Epifania
Etimologia da palavra, segundo nos ensina Antonio Houaiss em seu dicionário:”gr. epipháneia,as ‘aparição, manifestação’, pelo lat. epiphanía,ae ‘aparição…”
Ouvi uma cantata catalogada com o número duzentos e dois na obra de Bach. Tornei-me leve como uma pluma; tirou-me com a sua mão doce e sutil tudo me cerca e transtorna. Levitei no curto espaço de tempo em que ouvi: “Dissipai-vos ó sombras tristes”. A voz dança por sobre o pentagrama dando-me de beber, saciou-me. Uma gota tão diáfana aplaca minha sede de trinta anos. Razão não existe para esse efeito.
Logo em seguida lendo sobre Conselheiro Acácio encontro o mesmo número - 202. Como o número de sua residência nos Campos Elíseos. Número que não existe em Paris, entretanto; vejo esta obra de Olivier Culmann e com ela recebo a aparição do conhecimento inútil acumulado em nossa massa cinzenta, o pequeno espaço que destinamos às nossas emoções, tudo regado pelo tempo que descasca a nossa pele e indica a nossa ruína.
