Xenofanias

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday June 14, 2007

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Homem nenhum conhece o que é claro,

nem haverá quem saiba algo dos numes,

do que falo. Se o mais perfeito diz,

ignora: a opinião de tudo se assenhora.

Xenófanes através de Trajano Vieira

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Thursday June 14, 2007

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“O homem pode ser muita coisa, mas não é racional.”

Oscar Fingall O’Flahertie Wills Wilde in Retrato de Dorian Gray através de João do Rio (Paulo Barreto)

Não existe uma resposta

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Wednesday June 13, 2007

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Não fiz da reclusão  algo refletido como uma alternativa para os meus problemas,  coisa, solução para a angústia.Foi algo assim: Tudo que eu vira até então permitia que eu tirasse a conclusão daquilo que viria e não seria melhor ou pior, seria  a repetição indefinida; prévia de um filme que é repetitivo, monótono.

Parti para o aprimoramento do meu interior, virei a luneta para o meu interior, escolhi o objetivo a ser analisado pelo microscópio, busquei uma minha via láctea, e parei com o temporal.

Parei com o efêmero, parei com o mortal.

Busco a imortalidade das coisas, busco tudo aquilo que não se desvanecerá num piscar de olhos, na ponta de um avião ou numa das palavras do chamado ‘povos dos livros’. Essa foto exprime absolutamente tudo isso. Aquela organização que gostaria de ter na mente. Um ideal inatingível.

Uma ocasião, falaram-me da minha falta de experiência, da minha estúpida reação diante de determinadas coisas singelas, corriqueiras, banais, e fiquei eu estupefato com a  constatação, com a certeira flecha que se endereçou à minha barricada.

De fato,  sou absolutamente inexperiente nas relações humanas, talvez por isso tenha sentido tanta repulsa, tanta ingratidão e tanta injustiça.

Se fosse russo, alemão, árabe ou judeu, legítimos, talvez teria outra reação, talvez fosse um terrorista, talvez fosse um assassino demente, ou alguém que por alguma atitude desse vazão à força imensa que tem dentro de si.Ou simplesmente um escritor que canalizou a sua sensibilidade tremenda numa carta ao pai, numa obra fantástica, inaugural, explosiva, com a força de mil ogivas nucleares.É pena que essa bomba é destinada aos poucos que tomam a letra e a palavra como bússolas.A maioria, a grande maioria, toma outros pontos cardeais.

Sou tão estúpido, não faço idéia do quanto.

O quanto ficar em casa, sonhando, imaginando-me isso ou aquilo outro, basta-me.O quanto de solidariedade existe dentro do meu ser, e não consigo demonstrar isso.Cansado de lutar, fiz o meu papel de executivo, de tirar aquilo que as pessoas tem dentro de si para com isso dar andamento à vida, e descobri o imenso vazio que a existência em comum proporciona à alma.Quanto o convívio é estupefaciente, entorpecedor e aflige a minha alma essa convivência.Não me isolei, fui expulso, e quando consigo encontrar algo próximo a uma alma, a uma sensibilidade em que eu possa falar e ser compreendido e não repelido, busco preservar, e me agarro como uma ostra numa pedra, agarro-me àquilo que me salvará do vácuo.Tenho uma mentalidade vitoriana, inflexível que me pune sempre, não perdoa jamais todos os deslizes, todos os sofrimentos que provoquei.Escrevi várias vezes que nasci no século passado ou retrasado, sou um produto híbrido, não conseguirei jamais me livrar dessa herança romântica…

Fui expulso do paraíso, por ter comido a maçã.

O paraíso é formado pelos livros e lá não existirá jamais uma maçã. 

Amizade

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Tuesday June 12, 2007

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Arcaram os vossos argonautas com monstros e medos. Também, na viagem do meu pensamento, tive monstros e medos com que arcar. No caminho para o abismo abstracto, que está no fundo das coisas, há horrores, que passar, que os homens do mundo não imaginam e medos que ter que a experiência não conhece; é mais humano talvez o cabo para o lugar indefinido do mar comum do que a senda abstracta para o vácuo do mundo.

Eu, longe dos caminhos de mim próprio, cego da visão da vida que amo, cheguei por fim, também, ao extremo vazio das coisas, à borda imponderável do limite dos entes, à porta sem lugar do abismo abstracto do Mundo.

Fernando Pessoa in Livro do Desassossego, através de  Bernardo Soares

James Joyce

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday June 12, 2007

O Leandro de Oliveira do  2005 Uma Odisséia Literária fará no próximo dia dezesseis uma bela comemoração lembrando o Bloomsday. Bloom-Blogsday. O terceiro.thelibrarian.jpg 

Um grande comentário ‘on line’ do Ulysses de James Joyce. Participe. Cada um a seu modo.

Vó Chiquinha

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Tuesday June 5, 2007

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Comecei o dia ouvindo Verdi. Uma ode à vida. Nada melhor para começar as coisas novamente. Ontem, de fato, tive um dia memorável. Interessantes - talvez fosse mais correto dizê-las extravagantes - as sensações que experimentei. Saí cedo de São Paulo, para cumprir um dever de amigo, solidarizar-me com um amigo de quase trinta anos (o tempo passa mui rapidamente chiquita, “muy” rapidamente), amável, sempre trabalhou no campo, por vocação extrema. Filho de agrônomo é responsável pela administração de fazendas, várias delas, todas familiares, e gosta muito de fazer isso.  O Zé Ernesto e eu nos encontramos pela primeira vez na GV, numa sala de aula, ele chegando atrasado, estabanado, esbaforido, quis apesar de tudo, entrar discretamente e chutou longe as minhas bengalas que sem que ele percebesse estavam em seu caminho. E o barulho que isso fez, não é preciso dizer qual foi.Ele todo vermelho, pediu-me:- Desculpe-me!- Não tem a menor importância, elas não ligam, e para elas isso não é dolorido, pode estar certo!Imediatamente abriu um sorriso franco, claro e luminoso, seguiu adiante, até o próximo intervalo, quando passamos a conversar com calma.

Daí nasceu uma forte amizade, fruto de não sei bem o que, creio que o seu caráter e principalmente a sua alegria, sempre direta, sem remorsos, ressentimentos, amarguras, algo diferente do que já havia até convivido, eu que sou de uma família fechada, melancólica e perturbada pelas culpas, reais e imaginárias, não poderia compreender facilmente como uma pessoa poderia ser tão alegre. Imediatamente associei ao fato de ele só poderia ser algum ente santificado, que não cometeria jamais nenhum pecado, nenhuma ilicitude e, portanto, estava sempre alegre. Sempre satisfeito. Achei a expressão exata:Aprendemos na escola que a energia é um grande problema para o homem, pelo fato de nós não conseguirmos armazená-la. Temos que utilizar aquela que está disponível naquele momento.

 Pois bem, o Zé tem o mesmo problema com a alegria, ele não consegue guardá-la, para a utilizar a melhor maneira possível.Não, ele a usa quando ela está disponível. Não tem vergonha disso. É um vitral.Dessa forma, pude constatar a conseqüência da admiração que senti do Osman Lins; ele é o melhor exemplo da impossibilidade de se armazenar alegrias.Ultimamente nos vimos mais raramente, por diversos fatores, o maior é a roda viva. Ele está ligado a Pinda. Lá é o seu lugar, e combinamos de fazer uma festa faz alguns meses. Festa impedida por um problema de saúde, que depois se mostrou menor que a minha preocupação. Uma esofagite muito forte o impediu de comer e perdeu muito peso. Essa perda repentina assusta a todos, principalmente a mim. Pois bem, o churrasco foi cancelado. E pensei que a doença teria sido reflexo da perda de sua irmã, de seu pai e seu sogro, todos num pequeno período de tempo e numa seqüência impiedosa. Parece calculada. Telefonei-lhe nesta semana  e soube que além de tudo havia ocorrido um acidente fatal com seu filho. O Rodrigo havia sido objeto de uma conversa em nosso último encontro, onde ele contava as loucuras derivadas da mocidade do filho. Um neto que ele lhe deu, mesmo que sem nora. Ou melhor, sem uma nora fixa. Já que a mãe do menino foi de impossível convivência.
Nada disso importava, a nora , a convivência, o importante era e é Maria Eduarda. Uma linda criança, que sabe contar até dez, apesar de ter apenas dezessete meses de idade !

Como ele é coruja, pensei. Babando sobre a criança. Será que existe babador para velhos? Contava com admiração do tamanho do filho, que é um exímio ferrador de cavalos. As paixões da família são esses animais, os tem da melhor raça, com o mais apurado espécime de cada uma delas. Tratados como outras crianças. Ele se dedicava a colocar ferraduras e tratar das patas dos animais, e para isso é necessária uma força brutal. Para lidar e lutar contra a intransigência dos bichos que, obviamente, sentem-se ameaçados por ele, apesar de todo carinho.- Rodrigo numa ocasião que ficou sem poder trabalhar alguns dias contou-me que estava com um murro entrevado no braço! .

“Ara” emendei, “pode soltar, qual o problema”?- Aqui mesmo, pai?- Onde haveria de ser, filho?Dito isso o rapaz soltou com vontade o seu braço como se fosse um aríete na coluna central da choupana onde estavam, e num átimo o telhado gemeu e veio abaixo derrubado por falta de apoio daquele então apoio vertical.Com tudo isso em mente é que saí daqui.
Como será que encontrarei o Zé?
Que situação difícil, que coisa mais antagônica. A repulsa que a situação causa, e a atração que a amizade pede, demanda.Chegando a Pinda, as coisas foram adquirindo um tom mais cinza, mais gris, mais apavorante, até que deparei com ele.Magro, o rosto macilento, sem que se pudesse notar o rosado da pele, contrastando com o negro dos cabelos, agora brancos, bem mais brancos. Roupa de vaqueiro, trabalhando na construção de uma cerca, calculando com um peão, da quantidade de arame, da quantidade de aroeira necessária, e tudo o mais. Chegamos e trocamos um longo, apertado abraço. - Tira o paletó, pediu, entra.Sentamo-nos e conversamos como se nada houvesse acontecido. A única coisa que tinha para dar era a minha presença. Nessas horas lembrei do Nelson Rodrigues que acreditava em deus quanto estava com asma. Essa era a minha asma. Deu-me uma vontade incrível de acreditar em deus, e com ele resolver a dor que via no Zé. Pena que para ele isso não seria conforto também. Nisso éramos bastante parecidos. Ligados a terra, ele de maneira produtiva, eu de maneira inócua, por não poder sonhar.

À medida que conversávamos a coisa foi se modificando e ele conseguiu falar um pouco da presença do filho, e não da sua falta, e como que movido por um curto circuito,   disse:- Coisas boas hão de vir pela frente, caso contrário eu não estaria mais aqui.É inacreditável o efeito que isso causou em mim.

Que iluminação, que inteligência e otimismo numa situação cachorra como essa.Contou que reuniria a família, os filhos demais, que estavam longe, voltariam para a casa paterna e ele faria um campo de treinamento para animais para um, algo para o outro, e com a ajuda da esposa, que cuidava do gado, tudo iria recomeçar. Graças ao que havia acontecido, por esta mensagem que ele recebeu do acidente do filho é que tudo iria melhorar. O lugar do Rodrigo à mesa seria ocupado por quem quisesse, já que ele - Rodrigo - antecipadamente autorizara, isso no dizer do Eduardo, o filho mais velho, que abraçado ao pai recomendava que ele fosse o primeiro a testar a verdade do que dizia, assim que fizeram a primeira refeição juntos.

Essa era a nossa conversa quando ouvi um murmúrio qualquer das meninas que nos serviam um café bem quente. Murmúrio feito ao pé do ouvido do Zé. Apresentou-me sua mãe de criação, uma senhora negra de rosto tão anguloso quando bondoso. Alertou-me que ela iria direto para o inferno, visto que era muito boa de coração, porém fumava como uma chaminé. -E pessoa que fuma vai para o inferno, não vai? - piscando-me um olho.- Claro, sem a passagem obrigatória pelo purgatório. Descerá para o inferno como um rojão. Esquecendo-me por um momento da imbecilidade da imagem. Rojão desce?- Quero apresentar-lhe a Vó Chiquinha. - tascou o Zé - Vó, a senhora vem para cá ou quer ficar em sua salinha ?Ela já se encaminhava, de braços com outro amigo comum, e imediatamente chamou-me a atenção a sua figura. Batia, por assim dizer na coxa do Rui, esse nosso amigo. É bem verdade que o Rui é muito alto. Mas a fragilidade de sua imagem ficou muito mais patenteada com o contraste.Caminhava num passinho miúdo, aquele passinho que as damas chinesas possuíam graças às terríveis deformações pelas quais passavam os seus pés, todos enrolados com faixas apertadíssimas, a fim de proporcionar um andar feminino no fundo e na forma.Pele alvíssima, quase sem nenhuma marca da idade. Cabelos brancos, e um rosto carinhoso.A única coisa que denunciava a sua idade era seus óculos. Óculos que tornavam seus olhos desproporcionalmente grandes. Algo que sempre associei aos males da idade.Sentados, conversamos muito. Recebeu-nos como uma grande dama. Fazia o papel da esposa que não tinha condições de estar conosco. Falamos de vários assuntos, procurava sempre saber de algo a meu respeito, para logo em seguida elogiar ou a minha ascendência, ou a de meus pais. Agradecia muito a minha visita. Estava feliz por saber que o neto contava com tão boas amizades.Ela que fazia tanto para ele, se preocupava tanto com o seu estado. E tornava a olhar com tanta dedicação ao neto. Dizia-me assim que ele saia do recinto, que ele era o filho que ele mais gostava.- Claro que ele gosta de todos, não mais de um do que de outro. Mas a vida reserva para gente muitos mistérios, meu filho. Existem pessoas que nos chamam que nos prendem. Quando fui professora existia em toda sala o meu preferido. Não era o mais limpo, o mais inteligente, o mais bonito, nada disso. Era algo inexplicável. Algo que encontramos num ser e que nos aproxima dele, mesmo que não saibamos o porquê, precisamente, a causa daquela comunhão. Pois é, assim era o Rodrigo com o Pai. Ambos se queriam e andavam por aí, sempre juntos, o mesmo jeito de um e de outro.  Ah fico tão preocupada com o Zé. E os seus olhos se tornavam vítreos, quebradiços, até que esse brilho se rompesse em pequenas lágrimas que escorriam ladeira abaixo, deixando aquela marca no caminho, marca de um caramujo que carrega sempre sua paixão, sua certeza. Discretamente as enxugava com um lencinho que trazia preso em suas mãos. Assim que o Zé retornava, a conversa derivava para o seu finado marido, que havia passado três anos na Suíça Alemã. Num sanatório, que um sobrinho contou que havia sido palco de um romance que ele leu, antigamente. Incrível como em Pinda poderia me lembrar de Davos e a Montanha Mágica. Como poderia eu saber que um dos personagens do romance era brasileiro e marido de Vó Chiquinha ?E ouvi dela a descrição que havia lido do local. Descreveu-me a rotina, o dia-a-dia que o marido passou, e que, ainda bem, o havia restabelecido de uma vez por todos. Ele não ficou o resto de sua vida lá. Havia alguma coisa boa na planície, que o autor não teve o privilégio de conhecer. Porém, eu a conheci.Depois de ter visto a planície entre as serras da Mantiqueira e do Mar - local da fazenda -, voltei para a sala, pensando nisso tudo, num clima etéreo, intrigado com aquela mistura de sensações, que deveriam ser tristonhas e fúnebres. Eram alegres e demonstravam uma força que abraçava o local e não deixava nenhuma energia vazar, toda ela concentrada na preservação daquele ambiente daquele local.Foi quando me dei conta que toda essa energia vinha daquela senhora, daquela dama. Quase escondida em sua cadeira. Que me contava não poder ver a tataraneta sozinha, por ser muito leve não teria condições de carregá-la ou brincar simplesmente, ela detentora de um equilíbrio tão precário, que se utilizava um artefato para caminhar melhor. Parecia ser feita de casca de ovo.

Era dela que vinha toda aquela força, toda aquela energia se concentrava no pequeno ser, ser que se preocupava em levantar-se mais cedo que seus familiares, assim, no momento em que entravam em sua câmara para o beijo matinal, já a encontrassem com o rosto lavado e arrumado. Alguém que gastava suas forças em atitudes de força descomunal e que ainda contava com sobras necessárias para a celebração da vida e da vaidade, merecia muito mais que minha admiração.Ao ir embora, fiz questão de despedir-me dela. Estreitei-a em meus braços, levemente, colei meu rosto ao dela, senti a sua dimensão, a umidade das lágrimas, e a sua despedida.- Ah, meu filho, tenho tanta dor dentro de mim.

Estava perdidamente apaixonado por ela.             

Sarça Ardente

scriptu em Existo: talvez. by Djabal Friday June 1, 2007

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Quem poderá sustentar essa posição durante o lapso de tempo da vida?

Quanta coragem temos que ter para estender as mãos?

E levantar os braços?

E para soerguer-se?

A visão é aterrorizante.

A grande maioria não consegue nada.

Alguns se sujeitam por  pouca comida.

Outros conseguem tudo se esgueirando;

Perdendo a humana forma.

Outros denunciam.

Porém saibam que essa floresta é imaginária.

Existe em nossa imaginação, fruto de nossa estima ausente.

Ausente da mesma maneira que não existe a sarça ardente.

O Extremo vazio das coisas

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Friday June 1, 2007

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Eu, longe dos caminhos de mim próprio, cego da visão da vida que amo, …, cheguei por fim, também ao extremo vazio das coisas, à borda imponderável do limite dos entes, à porta sem lugar do abismo abstracto do Mundo.

Entrei senhor, essa Porta. Vaguei, senhor, por esse mar. Contemplei, senhor, esse invisível abismo.

Fernando Pessoa no Livro do Desassossego, através de Bernardo Soares

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