O passado

“El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
com algodón del viento.
nunca podrá arrancársele
un secreto.”
F. Garcia Lorca apresentado por Hilda Hist

“El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
com algodón del viento.
nunca podrá arrancársele
un secreto.”
F. Garcia Lorca apresentado por Hilda Hist

„Se a água não se acumular suficientemente desde as profundezas, não terá forças para sustentar um grande barco. Despeje-se no chão, num vazio, uma taça d’água e pedacinhos de lixo navegarão ali como barcos. Mas ponha aí a taça e ela há de encalhar, pois a água é rasa e o barco, grande demais. Se o vento não se acumular desde as profundezas, não terá forças para sustentar grandes asas.“Chuang Tzu (Viveu no tempo do Rei Hui (370-319a.C) de Liang e do Rei Hsüan(319-301a.C), de Ch’i)
Olhei essa imagem de Anke Merzbach e ela não mais saiu da minha cabeça. Andei descrevendo meus êxtases. Ora dormindo, ora acordado; eles ainda não conseguiram encontrar a melhor ambiente para se expressar. Alerto que não possuo controle algum sobre eles.
O último que me lembro veio, veio de uma névoa fria, o de hoje veio de uma nuvem de vapor. Saindo dela, lutando contra a falta de visão, percebendo que meu corpo se aliou a essa conspiração teimando em controlar meus movimentos, consegui distinguir uma música, um quarteto de cordas que tocava Mendelssohn. (op. Quarenta e quatro: número um e número dois)
Eles – autor e obra - começaram a conversar comigo a respeito daquela imagem.
A música sobre mim sempre tem o efeito de despertar as emoções que estão acumuladas em meus vazios, despertar significa movimentar e ventar.
As cores são sombrias, a figura é paradoxal. Rosto jovem, barba branca. Olhar triste e brilhante. Nada é muito certo, muito definido. Parece um colecionador, um entomologista.
Um solitário que se encontra nu, peregrino exibindo sua emoção, na altura do peito, voando desajeitada de um lado para o outro, nunca se fixou em nenhum lugar por muito tempo, para que pudesse sobreviver. Tomada pelo espanto do gesto de espanto. Pousou de lugar
E o colecionador se transformou num poeta em si mesmo, aquele que cuida de entender seu semelhante e a si próprio, perdendo por isso mesmo toda a habilidade e a mestria em fazer alguma coisa outra. Tornou-se um ser esdrúxulo como todo poeta é; uma espécie de ornitorrinco com aparência de uma normalidade distante, etérea.
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