Quisera

Quisera ter a palavra. A palavra que a tirasse do lugar, a levasse criar coragem, não dependesse de mais nada nem de ninguém, perdesse o medo.
Tomasse do sol o resto da força que elas não deram, mudasse de rumo completamente, antes que a lua chegasse e tirasse a sua coragem.
No começo de tudo era palavra autora; hoje não mais.
O princípio é a atitude. Uma maneira covarde de manifestar o pensamento. Mas é apropriada aos dias de agora: rápida, incerta, medrosa; agrada a todos, incluindo os dessentidos e sonolentos.
Talvez esteja ébrio de infelicidade, mas certo da incerteza do nosso destino.
Infeliz e soturno.