para o diabo que carregue sua esperança.

Enganou-se, sim enganou-se numa fácil arte de se enganar. A arte de enganar a si mesmo. Cansou de tanto pensar, criou seu mundo. Isolado, só, definitivamente abandonou tudo e todos. A sua difícil arte foi a de fazer isso sem que ninguém, absolutamente ninguém o percebesse , cobrasse, exigisse, demandasse nada…..  

Enganou-se a si próprio, escondeu tudo, arranjou seus trapos, farrapos, remendos. Juntou seus cacos. Ordenou tudo, como sempre foi de seu comportamento. Uma completa e uniforme bagunça, claro, mas, perfeita, completa, e rigorosamente organizada. Deixou de lado tudo e todos, perplexos, tudo e todos. Menos ele, sempre olímpico, onírico, genioso tomado por genial, conseguia ver um horizonte nessa névoa. O mundo interior era, e é, muito rico, dentro de um submarino, sente-se protegido, pode sair para explorar, agasalha-se numa neoprene legal, se protege dos imprevistos da temperatura, nada o observa, você é o rei da natureza. Você se sente o rei da natureza, ainda que da sua natureza. O prazer sem compromisso da música é sua companheira…. 

Um dia um escrito.

Outro dia um olhar.

Outra vez um rosto.

Agora um corpo.

Finalmente um toque.

 Você não sabe dizer.

 Recusa outro sexo.

Quem bate à porta ?

 Será qual desconhecido?

 Você ainda não sabe dizer;

 Por que não tem a alma,

 Alma de um poeta,

 Poeta que lhe traduza ,

 Traduza o que significa

 Aquele toque que ficou

 ‘Gravado no teu peito como lanças’,

 Como seria bom sonetar,

Para saber falar que:

 aqueles dedos que tornaram seu rosto para outro lado,

“São os dedos do sol quando te abraço”.

 Como seria bom

Com a alma de poeta,

Poder dizer as palavras,

Que o coração sente,

Mais difícil que chorar ,

Mais difícil se emocionar,

Como seria bom ser poeta,

Para lhe dizer quanto o que sinto.

Obrigado Florbela,

Muito … Obrigado. 

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Wednesday April 11, 2007

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 ”185.Fé nascida da falta de fé: à medida que a fé em si próprio vai sendo destruída, fortalece-se a fé ardente na redenção, revigora-se a necessidade urgente de ser salvo. O redentor é tão poderoso quanto se é pequeno, nulo, insignificante. Henri Bergson diz: não é verdade que a fé mova montanhas. Ao contrário, a essência da fé a capacidade de não distinguir mais nada, nem mesmo montanhas movendo-se diante de nossos olhos. Uma espécie de tela hermética, totalmente imene aos fatos.

186.Na medida em que perdeu a auto-estima, sua razão de ser, o verdadeiro significado da vida, simultaneamente eleva-se, engrandece-se, glorifica-se e santifica-se a justificação do seu credo, sua nação, sua raça, do ideal que abraçou ou do movimento no qual jurou fidelidade.”

Amós Oz, através de Nancy Rozenchan in: A caixa preta

Sol

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Monday April 9, 2007

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 Se o Sol se põe em Ti

Que Dia é escuro para mim -

Que Distância - larga -

Se os Barcos posso ver enfim

Chegando - aqui e ali -

À tua Praia?

Emily Dickinson

 

Provisório

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Thursday April 5, 2007

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Essa foto foi denominada “Uma visão pré-histórica de Roma”. Imediatamente meu pensamento foi levado para muito tempo atrás. Não é uma visão pré. É uma visão atual. Todos somos provisórios. Apesar de queremos impor, mostrar, insinuar ou argumentar nossos pontos de vista, nossas vontades, nossas crenças, tudo é provisório. Não conseguimos nos comunicar com eficiência. Não conseguimos ver nada, a não ser microscopicamente. Num momento de arrebatamento, como essa linda foto proporcionou,  avaliamos a nossa vida, o nosso conhecimento, a nossa obra.  O máximo que conseguiremos ver é essa imagem refletida nos espelhos. Espelhos da nossa vida. De tudo que fizemos ao longo dos tempos é essa a imagem que ficará. Um flagrante aproximado do que foi a confecção  nosso tapete que é a nossa vida, pelo avesso. Esse foi o  nosso tempo nesse ermo lugar, a nossa viagem. Um lugar, uma saída, um destino e um retorno.  

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