Fio da meada

scriptu em Penso? by Djabal Wednesday August 8, 2007

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A partir do segundo grau freqüentei a escola tendo como motivo principal a minha namorada: Ângela.  Íamos juntos para o colégio, ela sentava à minha frente. Fazia o possível para que ninguém sentasse naquele lugar, para admirar suas costas, ombros e seu pescoço branco, longo e lindo. Algumas vezes ela colocava em liberdade o seu cabelo castanho, farto e encaracolado e assim eu podia variar o foco da minha atenção.

Da monotonia que era estudar consegui, sonhando, virar tudo de cabeça para baixo. Estudar era o apêndice. O corpo principal se constituía do namoro.

Chegávamos. Logo após, saía novamente para freqüentar outra escola. Escola Americana. Gostava de ver o jogo de basquete e o de handebol e ficava matando aula até o horário daquela que seria a minha saída. Chegava sempre antes do término. Nos dias que não esporte – paciência -  assistia às aulas.

Sempre fui de comportamento expansivo, aliado a uma inexorável tendência a ser gordo. E por isso mesmo era chamado de Sargento Garcia (aquele antagonista do Zorro que vivia rindo), não dei a menor importância ao fato, o que levou o apelido ao esquecimento.

Tinha verdadeiro terror da hipótese de ser chamado de Garcia perante ela; esse temor se revelou infundado era puramente irracional. Os alunos que freqüentavam o ônibus escolar não eram os mesmos. Ela era apenas companheira de viagem, não freqüentávamos o mesmo curso. Seguíamos viagem sempre juntos. E um outro pequeno detalhe. Ela – creio -  jamais soube do nosso longo namoro que durou dois anos.

Terminei o curso. Aos trancos e barrancos. Pretendia nunca mais estudar. Fui trabalhar.

Aconselhado pelo meu pai. Conselho útil na forma e no conteúdo. Sempre gostei muito de música, ouvia horas seguidas. Um dia resolvi variar o gosto musical e comprar um novo álbum, portanto,  pedi um dinheiro pra ele.

- Amanhã cedo conversaremos.

Acordei cedinho. Sentei e o esperei para o café. Não se falou nada. Nadinha. Terminamos e ele me convidou para acompanhá-lo.

Fomos até um escritório próximo de casa.

-!?!?! – 

-Conversei com o proprietário e  você está contratado, daqui trinta dias você terá o salário; com ele você poderá comprar o que você bem entender. Parabéns e muito boa sorte.

Adquiri minha independência. Deixei de estudar e segui em frente, me emancipei. Trabalhando, aprendi a ser mais prático. Depois de três anos, percebi que precisava estudar. Vocês devem se lembrar que sou mestiço e para honrar minha posição, fazia todos os contratos da companhia, sem ser advogado. Era indagado frequentemente qual era minha formação.

A resposta: “Nenhuma.” Era muito constrangedora.

Resolvi estudar. Porém estudei administração. Fiz uma escolha criteriosa para saber qual a melhor faculdade para que minha vida ficasse facilitada, após a formatura. Escolhi, fiz vestibular, comecei – período noturno. Tinha absoluta certeza que meu futuro estava assegurado.

Quase no término do curso, fui apresentado para o nosso melhor cliente. Já como futuro superintendente da empresa na qual trabalhava. Indagado novamente da minha escolaridade, disse cheio de escondido orgulho:

- Administração de Empresas.

- Administração Pública ou Privada? – retrucou.

- Privada – respondi.

- Curso da manhã ou tarde?

- Curso noturno.

- Que pena, esse curso tem um ótimo programa, mas não deixa tempo para o estudo. Estudante deve estudar.

CEP 20.000

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Wednesday August 8, 2007

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de repente

 

boca sem dente

 

deliqüente rock and roll.

 

é o joe.

 

o show já começou

 

 

Chacal in Belvedere (1971-2007)

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