A maré

scriptu em Penso? by Djabal Monday May 28, 2007

01_timeless-guan-zeju.jpg

 

Continuo com minha maré. Continuo com a boa sorte. Não consegui ainda a passagem para Las Vegas. Até lá, continuarei a explorar o mais que puder todos os acasos, todas as coincidências que conseguir extrair. Elas me fazem bem, dão um sentido diferente, fazem uma inflexão dramática na monotonia da existência.

Estive conversando com a Paula a respeito do tempo, do seu controle, das diversas habilidades que temos que ter para usufruí-lo. Ou não. Pego para ler, “El Libro de Monelle”, de Marcel Schwob.

Esse é um escritor que me fascina. Ele sempre apresenta  as impressões que recebe da sua existência, no dizer de Jorge Luis Borges, ele foi um “maravilhado leitor”. Ele descreve suas impressões, nunca sabemos o que é real e o que é imaginário. Ele é como a vida, tem uma mensagem, que não sabemos exatamente qual é. Cada um de nós dá uma interpretação.

Concluiremos algo de suas idéias pelas biografias que escreve (Vidas Imaginárias), pelos temas que escolhe (Cruzada das Crianças), mas de certo, de absolutamente certo, ele tem o domínio sobre as palavras. Esse mecanismo incompreensível que nos faz escolher uma palavra ao invés de qualquer outra, palavra que ao ser lida é uma música para nossos ouvidos assim como uma munição para o nosso pensamento.

Pois é, soube de fonte certa que Sthendal lia diariamente o Código Civil para aprender a escrever, eu fiz outra escolha, cada vez que o faço, leio um pouco Marcel. Para diminuir o meu orgulho, praticar a humildade e admirar o seu ritmo.

Ele não é muito publicado em língua portuguesa, agradeço nesse cantinho ao Duda Machado e ao Milton Hatoum, responsáveis pelas traduções que conheci e li.

Peguei um livro traduzido para o espanhol por Jesús Munarriz, a quem fica aqui também o meu agradecimento.

Escreve sobre um grande amor de sua vida: Monelle. Descreve com a mesma emoção com que  Dante preencheu todos os espaços que não o foram pela Beatriz em Vida Nova. Consegui sentir isso.Com a mesma idealização, profundo amor e absoluto desamparo. Colocando tudo à disposição, mesmo sabendo da incerteza.

Jamais saberemos da sua amada , a não ser que foi além de jovem; bela, terna e prostituta. E é o suficiente. Comentou sobre tudo que ela lhe ensinou ao longo do tempo que passaram juntos.

O que me prendeu a atenção -  procuro voltar ao tema principal,  foi a sua preocupação  com o tempo, exatamente a mesma preocupação da Paula. E a nossa espiral ascendente e imaginária, que é a leitura,  tocou tangencialmente em nosso tema, para seguir adiante; eu pude apreciar esse momento de êxtase, mais uma vez.

Como rescaldo, ofereço:

“Para nosotros, todo deseo es nuevo y sólo deseamos el momento embustero; todo recuerdo es verdadero, y hemos renunciado a conocer la verdad.” 

 

22 queries. 0.194 seconds.
Powered by Wordpress
theme by evil.bert
modificado por DaniCast