O Corinthians sagrou-se tetracampeão brasileiro de futebol. E com a maior justiça. Em um campeonato marcado pelas partidas anuladas da dupla Zveiter-Edílson, muito comenta-se que o Internacional teve seu título surrupiado. Eu discordo. Sem contar que o Corinthians foi melhor mesmo que os outros times e que teve alguns lampejos geniais, alguns argumentos que não ouvi de ninguém suportam minha opinião:
Em primeiro lugar, logo quando as partidas foram anuladas, ouvi de muita gente (inclusive de jornalistas), que o campeonato estava manchado, principalmente porque o Corinthians poderia ser o maior beneficiado, pois havia perdido os dois jogos (Santos e São Paulo) e teria a chance de reaver os pontos perdidos. Não havia nada de errado nessas duas partidas (e em muitas outras), segundo os críticos. Ora, vamos avaliar a seguinte situação: o árbitro foi investigado e sua participação no esquema de fraude foi comprovada. O próprio juiz confessou, embora tenha dito que não conseguiu manipular os resultados de alguns jogos. Assim, os críticos do cancelamento dos jogos sustentavam que o próprio juiz ladrão havia dito que não conseguira roubar em todos eles. Bem, essas pessoas gostariam, portanto, que o árbitro decidisse o campeonato pois, baseando-se na palavra de alguém que está tentando escapar de uma condenação (se é que ela existe), o campeonato poderia ser decidido pelas partidas em que o cidadão achasse conveniente dizer que roubou ou não roubou. Concordo que o fato do Zveiter decidir isso sozinho não foi correto, mas não foi ele quem decidiu o campeonato, mas sim as equipes que não conseguiram manter seus resultados nos jogos remarcados.
Segundo lugar: dizer que não houve nada de errado nas partidas entre Corinthians x Santos e Corinthians x São Paulo é negar a ocorrência do próprio escândalo. Quando algum político envolvido em escândalos é tido como suspeito em outro, duvido que alguém coloque a mão no fogo por ele. Sem falar que nas duas partidas tivemos lances polêmicos (que viraram mais do que isso nas mãos do árbitro em questão).
Terceiro: se o Corinthians perdesse, corria o risco de cair na desgraça. Afinal, perder duas vezes de dois dos seus maiores arqui-rivais seria a gota d’água para um plantel que passou o ano em estado de ebulição. Assim, o efeito da remarcação dos jogos poderia ser devastador contra o Timão.
Depois de tudo isso, um clima de anti-corinthianismo tomou conta não só do estado de São Paulo, mas também de outros estados, sempre motivados por um suposto esquema da MSI. Ora, os outros times não tiveram a capacidade de alcançar o alvinegro na classificação e, naquela fase, todos dependiam somente de si mesmos.
A pressão sobre o time do Parque São Jorge tornou-se insuportável, ainda mais com o pênalti não marcado na partida contra o Internacional. Todos se esqueceram dos erros dos árbitros a favor de outros times (muitos até a favor do Inter). Não me lembro do Inter reclamar na partida do Palmeiras o pênalti marcado erroneamente a seu favor em um lance que ocorreu após falta não marcada a favor do Palmeiras.
Por esse motivos, acredito que o tetracampeonato alvinegro só ganhou contornos mais dramáticos, tão conhecidos da Fiel torcida, fazendo desse título mais díficil e mais heróico, considerando ainda as contusões de Mascherano e Roger.
Parabéns Timão!!! Você é o verdadeiro Campeão dos Campeões!!