Resposta
Estava em dúvida ao usar uma viagem de ônibus como caldo do meu pudim chamado história. A imagem é óbvia para provocar a reflexão do leitor distraído. Ainda mais se o assunto é solidão, ausência de respostas, falta de beleza, destruição da religião e ódio como linguagem universal. Fui aconselhado prudentemente a abandonar o projeto.
Logo em seguida, li outra história em que o escritor pedia ao amigo Max que destruísse integralmente a sua obra escrita. O motivo? A falta de respostas para as perguntas que ele mesmo fez. A beleza do texto não poderia ser o seu único legado. Era muito pouco para uma vida inteira.
Nessas caminhadas, onde não saio do mesmo lugar, encontrei um chinês que começa a sua viagem saindo de um ônibus. Talvez fosse o mesmo, e foi essa a minha impressão, pois ao descer, encontrei um caminhante solitário, com longos cabelos negros, arrumados em grossas tranças, com aquele rosto de zigomas salientes, encapotado num grosso casaco de alpinista. O invencível vento do lugar não nos deixou trocar um olhar.
O fato de alguém utilizar a mesma condução, não significa falta de originalidade, apenas falta de opção de transporte mais moderna, rápida e eficaz.
Eficaz?
Sim. Apesar da companhia ilustre, tanto eu, quanto o escritor, assim como o chinês, não temos nenhuma resposta para as questões que teimam em rodar por sobre as nossas cabeças.
Resta o consolo deste aviso amigo de pessoas honestas. Esse caminho pode ser lesto, longo ou curto, rápido ou lerdo, mas sempre encontrará uma encruzilhada, uma após a outra, sem chance de encontrar uma resposta que não seja ele próprio.
