Roma

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday May 31, 2007

cedric-tanguy-autoportrait.jpg

 

Deve ser flexível, insinuante, dissimulado, impenetrável, constantemente servil, perfidamente sincero, sempre dando mostras de saber menos que sabe. Deve ter um único tom de voz, ser paciente, senhor de sua expressão fisionômica, frio como o gelo, quando em seu lugar um outro seria de fogo. E se tiver a infelicidade e não possuir a religião no coração, o que será natural naquele estado de ânimo, deverá então trazê-la no espírito, suportando em paz, se for um homem honesto, a tristeza de ver-se forçado a reconhecer-se um hipócrita. Se tal conduta o repugnar, é melhor deixar Roma e ir buscar a fortuna em qualquer outra parte.

Memórias por Giácomo Casanova de Seingalt, através de Caio Jardim

 

Alma digna

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday May 31, 2007

bildmacherinmelancholisch03-05.jpg

Toda alma digna de si própria deseja viver a vida em Extremo. Contentar-se com o que lhe dão é próprio dos escravos. Pedir mais é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos, porque toda a conquista…

Fernando Pessoa in Livro do Desassossego através de Bernardo Soares

Akershus

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Tuesday May 29, 2007

seccion-de-pintura-noruega-cbrynt.jpg

 

Linda essa foto; chamou a minha atenção. Não sei exatamente o porquê.  O sentimento funde o que o juízo separou. Será que a figura ligeiramente redonda? Será a companhia compulsória da mãe? Será a máscara para enfrentar o serviço religioso? Será o forçado personagem  ‘A árvore’ numa peça infantil? Será o pontiagudo do nariz? Ou o ambiente hostil, artificial em que foi nascido e criado?

Fazendo um balanço creio que cada um desses pontos poderá me ajudar numa classificação.

Menino gordo odiava quando me colocavam algum apelido. Fazia um esforço enorme para não revidar, intuía que revidando mostrava minha fraqueza, só com o tempo, longo tempo aprendi e depois senti que mostrar-se fraco é sinal de força. Tarde demais.

Sempre tive companhia, por ser considerado frágil e despreparado. A imponência e a segurança da mãe exerceram uma força dominadora tão grande que pouco restou para abertura de novos caminhos. Aprendi apenas com os acertos, não tive margem para erro. Hoje o caminho do erro é muito mais atraente e seguro. Porque estou só. Ninguém me ajuda a não errar. Sempre acertei e o resultado foi um grande erro.

A religião também compulsória como um casaco no inverno. É impossível alguém não ter religião. Tive-a. Por duas semanas. Até participar do café da manhã com  religiosos. Estava compungido e solene, levava essa questão com infinita seriedade, quando ouvi diversas anedotas, das mais grosseiras até as de forma e conteúdo impossível de se ourvir de alguém que temia. Perdi minha sublimidade naquele momento.

Aprendi com o teatro. Aprendi a nunca mais freqüentá-lo, após a minha fracassada tentativa de ser uma árvore numa peça infantil. Apesar da minha falta de talento para isso, fui compelido, para o bem da minha desenvoltura e participação social e ser uma árvore. Sem falas, não precisaria ficar ‘nervoso’. ‘Não iria me expor. ’ De fato, só assisti uma peça muuuitos anos depois. E conseguir resolver esse assunto.

O nariz sempre foi a minha arma. Voltada para todos, talvez tenha sido o responsável pelo aspecto cruel e determinado de quem nunca o foi, mas ficou com essa imagem. Ele é o responsável pelas ameaças que nunca fiz. E se as fiz foram fruto do medo. Absoluto.

Esse ambiente hostil e artificial, só foi amenizado pelo pai.

Dele proveio alguma humanidade. Numa forma incompreensível. Deixou-me cair e jamais fez alguma menção de se levantar para ajudar. E mais, impediu os demais de fazer algum movimento.

‘“Ele caiu; ele levanta.”.

Essa foi a minha floresta amazônica. Foi o fruto verde dos meus adultos anos. Com o passar do tempo fiquei maduro por fora e verde por dentro. Ainda uma imagem infantil chama a minha atenção. Melhor que o Gepeto. Da madeira que pegou e tornou humana, fui um humano que se tornou ao longo dos tempos, madeira. Madeira de lei. Inútil, mas de lei.

Ah, ia me esquecendo: o nome do post?  É algo muito próximo a nós todos: um condado na Noruega. Foi de lá que veio o vento frio que me moldou.

 

A maré

scriptu em Penso? by Djabal Monday May 28, 2007

01_timeless-guan-zeju.jpg

 

Continuo com minha maré. Continuo com a boa sorte. Não consegui ainda a passagem para Las Vegas. Até lá, continuarei a explorar o mais que puder todos os acasos, todas as coincidências que conseguir extrair. Elas me fazem bem, dão um sentido diferente, fazem uma inflexão dramática na monotonia da existência.

Estive conversando com a Paula a respeito do tempo, do seu controle, das diversas habilidades que temos que ter para usufruí-lo. Ou não. Pego para ler, “El Libro de Monelle”, de Marcel Schwob.

Esse é um escritor que me fascina. Ele sempre apresenta  as impressões que recebe da sua existência, no dizer de Jorge Luis Borges, ele foi um “maravilhado leitor”. Ele descreve suas impressões, nunca sabemos o que é real e o que é imaginário. Ele é como a vida, tem uma mensagem, que não sabemos exatamente qual é. Cada um de nós dá uma interpretação.

Concluiremos algo de suas idéias pelas biografias que escreve (Vidas Imaginárias), pelos temas que escolhe (Cruzada das Crianças), mas de certo, de absolutamente certo, ele tem o domínio sobre as palavras. Esse mecanismo incompreensível que nos faz escolher uma palavra ao invés de qualquer outra, palavra que ao ser lida é uma música para nossos ouvidos assim como uma munição para o nosso pensamento.

Pois é, soube de fonte certa que Sthendal lia diariamente o Código Civil para aprender a escrever, eu fiz outra escolha, cada vez que o faço, leio um pouco Marcel. Para diminuir o meu orgulho, praticar a humildade e admirar o seu ritmo.

Ele não é muito publicado em língua portuguesa, agradeço nesse cantinho ao Duda Machado e ao Milton Hatoum, responsáveis pelas traduções que conheci e li.

Peguei um livro traduzido para o espanhol por Jesús Munarriz, a quem fica aqui também o meu agradecimento.

Escreve sobre um grande amor de sua vida: Monelle. Descreve com a mesma emoção com que  Dante preencheu todos os espaços que não o foram pela Beatriz em Vida Nova. Consegui sentir isso.Com a mesma idealização, profundo amor e absoluto desamparo. Colocando tudo à disposição, mesmo sabendo da incerteza.

Jamais saberemos da sua amada , a não ser que foi além de jovem; bela, terna e prostituta. E é o suficiente. Comentou sobre tudo que ela lhe ensinou ao longo do tempo que passaram juntos.

O que me prendeu a atenção -  procuro voltar ao tema principal,  foi a sua preocupação  com o tempo, exatamente a mesma preocupação da Paula. E a nossa espiral ascendente e imaginária, que é a leitura,  tocou tangencialmente em nosso tema, para seguir adiante; eu pude apreciar esse momento de êxtase, mais uma vez.

Como rescaldo, ofereço:

“Para nosotros, todo deseo es nuevo y sólo deseamos el momento embustero; todo recuerdo es verdadero, y hemos renunciado a conocer la verdad.” 

 

Eros e Pó

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday May 25, 2007

luna.jpg

 

Possa eu, como eles composto

De Eros e Pó e assediado

Por negação e desespero,

Ser também iluminado.

 

W.H.Auden in 1 de setembro de 1939, através de João Moura Júnior

E aí?

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday May 25, 2007

saul-gm.jpg

“Num conhecido vôo mais que da imaginação, Coleridge refletiu sobre os sonhos e o dia seguinte. Imaginem que ” um homem passe pelo Paraíso num sonho e que uma flor lhe seja presenteada como garantia de que sua alma esteve de fato lá”. E se quando acordasse, ele encontrasse pétalas em sua mão? “E aí?”, pergunta-se Coleridge.

E aí?’

Geof Dyer, in “ioga para quem não está nem aí“, através de Sérgio Flaksman 

Peixe

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday May 22, 2007

seashells-and-pieceoflace.jpg

Para um leitor anárquico como eu, é muito difícil encontrar numa fiada só sem interrupção, uma série de lindos livros. Geralmente alternamos entre bons, maus, médios; pretensiosos, humildes e intermediários. Raramente deixo um livro pela metade. Muito raramente perco a esperança de um autor se encontrar no meio do caminho, ou mesmo que ele se perca no meio, sigo até o fim para encontrarmos o caminho conjuntamente. Assim a leitura que é sempre um prazer, num determinado instante se torna um dever cívico. Devo terminar, não é justo deixar o escritor no meio de sua caminhada. Não farei com ele o que não gosto que façam comigo.

É isso. Épico. Romântico.

Nesses últimos dias fui sendo invadido por uma boa onda, uma onda de otimismo, pelo fato de encontrar tanta gente me ajudando a desvendar coisas. Pessoas que enfrentavam problemas parecidos e davam respostas absurda e totalmente diferentes das minhas. Melhores.Por outro lado temos que levar em conta a coincidência, o destino, a conjugação; de tudo acontecer ao mesmo tempo. Algo ou alguém bate à sua porta. Chama sua atenção. Caem as escamas dos seus olhos, é invisível até que você veja.Devo prestar uma homenagem à Milorad Pavic (Pavicht) e ao seu dicionário Kazar. Esse dicionário foi resultado de uma busca. Busca do Mário Benedetti e a Trégua. Não o encontrei, naquele momento (ele estava lá, mas não o encontrei). Encontrei o Milorad. Imediatamente lembrei-me das crônicas e resenhas da época, que diziam muitas coisas sobre a sua obra, inclusive que possuía a versão masculina e feminina. Que ambas se completavam pela leitura diferente de um determinado trecho. Eu havia comprado ambas.Depois de Amós Oz, Evelyn Waugh, Marcel Schwob, Giorgio Manganelli, Farid ud-Din Attar, Bruce Chatwin e Erri de Luca, não sabia o que fazer  para  não comprometer o meu prazer.A leitura diária e matinal, que faço do Fernando Pessoa do Desassossego, como uma espécie de antídoto à melancolia que causa um livro desajustado a mim, estava sendo desnecessária nessas semanas todas. Resolvi deixar à critério da sorte. A frustração momentânea do Mário fez cair em minhas mãos o Milorad. E foi uma alegria incontida.

Um texto saboroso, inventivo, desde a estruturação até a leitura. As propostas são inovadoras. Ele é um professor de literatura que tem uma bagagem e uma maneira de contar histórias que prende você. De fato, parece que esse servo-croata tem mais de mil anos.

Essa história é uma continuação de outra que já publiquei, e talvez servirá para aplainar o meu entusiasmo e não aborrecê-los. Hoje estou visitando Istambul de Orhan Pamuk, e a sua cidade dá uma imagem de grandeza e decadência que nos é bela, belíssima. Uma cidade atravessada pelo Bósforo, uma ligação entre Ocidente e Oriente, que já foi cantada por muitos. E com essa visita felizmente não interrompi a minha seqüência da fortuna.

O meu próximo escrito deverá vir de Las Vegas, preparem-se.

 

115

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Monday May 21, 2007

elegance-santiago-garcia.jpg 

 

 

Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça apenas nos desconheça de mais perto que os outros. Eu assim talhei a minha vida, quase que sem pensar nisso, mas tanta arte instintiva pus em fazê-lo que para mim próprio me tornei uma não de todo clara e nítida individualidade minha.

 

Livro do Desassossego, por Bernardo Soares através de Fernando Pessoa

Do Palácio dos Sonhos ao Ar Enamorado

scriptu em Acaso Sinto?, Penso? by Djabal Thursday May 17, 2007

gregory-colbert-ashes-and-snow-iii.jpg 

 

 

 

Nunca fui de sonhar. Dormindo ao menos. Sonhei sempre acordado. Fui vítima de uma espécie de inversão. Enquanto dormia sonhava com problemas desagradáveis, com conflitos, com a rotina mortífera do trabalho. Com a estupidez que me cercava.

Portanto diante disso sempre acordei para sonhar. Sonhar com meus amigos, meus livros, sonhar com a compreensão entre as pessoas. Com a nossa origem comum. Em como fazer para juntar os pedaços dos humanos modernos que somos. Desregrados e despedaçados.

Esse poder do sonho, sempre foi utilizado com  muito cuidado para evitar acusações gratuitas de romantismo, ingenuidade, lirismo infantil ou bobeira mesmo. Venho de um ambiente que sempre valorizou muito as opiniões alheias e esse hábito ficou.

Ficou e foi se modificando, para uma surdez virtual. Passei a ouvir e não mais respeitar, hoje consigo praticar a audição muda.

Vejo apenas os movimentos dos lábios e aceno levemente com a cabeça, dando a impressão que concordo, quando apenas faço uma alusão como uma despedida.

Encontrei alguém que me mostrou claramente toda a extensão dos sonhos humanos, um novo e explicado lado dessa questão.

Os Khazares, povo que existiu por volta do século oitavo da nossa Era e viviam sob a hegemonia do sonho. Possuíam caçadores de sonhos, pois da soma de  cada sonho humano se formava a imagem integral do homem, conhecido como Adão, que foi decomposto em milhões de pedaços.

Cada sonho humano consiste numa peça de um gigantesco quebra-cabeça, que formará quando completo a imagem e o corpo do nosso ancestral comum.

E nos confins da velha Europa, existe alguém que reconheceu essa história como algo que contribuirá para a construção de uma nova espécie, mesmo que dois ou três mil anos depois. Quando o homem tiver olhos para ver.

Se por um lado fiquei tão feliz por reconhecer uma pessoa tão igual, com pensamentos tão parecidos, e com o mesmo tempero como ele mesmo diz: “Os atos na vida de uma pessoa são como alimentos e os pensamentos são como um tempero”.

De outro estava em débito com os meus semelhantes. Os meus sonhos eram como os narrados no Palácio dos Sonhos do Ismail Kadaré, sonhos angustiantes que davam material de análise para os funcionários. Funcionários cuja função era a de evitar rebeliões.

Isso ficou na minha cabeça por dois dias após o término da leitura. Pensava e pensava, lia e relia, encontrava outros pontos de contato, histórias como a adesão desse povo a uma nova religião. Ora eram os muçulmanos que apregoavam a sua sabedoria e teriam conseguido a adesão do povo Khazar, ora eram os cristãos que chamavam para si a responsabilidade da conversão, ora os judeus. Enfim, todos os povos queriam para si aquela herança, queriam transformar-se com aquele saber numa outra realidade.

Além dessa espinha dorsal que imagino, ser a principal do livro, menciono a quantidade praticamente inesgotável de histórias, parábolas, alegorias e metáforas, todas sem exceção belíssimas e que dão um recheio de plumas para aquele dicionário que funciona como uma fronha para os novos sonhos.

Nesta última segunda, após uma cansativa maratona de visitas, confabulações, tive a mesma rotina do sonho. Um vendedor tentava sob todas as formas me convencer a adquirir um carro antigo, pelo seu revolucionário combustível, possibilitando uma velocidade absolutamente incrível a despeito de tudo. Eu estava indiferente a tudo isso, por não ter nenhuma atração pela velocidade.

Deitado na beira de uma espécie de pista de corridas que lembrava o traçado de Interlagos de um lado e de outro lado ficava a represa. Entediado com a demonstração e a conversa, me virei para olhar para a água. E dela veio surgindo, uma grande massa de ar, não rarefeito, mas uma massa de ar que se parecia com uma nuvem imensa. Corpórea, rechonchuda vinha se aproximando de mim. Fiquei numa expectativa, numa dúvida sobre o que fazer?

Afinal de contas era apenas uma nuvem imensa, sair por que?

Não havia mesmo tempo para mais nada.

E ela se aproximou e me assaltou inteiramente. Respirei aquele ar gelado, não era rarefeito, possuía uma materialidade desconhecida que me dominou inteiramente. Essa sensação de euforia me dominou. Tudo mais desapareceu e fiquei ali respirando, me alimentando dessa imensa quantidade que não se podia medir e muito menos refletir, apenas aproveitando o momento. Para que eu ficasse inteiramente pleno e completo daquele combustível aéreo. Consegui neste momento compreender o significado integral de ‘Pó enamorado’ que veio das ruínas da Biblioteca de Alexandria. Tive o meu Ar enamorado que veio das ruínas do pensamento do povo Khazar.

Acordei num verdadeiro êxtase.

Imortalidade.

scriptu em Penso? by Djabal Tuesday May 15, 2007

mum-at-masham.jpg

Conversamos pouco nos últimos tempos. Paralelamente aumentava a minha culpa pela ausência. Pelo desconhecimento dos problemas cotidianos que nos afligem tanto e que podem ser resolvidos por um ouvido amigo.

Ouvido que nada pode fazer, mas exerce sua função de válvula de escape.

Mesmo sem conversar não descuidei de observar seu comportamento quando ele vinha à público, através dos seus escritos, artigos, desabafos e respostas. Nesse final de semana soube que sua mãe estava doente, mais que isso hospitalizada com um problema no coração. A maneira de compreender isso tudo não foi instantânea. Primeiro olhei a foto, e não compreendi direito a relação dela com a imortalidade. Logo abaixo vi a legenda. Depois dela o texto, além do texto a resposta que você deu ao Andy, falando de dor. Tudo isso me deixou absolutamente paralisado.

Tudo começou a cair sobre a minha cabeça. Passar o dia das mães no hospital, ao passo que passaria o meu almoçando com a minha?

Talvez esse apenas seja mais um motivo para não acreditar absolutamente em nada que não seja uma amizade. Daquelas profundas e que tenho cultivado ao longo de todos os meus anos.

O que é que posso fazer?

Em primeiro lugar pensei que não deveria fazer nada, apenas cuidar para que tudo corresse bem, não aumentar a dor exigindo respostas que não existem. Quando a sua atenção deveria estar exclusivamente voltada para sua mãe. Esse será o meu comportamento quando passar por um momento análogo.

Coloquei-me logo depois em seu lugar.

Quem sabe isso ajudaria um pouco para carregar o peso dessa carga?

Apesar  do alívio que a família dá nesse momento, jamais as diferenças são totalmente apagadas, sempre ficam as pegadas do passado. Nosso pensamento não pára. Eles atravessam os sentimentos e o que resulta, além desse texto, é mais dor, mais dor.

Dessa maneira resolvi que não iria ligar. Nada adiantaria.

Como ficar sem uma palavra amiga?

Como fazer para aliviar a minha dor, presente e futura?

Liguei num ato de egoísmo, apenas para lhe dar um beijo nessa ferida que se alastrou rapidamente pelo corpo todo. Para que eu pudesse também beijar minha mãe e esquecer de tudo o mais. Não sei consegui ajudá-la. Ajudei-me.

Hoje li que você comprou um cadeado, quebrou suas unhas trancando o seu galpão de pintura , numa atividade inútil diante de tudo o mais. Mais uma vez o cadeado.Fechado.Difícil de ser atingido.

Presa fácil para os ladrões, mas impossível para os outros.

Aqui estamos na segunda feira. Eu, feliz, por saber que sua mãe está ‘confortável’.

Sempre estarei ao seu lado.

 

22 queries. 0.492 seconds.
Powered by Wordpress
theme by evil.bert
modificado por DaniCast