Sakurajima

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Wednesday July 11, 2007

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Tudo que resta da aldeia é a ponta de um portal de templo projetando-se do chão. O portal, torii, tinha dois andares; agora, avistam-se apenas os setenta e cinco centímetros superiores. Temerárias, as pessoas que fugiram retornaram logo que o vulcão se acalmou. Elas reconstituíram a cidade em torno do marco desalentador do portal enterrado. E a vida continua. No solo rico em cinzas de Sakurajima, os aldeões colhem rabanetes gigantes do tamanho de melancias, prendem a respiração e rezam em seus santuários esperando pela próxima grande erupção

Will Ferguson, in De Carona com Buda, através de Celso M. Paciornik

Sentido

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persigo outro sentido

cuja senda indico

Xenófanes (c570-528aC) in Xenofanias através de Trajano Vieira

Choupana

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Ergui minha choupana entre as nuvens espessas.

Que o pó do mundo apague as marcas dos meus passos.

Não me pergunte como passa o tempo.

Flui o arroio à janela; à cabeceira os livros.

Li Kiu-Ling poeta da Dinastia Tang(618-906d.C), através de Décio Pignatari

Realidade do mundo

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Estes homens, afinal, obtiveram tudo quanto a mão pode atingir, estendendo o braço. Variava neles o comprimento do braço; no resto eram iguais. Não consegui nunca ter inveja desta espécie de gente. Achei sempre que a virtude estava em obter o que não se alcançava, em viver onde se não está, em ser mais vivo depois de morto que quando se está vivo, em conseguir, enfim, qualquer coisa de difícil, de absurdo, em vencer, como obstáculos, a própria realidade do mundo.

Fernando Pessoa in Livro do Desassossego através de Bernardo Soares

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