Medo

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Tuesday November 6, 2007

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Você não consegue acreditar em nada a não ser em seus medos. Ou melhor,  você acredita em algumas coisas, não o suficiente para que possa avançar naquela direção. Teme a entrega como se estivesse à beira, diante, de um abismo.  É o fim, o sinal de alerta, o farol do fim do mundo que acende o pânico pela falta de alternativas. 


Procura abrigo na família, na casa, em outro, para amainar a sua dor, confundi-la com outros pensamentos, problemas e convivências, é o seu narcótico.  Pensa que estando aparentemente no mesmo lugar, o seu risco diminui. Não. Creio que ele aumenta e muito.
Com isso adquiriu um prazer ao sentir medo. Precisa de alguém mais para afastar a solidão.  O medo enfrentado junto não muda ou diminui nada mais. Acrescenta ao seu, o rol de medos  daquele,  até então desconhecidos. Sofre confortado tendo alguém para se agarrar física ou mentalmente? Tanta tristeza o faz  um sonâmbulo, uma pessoa que vê fantasmas em tudo.  Totalmente afastado do mundo sem se conhecer, sem sentir-se parte integrante dele; e por isso mesmo nada há para ser temido.

 A busca real é a da harmonia.  A complexidade do nosso interior é igual ao do exterior. Não existe a barreira física entre você e o que o cerca.  Essa pele – fina e frágil - servirá como sensor, órgão recebedor, da ressonância do que ocorre lá fora; e como órgão emissor da sua ressonância ao mundo exterior. A solidão é também um desconhecimento disso tudo, um desperdício da experiência de Thoreau: “eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida… expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido”.  


Um amigo disse-me: ‘Devemos viver como se estivéssemos num bote, apenas usando o leme para corrigir levemente a rota, usando a força natural da corrente. Fazer muita força ao remar é sinal de que algo está errado,  estamos em desarmonia pelo curso que tomamos. Não culpe o barco, a corrente, apenas o rumo.
  Não sei se consigo ajudá-lo em algo.  Peço que se entregue ao seu medo completamente, mas esqueça-o logo após ele fazer todo o efeito; depois  saia do seu lugar. Seja um vagabundo. Um louco. Um desvairado.  Conviva com outros e principalmente consigo mesmo e com o que está ao seu redor, deixe a pressa de lado, dê valor ao que realmente tem valor, para que possa dizer no seu dia:

“Tive uma boa função.” 

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