Carta ao filho

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday April 24, 2007

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  Hoje consegui um instantâneo mágico. Pela primeira vez registrei uma das suas insistentes batidas à porta.Calma, meu caro. Calma.Você está prestes a entrar no mundo que vive uma era de ansiedade e espanto. Devo avisar e preparar você para isso.

Existem aqueles que não conseguiram deixar uma descendência. Deliberadamente. Por pura razão, absoluta reflexão.

Seu pai, não. Buscou, preparou, lutou, amou, conseguiu, sentiu enfim.

Nenhum processo do pensamento indica que o mundo caminha para ser melhor, pior, nada assim. O critério não é esse. O mundo existe.O homem caminha para obter cada vez mais conhecimento. Esse é o fato.Ele pensa, pensa e pensa. Conseguimos em pouco tempo resolver muitos problemas antigos. A roda tem vinte e cinco mil anos, o arco e flecha quinze, o vinho cinco e o queijo dois. Doenças? Cada dia que passa mais e mais são curáveis ou risíveis.  Afligem-nos por um bom tempo, e passam. Como tudo. Outras virão, novas e mortais.

Recursos? Temos todos. Uns mais outros menos. Os mais cada vez mais, os menos cada vez menos. Mas existem. Estão aí. Sabemos produzir.Não nos falta nada. Temos capacidade de fazer todo o necessário para vivermos bem. Contudo não o fazemos.

Por quê?

Porque só pensamos. Só fazemos pensar na maior parte do nosso tempo. Inclusive seu pai. A função da razão é dividir, catalogar ou classificar. A função da emoção do sentimento é juntar, unir e fundir.Quero deixar para você o meu testemunho. Fique sabendo que ele é incompleto, inútil e talvez, desnecessário. Porque não o segui. Não sou um bom exemplo.

Mas servirá como um roteiro para seus passos. Não fomos feitos para o conhecimento e a compreensão, aquilo que devemos compreender é demais para nós. 

Você não precisar comprar nada para ser importante. Você não precisa se juntar aos bons para ser um deles. A comunidade tende a se perpetuar e para isso brutaliza as pessoas. Todos querem pertencer, quando não conseguem, cometem atrocidades indescritíveis.

Basta compreender que a vida deverá ser passada inteiramente com um sorriso nos lábios. Tenha consciência de que nada mudará, o mundo continuará sendo assim como sempre foi. A vida será muito monótona se você quiser obter bens. Se você conseguir encontrará o tédio. Se não encontrará a frustração.Encontre o seu equilíbrio com o sorriso nos lábios, honesto, franco, sincero.

Não como o que eu mostro. Eu apenas aprendi a sorrir. É quase uma reação involuntária. Não sei o que fazer? Sorrio. Mais nada. Instinto de defesa.Dentro de mim os sorrisos não são verdadeiros, eles escondem muita melancolia. Melancolia por uma importância que não possuo. Quero para você uma felicidade real, que é aquela em que o sorriso se volta para dentro. Apesar de você mostrar um rosto sério, por dentro você sempre estará sorrido. Vivendo a emoção de se conhecer. Do mesma idade do queijo é a frase: “Conhece-te a ti mesmo”.Infelizmente o processo de elaboração do queijo evoluiu mais que a emoção do autoconhecimento.Aprendemos a falar e não conseguimos nos comunicar. Saiba que a vida é um eterno diálogo. Pratique isso. Leve em consideração a opinião alheia. Pondere. Ela lhe servirá como uma ampliação da mente. A mente tem essa característica. Ela pode se expandir. Essa expansão não é transitória, ela é permanente. Fatal. Inequívoca.

Nenhum de nós fará alguma diferença enquanto o sorriso não se espalhar. Verdadeiro. Ainda não sei porque levei tanto tempo para compreender. Apesar de ter olhos para ver não vi. Apesar de ter ouvidos para escutar tampouco ouvi. Pensei. Essa é a questão. Pense de menos, sinta mais. 

 

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