Frágil

scriptu em Acaso Sinto? by Djabal Monday March 31, 2008

stockholm-easter-sodermalm.jpg

Acabara de ler Petrônio, Boccaccio e Casanova; o seu pensamento passeou ao longo de dois mil anos; estava contente por conhecer uma cena do império Romano, outra dos anos da peste, e uma última de Veneza. Todas na meridional Itália. Todas ensinando que é bom viver o seu dia. Os homens sabem o bom senso.

Recebeu uma foto da Via Láctea, mostrando o planeta Terra como um pequeno ponto, assinalado por uma imensa marca circular, a imagem também mostrava o tamanho relativo dos planetas desse sistema solar. Copérnico sabia.

Leu um artigo científico sobre as épocas glaciais e soube também que é impossível determinar quando será a próxima. Os cientistas sabem das que já passaram; e a temperatura média de cada uma delas. Groenlândia e as geleiras também sabem.

Saiu do café, acendeu um cigarro, queimou a garganta com a quantidade de fumaça que tragou, olhou-se e descobriu a identidade cores entre a sua roupa e o prédio ao lado. Sabia que não conseguiria suportar o frio, sabia também que não conseguiria suportar o calor do copo em suas desabrigadas mãos.Afinal de contas sabia de tudo que lhe interessava.

Ouviu “O Fortuna, velut luna” da Carmina Burana, tocada ao longe.

Saber não é nada.

Tudo é orgulho, apego e vaidade.Apagou o cigarro, deixou o copo no chão. Andou circulando por todas as ruas mais ou menos sem direção, até encontrar sua casa.

Deitou para dormir.

22 queries. 0.308 seconds.
Powered by Wordpress
theme by evil.bert
modificado por DaniCast