Diálogo

scriptu em Penso? by Djabal Monday September 24, 2007

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Outro dia ouvi ou li de alguém (Alberto Manguel?) que a escrita á um diálogo. Os escritores nunca têm,  a rigor, nada de novo para comunicar, apenas tem uma outra maneira, mais agradável, mais instigante, mais original de encarar o mesmo problema. E para esse diálogo utiliza as suas referências, suas leituras e reflexões cruzadas. 

“A suprema questão sobre uma obra de arte é saber  qual a profundidade de vida de onde emerge”  J.Joyce 

Referências que podem ser extraordinárias, majestosas e clarividentes, portanto, exigindo do humilde e desavisado leitor uma capacidade de resposta e conhecimento que não teve tempo ainda de adquirir, ou de uma profundidade que ele ainda não habitou. Talvez esse seja o maior problema dos autores como Proust e Joyce, ou mesmo Borges. Eles são além de criativos, dotados de um conhecimento tão vasto que nós nos perdemos nessas referências. Elas nos remetem à galáxias distantes daquelas que já conhecemos.  

Assim a leitura é sempre essa tentativa de diálogo, às vezes, por conta da forma, ora por conta do conteúdo, ora pelos dois;  fica a fama de difícil. Mas não o é. Asseguro-lhes. Ela exige paciência e tempo. Coisas que os tempos de hoje não prestigiam muito.  

Joyce sabia disso: “Quero ser um enigma para os próximos mil anos.” Conseguiu?  

Surreal

scriptu em Escrito pelas estrelas by Djabal Monday September 24, 2007

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O fim do meu fôlego é o começo do seu.

 

Se você quisesse, eu não seria nada, ou apenas um traço para você.

 

A garra do leão estreita o seio da vinha.

 

O rosa é melhor que o negro, mas os dois combinam.

 

Diante do mistério. Homem de pedra, compreende-me.

 

Você é meu mestre. Não passo de um átomo que respira no canto de seus lábios ou que expira. Quero tocar a serenidade com o dedo molhado de lágrimas.

 

Por que essa balança que oscilava na obscuridade de um buraco cheio de bolas de carvão?

 

Não sobrecarregar os pensamentos com o peso dos sapatos.

 

Eu sabia de tudo, de tanto que buscava ler nos meus riachos de lágrimas.

 

 

André Breton in Nadja através de Ivan Barroso

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