O passado

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday June 29, 2007

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“El passado se pone

su coraza de hierro

y tapa sus oídos

com algodón del viento.

nunca podrá arrancársele

un secreto.”

F. Garcia Lorca apresentado por Hilda Hist

Emoções descritíveis.

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Friday June 29, 2007

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„Se a água não se acumular suficientemente desde as profundezas, não terá forças para sustentar um grande barco. Despeje-se no chão, num vazio, uma taça d’água e pedacinhos de lixo navegarão ali como barcos. Mas ponha aí a taça e ela há de encalhar, pois a água é rasa e o barco, grande demais. Se o vento não se acumular desde as profundezas, não terá forças para sustentar grandes asas.“Chuang  Tzu (Viveu no tempo do Rei Hui (370-319a.C) de Liang e do Rei Hsüan(319-301a.C), de Ch’i) 

Olhei essa imagem de Anke Merzbach e ela não mais saiu da minha cabeça. Andei descrevendo meus êxtases. Ora dormindo, ora  acordado; eles ainda  não conseguiram encontrar a melhor ambiente para se expressar. Alerto que não possuo controle algum sobre eles.

O último que me lembro veio, veio de uma névoa fria, o de hoje veio de uma nuvem de vapor.  Saindo dela, lutando contra a falta de visão, percebendo que meu corpo se aliou a essa conspiração teimando em controlar meus movimentos, consegui distinguir uma música, um quarteto de cordas que tocava Mendelssohn. (op. Quarenta e quatro: número um e número dois)

Eles – autor e obra -  começaram a conversar comigo a respeito daquela imagem.

A música sobre mim sempre tem o efeito de despertar as emoções que estão acumuladas em meus vazios, despertar significa movimentar e ventar.

As cores são sombrias, a figura é paradoxal. Rosto jovem, barba branca. Olhar triste e brilhante. Nada é muito certo, muito definido. Parece um colecionador, um entomologista.

Um solitário que se encontra nu, peregrino exibindo sua emoção,  na altura do peito, voando desajeitada de um lado para o outro, nunca se fixou em nenhum lugar por muito tempo, para que pudesse sobreviver. Tomada pelo espanto do gesto de espanto. Pousou de lugar

em lugar. E se repetiu ao longo de sua vida  por não encontrar o uno. Aquele desejo ancestral de se reencontrar com o outro.

E o colecionador se transformou num poeta em si mesmo, aquele que cuida de entender seu semelhante e a si próprio, perdendo por isso mesmo toda a habilidade e a mestria em fazer alguma coisa outra. Tornou-se um ser esdrúxulo como todo poeta é; uma espécie de ornitorrinco com aparência de uma normalidade distante, etérea.

 

 

 

Dingo

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Wednesday June 27, 2007

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Wednesday morning at five o´clock as the day begins
Silently closing the bedroom door
Leaving the note that she hoped would say more
She goes downstairs to the kitchen
Clutching her handkerchief
Quietly turning the backdoor key
Stepping outside she is free

(Lennon&McCartney)

Também tive o meu rosebud, a meu monólito negro: meu tio Dingo. Um homem esquivo, soturno. Alto e magro marcado pela acne. Não ficaria surpreso se o descobrisse um mestre da Yôga.Tivemos uma, se assim se pode dizer, intensa convivência por um longo período. Uma pessoa extremamente instruída alimentava-se de frutos, folhas e sementes. Jamais comeu nenhuma carne de nenhum animal. Não pregava, entretanto. Apenas agia. Tinha uma espécie de bom humor sepultado. Não se extravasava, quem quisesse encontrar havia de navegar na superfície das suas histórias, dos seus apelidos - a única forma de transbordamento que conheci dele - , da sua delicadeza e extrema bondade.

Lembro-me das suas histórias. Ele foi o meu querido Manuelzão, veio das Minas Gerais de uma família de tropeiros e parou no interior de São Paulo. Trabalhou como escriturário

em todo Brasil.

Esteve em Manaus e de lá me deixou boquiaberto com a história do calor do lugar. O ar era tão abafado que poderíamos cortá-lo em fatias e servir com sorvete na sobremesa.

Contou-me também da pesca do peixe-boi. Uma prática cruel dos índios e caboclos, que ele narrava com repulsa e tristeza. “Esquentavam uma melancia e a jogavam no leito do rio, assim que abocanhada o peixe se virava de borco: morto.”

Uma maneira prática de retirá-lo da água, visto que seu peso poderia chegar até quinhentos quilos. Aliás, o que não era raro, comum até. Entonava a história com tanto horror que ela ficou vívida impregnada em minha consciência.

Hoje tenho notícia de que os sobreviventes desse mamífero já têm nome e sobrenome e nascem no cativeiro.

Contou-me histórias do nosso folclore, conheci por ele a história do saci, recontada mais tarde pelo Monteiro Lobato, admirava-me pela sua alimentação. Comia cevada, lúpulo, levedo. Experimentei várias vezes o seu preparado – hoje já sei que comia cerveja sólida – mas na época o sabor era-me intragável e provei por respeito e admiração.

Jamais falou de sua vida. Jamais. Foi um enigma bondoso. Chamava minha irmã de pixoxó. Foi meu primeiro pássaro. Até então minha atenção jamais havia se prendido a nenhum. Tenho certeza que se daria muito bem com Fernando Pessoa, talvez se alguém encontrasse seus cadernos, ele poderia estar entre nós. Encontrou a Rua dos Douradores em Manaus, talvez Araçoiaba da Serra, não sei. A frase que cotidianamente vem a mim:

“Dar a alguém os bons-dias por vezes intimida-me. Seca-se-me a voz, como se houvesse uma audácia estranha em ter essas palavras em voz alta. É uma espécie de pudor de existir – não tem outro nome!”(F.Pessoa)

Se fosse dita por ele não me causaria nenhuma surpresa.Filho último de oito irmãos vagueou pelo mundo afora, sem nunca ter conhecido ninguém. Viveu com seus familiares por períodos alternados. Sempre que a convivência chegava perto demais ele se mudava. Ele dava seu carinho dessa forma, vivendo junto, combinando os calores mútuos, o afeto sutil da convivência com os seus. Assim que o carinho se transmutava em invasão e curiosidade; mudava o emprego e a cidade e pronto. Lá se ia embora.Deixou em mim uma saudade e um enigma. Às vezes tenho comportamentos parecidos com os dele, e ele volta. Hoje pela manhã encontrei-o novamente, através da Hilda Hist, que contava a história daquele velhote - Seu Vitinho - marido de da. Santinha, que havia lido mil e duzentos livros e chegara à conclusão de que isso não servia de nada. Foi embora nu, montado em seu burro ao encontro de Deus.

A primeira música que ouvi também falou de alguém que se foi. Acredito que são muitos os sinais que ele envia para deixar tudo no branco das nuvens.

Deixo aqui registrado um meu fragmento. Fragmento que tem dono.

  

Lobo

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Tuesday June 26, 2007

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Tenho dificuldades em dizer o que fui, o que sou.

Um escritor antigo contou que apenas uma simples gota caída do maior recipiente nos serviria para identificar todo conteúdo.

No Egito o meu nome - Maat - é o princípio que se personificava na verdade ou ordem justa, representado por uma deusa-vaca Hátor,  que julgava os mortos  cujo símbolo é uma pluma.

Ouvi que antigamente o ego com sua consciência de si  era menos preciso; era aberto e recebia do passado muitas informações e sua repetição o renovava continuamente.

De fato, sempre fui um solitário. Esquivo. Exilado.Tachado de lobo, eu me escolheria como cebola.Sempre tratei bem as pessoas, indiferente à condição social, sexual ou pessoal. Sempre tratei bem quem me tratava bem, tratei mal quem me tratava mal. Mais tarde aprendi que deveria tratar bem a todos, sem qualquer distinção esquecendo-me da reciprocidade. Compreendi que isso era o melhor a se fazer. Pois não é que dessa maneira, tratar bem, fui tachado de ser um lobo?

Confesso minha libido, assim como você deverá confessar a sua. Cada um a exerce de uma forma ou de outra. Quando vivemos no meio de milhões de pessoas aquelas que saem do padrão são amarradas à força no totem do lugar comum. Sei não. Essa explicação é tão inválida quanto outra qualquer, é apenas a minha tentativa de lembrar o quanto de pelo de lobo andei deixando por aí.O mais interessante dos meus apelidos foi: deus. Aquele capaz de tudo, de trazer o final dos mundos para os dias atuais, de salvar alguém da morte, ou mesmo condenar alguém. O pai vingador? 

A humanidade lida muito mal com a segurança. Todos gostariam de tê-las, e atacam aquele que a exibe. Ao argumento da minha infalibilidade ou do meu caráter vulpino tenho como resposta a seguinte:Esse é o imenso desejo da grande maioria das pessoas.

 A construção de nossa imagem não depende  de nós, depende das expectativas que os outros têm. E essa é – no meu caso -  ruim. Jamais alguém acreditará que se pode querer ajudar, ou ter atenção  ao semelhante.Temos uma civilização baseada na raiva, na ira e no conflito. Esse conflito surdo, silencioso, me atinge muito profundamente. Paguei vários preços, em diversas cotações, sempre ascendente,  todos os anos da minha vida.

Posso me apresentar confessando-me, portanto, como cebola. Uma bela, redonda, descabelada e castanha cebola. Para se compreender a sua perfeita natureza, não se deve usar a força ou a faca. Quando isso acontece ela sempre nos avisa, fazendo-nos chorar. Deve-se usar a mão. Descascá-la é o melhor manuseio. Ela facilmente se dobrará ao gosto do manipulador. Misturada  ao gosto do alimento deixará o seu toque de acidez e doçura, quanto mais fria estiver menos ácida se apresentará.  

Esse é um segredo dos antigos construtores de pirâmides, grandes comedores de cebolas; cujo prêmio ao longo de toda a sua vida foi o de carregar as pedras que dispostas de uma certa maneira simbolizaram o mais alto sonho da humanidade de então.

Entre o lobo, a pluma e a cebola, escolherei ficar com os todos. Agora numa confissão sem tortura. Lobo consagrado pelos de hoje; outra consagrada pela deusa que fez sua escolha da pluma que é a mesma da escrita. Escrita que jamais contará a verdade, quanto muito, roçará a verdade levemente, muito levemente, esperando que estejamos preparados para vislumbrá-la. Fugaz. Fugax. Fugace.

Por último e por minha escolha pessoal, com suas camadas finas, com um pequeno núcleo sempre desprezado, por sua aparente simplicidade e grande complexidade, lembrando que se prefere jogá-la ao óleo fervente para amansar seu sabor e finalmente, prestando uma homenagem àqueles que consumidos pelo sonhos dos senhores dedicaram sua vida anônima ao desconhecido. A sua mensagem foi recebida por mim e através procurarei renová-la,  fazendo uma espiral ascendente. 

Espiral que através do arabesco da pluma de um lobo, ascendeu numa cebola.

Naturalizar-se diferente.

scriptu em Penso? by Djabal Thursday June 21, 2007

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A recordação de certa imagem não é senão saudade de certo instante; e as casas, os caminhos, as avenidas são fugitivos, infelizmente, como os anos.

Marcel Proust

 

Passei um final de semana com um primo. Um grande sujeito, amigo, íntimo. Alguém cuja conversa é uma coisa intimista. Como conversar com seu duplo. Um diálogo interior com dois protagonistas exteriores.

Visitamos as fotos dos nossos antepassados, descobrimos coincidências inexplicáveis, pessoas parecidas com ancestrais, depois de uma ou duas gerações. Quando você menos espera aparece um tataravô na imagem do seu filho.

Descobri uma solução para um sobrinho que não consegue se encontrar numa faculdade do mais puro direito que o está deixando no mais certo torto da cabeça e ruim da espinha.

Encontrei o meu bisavô  fugindo da França no tempo de Catarina de Médicis, exilado da guerra religiosa entre hugenotes (Valois) e os papistas (Bourbons); chegando em Holanda cheio medo das represálias, ao casar adotou o nome da esposa. Jasper era um sobrenome flagrantemente protestante, ao contrário do dela. Conhecendo-o como o conheço, sei que ele se apaixonou profundamente e esqueceu que o país ainda pertencia ao Carlos V, rei católico.

Um outro veio da Escandinávia e ficou pela Hamburgo de então. Descendentes de bons ladrões. Uma espécie de cópia do Robin Hood, que fazia as mesmas estrepolias na Alemanha. Parece que existia uma tendência de denominar de bom qualquer pessoa que roubava; porque furtar é só de quem tem, e quem tem é mau,  tamanha era a miséria. Felizmente, hoje a coisa está totalmente diferente. Ainda bem.

De todas as histórias, verídicas ou não,  consegui observar a parte mais próxima da grande caminhada humana; a minha. Consegui rastrear os caminhos daquele lado.

De diferentes locais acabaram se concentrando na região de Hamburgo. Com uma característica comum. Todos ligados à musica.

Um deles formou um Coral e continuou cantando e regendo até a idade de noventa anos. Sua filha seguiu a mesma carreira de cantora de coral até o final da vida; assim como sua neta; todas com grande voz e talento.

Tanto eu quanto minha irmã somos músicos frustrados por diversos motivos.

E dessa conversa surgiu a minha idéia. Por que não sugerir que o meu sobrinho mandasse às favas o seu direito e fosse se divertir. Se divertir usando a música como motivação da sua vida.

Conversei com ele hoje e ouvi:

- Nossa! Você está fazendo curso de cigana e fazendo prática de leitura de mentes?

Apesar de vivermos no mesmo lugar, será que conseguiremos pensar nossas emoções, emocionar com os nossos pensamentos, fazer despertar os velhos sabores e saberes que ficaram acumulados em nós?

Transmitir toda nossa herança para aqueles que nos substituirão viverem melhores e felizes.

Conseguiremos evitar que o nosso cheque em branco emitido pelo otimismo, seja preenchido por um pessimista?

 

Aprovar

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Wednesday June 20, 2007

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“Eu nunca aprovo, seja lá o que for, e muito menos desaprovo. É tomar-se na vida uma atitude absurda. Nós não fomos postos no  mundo para combater os nossos prejuízos morais.”

Oscar Fingall O’Flahertie Wills Wilde in Retrato de Dorian Gray através de João do Rio (Paulo Barreto)

Caminho

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Tuesday June 19, 2007

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nave

ave

moinho

e tudo mais serei

para que seja leve

meu passo

em vosso caminho.

Hilda Hist in Trovas de muito amor para um amado senhor.

Sakura

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Tuesday June 19, 2007

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Repudiei sempre que me compreendessem. Ser compreendido é prostituir-se. Prefiro ser tomado a sério como o que não sou, ignorado humanamente, com decência e naturalidade.

Fernando Pessoa in Livro do Desassossego através de Bernardo Soares

Bloomsday ou Bloom Blogsday

scriptu em Penso? by Djabal Saturday June 16, 2007

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Nariz de cera:

Para cada um de nós existe um James Joyce.  Imagino que era isso que ele pensava, almejava e fez. Foi um amante apaixonadíssimo. Por uma mulher que tirou de dentro dele tudo de bom e de mau que ele possuía. Deu com o maior prazer e deixou seu legado para todos nós; essa doação.

Abaixo transcrevo opiniões de um leitor apaixonado e dele mesmo para comprovar, numa tentativa inútil e tola,  os pontos que descrevi. Pouco. Mas é tudo que deve ser lembrado hoje, que é seu dia. 

De Ricardo Piglia, in “O ùltimo Leitor Joyce vai mais longe que todos os outros na ilusão de escrever com uma língua própria. Nessa linha, descreve um duplo movimento: ao mesmo tempo que abole as conexões e cifra o sentido, tende a dissolver a figura do narrador, que é quem estabelece os nexos e a continuidade. Poderíamos afirmar que Joyce remete ao leitor a função ordenada do narrador. Um leitor inspirado, que sabe mais que o narrador e que é capaz de decifrar todos os sentidos – um leitor perfeito.

 Do inteiro James Joyce,  pedaços  interesseiros extraídos  por mim: 

 Quem era ele? “Na primavera gostaria de um homem novo todos os anos.”  Nos dê uma imagem da mulher.  “Que especiais afinidades lhe parecia haver entre a lua e a mulher?A sua antigüidade em preceder e sobreviver a sucessivas gerações telúricas: o seu predomínio noturno: a sua dependência satélita: a sua reflexão luminar: a sua constância sob todas as fases, levantando-se e pondo-se a horas fixas, crescendo e minguando: a forçosa invariabilidade do seu aspecto: a sua resposta indeterminada a interrogação não afirmativa: o seu poder sobre as águas fluentes e refluentes: a sua capacidade de apaixonar, de mortificar, de revestir de beleza, de enlouquecer, de incitar e de ajudar a deliquência: a tranqüila inescrutabilidade do seu rosto: a terribilidade da  sua proximidade isolada dominante implacável resplandecente: os seus presságios de tempestade e de calma: o estímulo da sua luz, o seu movimento e a sua presença: a admonição das suas crateras, dos seus áridos mares, do seu silêncio: o seu esplendor, quando visível, a sua atração quando invisível.” E sobre a ciência, o conhecimento e a vida?  “O instinto é que governa o mundo.  Na vida. Na morte.” Como se conhece o seu semelhante? 

“Vê-se sempre o lado fraco de um fulano pela própria mulher.”  E sobre a nossa originalidade e do nosso caráter único na natureza?

 “Ao pensar que cada um que entra imagina que é o primeiro que entra ao passo que não é sempre mais do que o último termo da série precedente, até se é o primeiro da seguinte julga cada um que é o primeiro, só e único, ao passo que não é o primeiro nem o último, nem ele só, nem o único, numa série que em si se origina e que até ao infinito se reproduz.” 

 E a arte, como ela poderá nos ajudar?   A arte tem de nos revelar idéias, essências espirituais sem forma. A suprema questão sobre uma obra de arte é saber  qual a profundidade de vida de onde emerge” 

Paradoxo

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday June 15, 2007

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Trata-se de um paradoxo?

Não o creio. É possível, mas o caminho do paradoxo é o da verdade. Para experimentar a realidade é preciso vê-la na corda bamba. Quando as verdades se fazem acrobatas, então podemos julgá-las.

 

Oscar Fingall O’Flahertie Wills Wilde in Retrato de Dorian Gray através de João do Rio (Paulo Barreto)

 

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