Não existe uma resposta

Não fiz da reclusão algo refletido como uma alternativa para os meus problemas, coisa, solução para a angústia.Foi algo assim: Tudo que eu vira até então permitia que eu tirasse a conclusão daquilo que viria e não seria melhor ou pior, seria a repetição indefinida; prévia de um filme que é repetitivo, monótono.
Parti para o aprimoramento do meu interior, virei a luneta para o meu interior, escolhi o objetivo a ser analisado pelo microscópio, busquei uma minha via láctea, e parei com o temporal.
Parei com o efêmero, parei com o mortal.
Busco a imortalidade das coisas, busco tudo aquilo que não se desvanecerá num piscar de olhos, na ponta de um avião ou numa das palavras do chamado ‘povos dos livros’. Essa foto exprime absolutamente tudo isso. Aquela organização que gostaria de ter na mente. Um ideal inatingível.
Uma ocasião, falaram-me da minha falta de experiência, da minha estúpida reação diante de determinadas coisas singelas, corriqueiras, banais, e fiquei eu estupefato com a constatação, com a certeira flecha que se endereçou à minha barricada.
De fato, sou absolutamente inexperiente nas relações humanas, talvez por isso tenha sentido tanta repulsa, tanta ingratidão e tanta injustiça.
Se fosse russo, alemão, árabe ou judeu, legítimos, talvez teria outra reação, talvez fosse um terrorista, talvez fosse um assassino demente, ou alguém que por alguma atitude desse vazão à força imensa que tem dentro de si.Ou simplesmente um escritor que canalizou a sua sensibilidade tremenda numa carta ao pai, numa obra fantástica, inaugural, explosiva, com a força de mil ogivas nucleares.É pena que essa bomba é destinada aos poucos que tomam a letra e a palavra como bússolas.A maioria, a grande maioria, toma outros pontos cardeais.
Sou tão estúpido, não faço idéia do quanto.
O quanto ficar em casa, sonhando, imaginando-me isso ou aquilo outro, basta-me.O quanto de solidariedade existe dentro do meu ser, e não consigo demonstrar isso.Cansado de lutar, fiz o meu papel de executivo, de tirar aquilo que as pessoas tem dentro de si para com isso dar andamento à vida, e descobri o imenso vazio que a existência em comum proporciona à alma.Quanto o convívio é estupefaciente, entorpecedor e aflige a minha alma essa convivência.Não me isolei, fui expulso, e quando consigo encontrar algo próximo a uma alma, a uma sensibilidade em que eu possa falar e ser compreendido e não repelido, busco preservar, e me agarro como uma ostra numa pedra, agarro-me àquilo que me salvará do vácuo.Tenho uma mentalidade vitoriana, inflexível que me pune sempre, não perdoa jamais todos os deslizes, todos os sofrimentos que provoquei.Escrevi várias vezes que nasci no século passado ou retrasado, sou um produto híbrido, não conseguirei jamais me livrar dessa herança romântica…
Fui expulso do paraíso, por ter comido a maçã.
O paraíso é formado pelos livros e lá não existirá jamais uma maçã.